domingo, 23 de março de 2014

Amor de Cristo e Amor de Deus

O Amor de Cristo e o Amor de Deus

A generalidade dos cristãos e mesmo os estudantes da Bíblia nunca se aperceberam da diferença que as Escrituras Sagradas fazem do amor de Deus e do amor de Cristo. Pior que isso, confundem estes dois tipos de amor. Há, certamente, uma relação estreita entre os dois: não poderá haver um amor sem o outro, mas são diferentes, na sua característica, nos motivos, nas causas e nos propósitos, porque, especialmente, são de pessoas diferentes.
Quando se fala do amor de Cristo as pessoas pensam logo na sua vinda ao mundo, fazer-se homem, morrer na cruz do calvário e salvar o mundo! Mas, depois de analisadas as Escrituras verificamos que não é bem a isso que se refere. 
Então, para percebermos esta diferença teremos de socorrer-nos dos escritos do Apóstolo Paulo, pois somente ele fala deste aspeto do amor de Cristo para com a Sua Igreja, a “Igreja Corpo de Cristo”.
Assim, quando vemos as referências que o Apóstolo Paulo faz ao amor de Cristo verificamos que ele não tem o sentido genérico, como o “amor de Deus” por todo o mundo, mas restringe o objeto do Seu amor à Sua Igreja “Corpo de Cristo”, como o seu povo exclusivo (Tito 2:4).
Vejamos:
                           «25 Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26 para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível» (Efésios 5).


Analisemos, agora, o texto de Efésios 3:
«Pai... 15 do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, 16 para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; 17 para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, 18 poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus».

Reflitam bem nestas palavras: « (1) conhecer o amor de Cristo > (2) que excede todo o entendimento > (3)para que sejamos cheios da plenitude de Deus».
Ou seja: conhecimento do conteúdo: o amor de Cristo >> natureza: excede todo o entendimento >> resultados: «cheios da Plenitude de Deus».

A explicação destas palavras estão na própria epístola aos efésios:
- A Plenitude de Deus é a Igreja “Corpo de Cristo” (1:22-23);
- Excede todo o entendimento porque, neste propósito da Igreja “Corpo de Cristo” ou, simplesmente “o Cristo” (I aos Coríntios 12:12-13; Romanos 12:4-5; Efésios 4:13-16; 5:30-31; Colossenses 2:17-19; 3:10-11), estão escondidos todos os tesouros da ciência e da sabedoria de Deus (Colossenses 2:2-3), as “riquezas incompreensíveis de Cristo” (Efésios 3:8), as coisas que «nenhum olho viu, nem ouvido ouviu, nem subiu ao coração do homem, é o que Deus preparou para os que o amam» (I aos Coríntios 2:9-10), as coisas profundas e ocultas de Deus!
- Conhecer o amor de Cristo, ou ter a mesma mente de Paulo acerca do mistério de Cristo, o Segredo de Cristo, que tem a ver com a Sua Igreja “Corpo de Cristo” e com o propósito que Deus tem para e através dela, em Cristo (Efésios 3:2-8).

Este versículo dezanove parece ser a explicação ou o resumo do que disse nos versículos anteriores (14-18): corroborados no homem interior, no coração, com o poder de Deus (a obra de Deus que se manifestará na Igreja com a ressurreição do arrebatamento, segundo 1:17-22; não o poder que se manifesta agora – agora, neste mundo, manifesta-se a fraqueza de Deus como em Cristo – e na ressurreição se manifestará o poder de Deus como se manifestou em Cristo: Filipenses 3:20-21, que são as riquezas da Sua glória), que é feito pelo Seu Espírito através da Sua Palavra (Romanos 8:16, 26-27; Efésios 5:18), e nos dá a capacidade de perfeitamente compreender a largura, o cumprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo. O poder de Deus, segundo 6:10 refere-se aos nossos direitos em Cristo na glória (Efésios 1:3-6), nos quais nos devemos agarrar para nos mantermos firmes contra os ataques do diabo e das suas hostes.

Ou seja, poderia dizer ele:
«Conhecer o amor de Cristo que excede todo o entendimento para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus», que é a largura e o cumprimento, e a altura e a profundidade daquilo que devemos conhecer de Deus.

Assim, o amor de Cristo não é universal nem deve ser compreendido em algum sentido genérico, mas algo restrito à Sua Igreja, chamada de “Corpo de Cristo”, que é todo o conteúdo da revelação do Mistério de Cristo, a pregação de Jesus Cristo segundo a revelação do Mistério (Romanos 16:25-26) que estava oculta na Profecia até à chamada de Paulo pelo Senhor glorificado (I a Timóteo 1:15-16), designadamente: a forma como ele nos amou (Efésios 1:4-5) e nos elegeu e predestinou para fazermos parte de um propósito eterno onde Ele partilharia com os membros do Seu corpo os privilégios da Sua divindade, no governo da criação, segundo as riquezas da Sua graça (Idem, vv. 3-14).

A generalidade dos crentes pensa que o amor de Deus e ou o amor de Cristo é um sentimento: como sentir muita emoção, sentir muito afeto, ter muitas emoções sentimentais; mas isso não é o amor de Deus. O amor de Deus é uma atitude: é aquilo que vemos na revelação da Sua palavra. O amor de Deus não é nenhum sentimento que possa partir de um coração humano afetado pelo pecado, imundo, um corpo de pecado onde não habita bem algum. O amor de Deus é derramado nos nossos corações pelo Seu Espírito através da Sua Palavra, que é o único meio de Deus comunicar com o homem, presentemente. Por isso é que o verdadeiro crente não fica em confusão com as tribulações, pois tem conhecimento da Palavra do Espírito (Romanos 5:1-6). E, quando somos chamados a amar como Cristo não é a ter um sentimento igual ou como o de Cristo, pois isso, nestes corpos, seria impossível, e quem disser o contrário é mentiroso: basta olhar para os seus exemplos (maus) que o negam. A Escritura diz para andarmos em amor como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós (Efésios 5:2), é para nós olharmos para a Sua Palavra pois é nela, unicamente, que vemos como Cristo nos amou… e ter a mesma atitude.
Não se deixem enganar por discursos vão e impossíveis de se realizar; nem se enganem a vós próprios desejando uma coisa impossível de experimentar enquanto estivermos nestes corpos mortais! A generalidade dos discursos religiosos nada tem a ver com a sua experiência, pela sua impossibilidade de se concretizar. Mas, quando entendemos a revelação e a experiência do Apóstolo Paulo, depois de Atos 28, verificamos que tudo é coerente com o discurso e a vida prática no “corpo da carne”! Mas, nada é coerente nos discursos religiosos, mesmo protestantes e evangélicos. Os cristãos poderão falar de amor e dizer que amam, mas se não conhecerem a revelação do Mistério de Cristo e não tiverem a mesma atitude de Cristo segundo esta revelação estão desfasados do amor de Cristo e alheios do amor de Deus.

Analisemos, então, a experiência que o Apóstolo Paulo tinha com este amor de Cristo e os seus efeitos sobre a sua vida, para vermos a importância de conhecermos melhor este amor e nos inteirarmos profundamente no conhecimento desta revelação do Segredo de Cristo:
«Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou» (II Coríntios 5:14-15).

O termo «constrange» significa estar cercado por todos os lados e só ver uma saída, e essa, aqui, é o amor de Cristo. Poderia ele dizer: posso olhar para todos os lados, mas só um me atrai: o amor de Cristo, para onde sou impelido a olhar, por uma razão: ele morreu por nós para, agora, podermos viver para Ele.
Este viver, no contexto, tem a ver com o propósito de Deus na Igreja “Corpo de Cristo”, pois passamos a ser uma nova criação e a pertencer a uma nova criação, não carnal, mas espiritual (vv. 16-17), e ao respetivo ministério: «o ministério da reconciliação» (v. 18, 20-21), e à «palavra de reconciliação que nos foi confiada» (v. 19). Pelo que, por essa razão, «todos – do corpo – serão apresentados diante do tribunal de Cristo» (v. 10). De forma que, por causa do «temor que se deve ao Senhor» a respeito do Tribunal de Cristo», devemos ter cuidado como estamos no ministério!
Por isso, neste temor da espectativa do Tribunal de Cristo, somos impelidos pelo amor de Cristo, ou seja, somos impelidos por este mistério e para este ministério, no aprofundamento do seu conhecimento e sermos dominados por ele.

Neste sentido ele diz:
«Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus…
«Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor.
«Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, ilustres, e nós, vis...» (I aos Coríntios 4:1-10).

Novamente a referência ao ministério: a respeito do amor de Cristo e a motivação: o Tribunal de Cristo»
E, isso, faz-nos superar as fraquezas:
«Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte» (II aos Coríntios 12:10).
  
O amor de Cristo, ou a revelação que desvenda o amor de Cristo em tudo aquilo que faz parte do Plano de Cristo para a Sua Igreja, também se torna como o modelo de vida do Crente, como Paulo escreve aos Gálatas:
«Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim» (Gálatas 2: 20).

A vida que vivo na carne vivo-a na fé e não segundo a carne. A ninguém conhecemos segundo a carne, diz o Apóstolo (II aos Coríntios 5:16-17), nem vivemos segundo a carne (II Coríntios 13:10). Os que querem viver na carne, valorizando as coisas deste mundo, humanas e carnais, estão desfasados de Cristo, não tendo qualquer noção do que é a vida cristã (Colossenses 2:18-19, 23), e vão ceifar a destruição das suas obras (Gálatas 6:8, conforme I aos Coríntios 3:9-21), no tribunal de Cristo.

Depois de considerarmos as questões da responsabilidade que temos no conhecimento do amor de Cristo, para terminar estas considerações, entre múltiplas que nos poderiam deter, chamo a atenção dos queridos leitores para uma verdade reconfortante do amor de Cristo e está revelada em Romanos 8: 35-39:
«Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
«Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou… nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!»

É consolador saber que, embora neste mundo e vivendo em fraqueza e rodeados por toda a sorte de fraqueza, está garantido o amor de Cristo e todo o propósito de Deus em Cristo para a Sua Igreja “Corpo de Cristo”, porque, este amor de Cristo está no amor de Deus: é uma expressão semelhante às do Senhor Jesus Cristo quando disse: «ninguém as arrebatará das minhas mãos… das mãos do meu pai…» (João 10:28-29).
 Notem que o Apóstolo está a falar da nossa esperança, da glória que em nós há de ser manifestada (v. 17-18), do decreto e/ou propósito de Deus quando traremos a imagem do Seu Filho… e que já nos vê glorificados… (vv. 28-30).

Que consolador: «quem nos separará deste propósito do amor de Cristo?»
Consolai-vos com estas palavras e não descoreis o conhecimento e a experiência do amor de Cristo.

E, a que se refere o amor no Espírito? (Romanos 15:30; Colossenses 1:8)
VPPaço

quinta-feira, 6 de março de 2014

Aparência do Mal



«Abstende-vos de toda aparência do mal»
- I Aos Tessalonicenses 5:22


O contexto:
«14 Rogamos-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos. 15 Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos.
«16 Regozijai-vos sempre.
«17 Orai sem cessar.
«18 Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
«19 Não extingais o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias. 21 Examinai tudo. Retende o bem. 22 Abstende-vos de toda aparência do mal.
«23 E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
«24 Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.»
- I aos Tessalonicenses 5


Há um certo constrangimento nos crentes quando têm de tomar determinadas decisões no seu quotidiano, designadamente o que devem vestir nesse dia, que penteado levar, que lugares frequentar, etc., etc., etc., com o receio de escandalizar alguém. Todos nós, certamente, já fomos confrontados com este tipo de questões e duvidas, por serem eventualmente passiveis de ser contestadas por outros crentes. Eu próprio, confesso, que na minha ignorância já pus em causa a espiritualidade de vários crentes por causa destas e outras coisas, com base neste e noutros textos bíblicos. Lamentavelmente, por não ter tido alguém capaz de me elucidar no entendimento correto do ensino e dispensação da graça de Deus aquando dos primeiros passos do meu crescimento espiritual.

A principal razão porque isso acontece é porque não há um correto conhecimento do teor da dispensação da graça de Deus – diga-se, do ensino da graça de Deus – e, do pouco conhecimento que há desse ensino, não há consistência, certeza e domínio de todos os seus aspetos, o que tem levado, ao longo da história das igrejas locais, há formação de uma mentalidade religiosa de cariz evangélico, formatando os crentes a essa aculturação religiosa, assente em sentimentalismos, suposições, pareceres pessoais e não na Pregação do Mistério. O resultado disso tem sido ver os crentes da graça debaixo de um jugo que todos admitem existir, mas que ninguém ousa fundamentar e garantir. Os evangélicos, assim como toda a cristandade em geral, à semelhança dos judeus, no tempo do Senhor, no seu zelo irracional e desconhecedor da Palavra de Deus, têm “construído” um conjunto de regas e modos de conduta que, na sua grande parte contrariam a natureza e o ensino da Palavra da Graça de Deus.

Um dos textos que tem sido usado para defender essa aculturação é, precisamente, o que apresentamos da Iª epístola de Paulo aos Tessalonicenses e que diz:

«Abstende-vos de toda aparência do mal» - I Tessalonicenses 5:22


Há muito tempo que este tipo de atitudes dos crentes e da cristandade em geral, que é acompanhada e corroborada com opiniões e pareceres pessoais e individuais, de pessoas que têm responsabilidade na chamada “obra de Deus” têm-me intrigado, uma vez que é um discurso que não parece estar em sintonia com o ensino e postura do Apóstolo Paulo, o qual Deus constituiu como o Mordomo da Casa da Graça de Deus, quer pelo ensino de que foi canal, quer pelo exemplo ou modelo que deixou, de como se deve viver segundo a graça de Deus. Por esse facto, tais circunstâncias levaram-me a examinar mais cuidadosamente este ensino à luz da Palavra de Deus, especialmente da Pregação do Mistério, e procurar entender o verdadeiro pensamento do Apóstolo Paulo e o que ele pretendeu dizer com as suas palavras.

O primeiro pensamento que nos pode surgir é um pensamento contraditório: porque é que o Senhor nos chamou para a liberdade e os ensinadores da Bíblia usam o texto sagrado para prender e manter assim os crentes, condicionando-os no seu pensamento e escravizando-os com incontáveis, mas inconsistentes e incoerentes, obrigações?

Outro pensamento que nos surge é o de confrontarmos este tipo de entendimento tradicional com as palavras e exemplos do Senhor Jesus Cristo e de Paulo, que nunca estiveram preocupados com a aparência, mas com a realidade das coisas, como seja: nunca tiveram problemas de curar no dia de Sábado, tocar em leprosos, comer com fariseus, com publicanos, ou com pecadores, de criticar e repreender os que se prestavam a isso, mesmo os discípulos, expulsar os vendilhões do templo, etc., etc., etc..

Ainda outro pensamento é o seguinte: se se trata de uma questão de aparência, qual é o critério que servirá de base para determinar determinada "aparência de mal"? A "aparência" de mal... e que mal? Que tipo de mal? Quem define o conceito de mal? É o mal abstracto? O mal Indefinido e incerto, entregue ao critério de mentes condicionadas pelo pecado? Quem define e ordena o padrão para entendermos o tipo de aparência? Ora, a única base fidedigna para identificarmos o mal é a Palavras de Deus. E, onde está ela na determinação desses conceitos? Que diz a Palavra de Deus sobre a "aparência"?


Como esse tipo de discurso intriga todo o crente maduro, com inteligência espiritual, quando confrontado com as diversas palavras do Apóstolo Paulo, quando diz:

«Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte» (Romanos 8:2);

«Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade» (II Coríntios 3:17);

«28b Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. 29 Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? 30 E, se eu com graça participo, por que sou blasfemado naquilo por que dou graças? 31 Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus» (I Coríntios 10).

«4 E isso por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; 5 aos quais, nem ainda por uma hora, cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós» (Gálatas 2);

«6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo. 8 Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. 9 Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? 10 Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. 11 Receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco» (Gálatas 4);

«Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão» (Idem, 5:1);

«Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade» (Idem, 5:13);

«16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, 17 que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. 18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, 19 e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. 20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, 21 tais como: não toques, não proves, não manuseies? 22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; 23 as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum, senão para a satisfação da carne» (Colossenses 2).


Mais amplo que isto, diz o Mordomo aos criados da casa de Deus:

«Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura» (Romanos 14:14);

«13 Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé, 14 não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade. 15 Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados. 16 Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra. 1 Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina» (Tito 1, 2);

«Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma» (1 Coríntios 6:12);

«Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam» (1 Coríntios 10:23);

«1 Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, 2 pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, 3 proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; 4 porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, 5 porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada» (I Timóteo 4).

«7 E ouvi uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come. 8 Mas eu disse: De maneira nenhuma, Senhor; pois nunca em minha boca entrou coisa alguma comum ou imunda. 9 Mas a voz respondeu-me do céu segunda vez: Não chames tu comum ao que Deus purificou» (Atos 10).


Assim, se o Senhor nos chamou para a liberdade do Seu Filho, a propósito de quê a nossa liberdade deva estar condicionada aos pensamentos humanos e carnais? (que Paulo chama de rudimentos deste mundo… porque são critérios, razões e normas pertencentes a esta vida… carnais e mundanos).

Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?


Por isso, passaremos a estudar o texto sob várias perspectivas: (1) o sentido etimológico; (2) O sentido do contexto (3) Comentários e, depois (4) a conclusão e aplicação.




I.     SENTIDO ETIMOLÓGICO

Vejamos o texto no grego:



Há duas palavras que são as que dão sentido ao texto: o verbo “abster” e o substantivo “forma”. Vejamos o seu significado, sentido e uso na linguagem de Paulo:

Abster: Strong: 567 apecomai apechomai, voz média (reflexiva), de 568; verbo; Significado: 1) guardar-se, refrear-se, abster-se.

Textos onde ocorre a palavra:

«Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais <567> da prostituição» (I Tessalonicenses 4:3);

«Abstende-vos <567> de toda forma de mal» (Idem, 5:22);

«Que proíbem o casamento e exigem abstinência de <567> alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade» (I Timóteo 4:3);


Forma: Strong: 1491 eidov eidos, de 1492; TDNT-2:373,202; substantivo; Significado: 1) aparência externa ou exterior, forma; 2) gênero, tipo.

Há duas palavras gregas principais para forma: MORFE e SQUEMA. Ambas as duas significam forma e devem traduzir-se por forma na falta de outro termo na nossa língua. Mas não têm o mesmo significado. Morfe é a forma essencial de algo, que  jamais se altera; Squema é a forma externa que muda de tempo em tempo e de circunstância em circunstância. Por exemplo, a morfe essencial de cada homem está em sua humanidade: o facto de sua humanidade  é  constante  e  jamais muda;  mas  o  squema da pessoa — sua forma  externa — muda  continuamente.

Mas, a nossa palavra é diferente: eidos Eido Eido  (de Eidon ) e significa aquilo que se vê, como tipo, espécie ou padrão, como em Lucas 3:23Lucas 9:29João 5:37; II Coríntios 5:7. «Mas, se assim for tomada, não é a aparência, em oposição à realidade» (Milligan). «Os papiros dão vários exemplos de eido, designadamente o sentido de classe ou espécie e essa é a ideia que melhor se aplica aqui» (Robertson's Word Pictures of the New Testament). «Mas a palavra significa forma ou tipo» (Vincent's Word Studies), ou espécie.


Textos onde a palavra ocorre:

«Visto que andamos por fé e não pelo que vemos <1491>» (II Coríntios 5:7);

«Abstende-vos de toda forma <1491> de mal» (I Tessalonicenses 5:22).


«Aparência» não se refere a algo que é semelhante… mas que é igual e manifesta-se como tal. Em II aos Coríntios 5:7 o termo «aparência» é traduzido por “pelo que vemos” e em oposição ao que «não vemos», à «fé». Por isso, o apóstolo não está a dizer para abstermo-nos de coisas que são parecidas com o mal, mas ao mal que se manifesta nas suas diversas formas, ou seja, em todas as formas de mal.

Por tal razão, e parece espelhar melhor o sentido, a NVI transcreve da seguinte maneira:

«Abstende-vos de toda a forma de mal».

Bauer traduz o texto da seguinte forma: «Todo o tipo de mal»!


Se se referisse a algo semelhante ao mal, como a “aparência” do mal, teríamos de partir de um padrão que servisse de base. E, quem é que estabelece o padrão? A nossa mente, os nossos conceitos? O nosso entendimento humano e carnal? Como Paulo refere: a nossa carnal compreensão…! Não ligada à cabeça…! Claro que, o padrão tem de ser estabelecido por Deus e está estabelecido pela Sua Palavra. Por isso o contexto vem a falar das “profecias” e para evitar o mal que lá está identificado.

Para reforçar esta ideia temos a utilização da palavra “abster-se”. Abster-se não é “evitar”, como se tratando de algo permissível. Abster-se é cortar total e radicalmente. Vejamos a utilização da mesma palavra nesta epístola no capítulo 3:4 - «Abster-se da prostituição…» ou seja, não é evitar mas cortar radicalmente!



Versões Paralelas

Nova Versão Internacional: «Rejeitai todo o tipo de mal»;
Nova Tradução: «Ficai longe de todo tipo de mal»;
Inglês Standard Versão: «Abstende-vos de toda a forma de mal»;
New American Standard Bible: «Abstende-vos de toda a forma de mal»;
King James Bible: «Abstende-vos de toda a aparência do mal»;
Holman Christian Standard Bible: «Ficai longe de todo tipo de mal»;
Versão Norma: «Mantende-vos afastados de todo o tipo de mal»;
NET Bíblia: «Ficai longe de toda a forma de mal»;
Aramaico Bíblia Inglesa: «Fugi de cada questão do mal»;
PALAVRA DE DEUS ® Tradução: «Mantenham-se longe de todo tipo de mal»;
Bíblia Jubileu 2000: «Apartai-vos de toda a aparência do mal»;
King James Bible 2000: «Abstende-vos de toda a aparência do mal»;
Americana King James Version: «Abstenção de toda a aparência do mal»;
Versão Americana Padrão: «Abstende-vos de toda a forma de mal»;
Douay-Rheims Bíblia: «De toda a aparência do mal abstende-vos»;
Bíblia Sagrada: «Mantenham-se afastados de toda a forma de maldade»;
Versão Inglesa Revisada: «Abstende-vos de toda forma de mal»;
Tradução da Bíblia Webster: «Abstenção de toda a aparência do mal»;
Weymouth Novo Testamento: «Mantenham-se afastados de toda forma de mal»;
Mundo Inglês Bíblia: «Abstende-vos de toda a forma de mal»;
Tradução Literal de Young: «De toda a aparência do mal abstende-vos».






II.   CONTEXTO:
O verdadeiro sentido das palavras do Apóstolo parece estar no contexto, senão vejamos:

«15 Vede que ninguém dê a outrem mal <2556> por mal <2556>, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos».

«19 Não extingais o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias. 21 Examinai tudo. Retende o bem. 22 Abstende-vos de toda aparência do mal».

«23 E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo».


Cito o versículo 15 para mostrarmos o sentido que temos do «mal». E apresentamos alguns textos paralelos:

«Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem» (Romanos 12:9);

«Não torneis a ninguém mal <2556> por mal <2556>; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens» (Idem, v. 17);

«Não te deixes vencer do mal <2556>, mas vence o mal <2556> com o bem» (Idem, v. 21).


O “mal” do versículo 15 é diferente do “mal” do versículo 22 – no V. 15 o “mal” é de natureza má; a origem do “mal” do versículo 22 é fraqueza, com raiz em “pobreza”, e derivado de algo mau, doente, fraco! Ou seja, pode ser muito bem a referência a “fraquezas”!

A exortação parece iniciar-se com a frase: «Não extinguíeis o Espírito». Normalmente se aplica à pessoa do Espírito Santo como se fosse possível extinguir a Deus! O apóstolo está a referir-se à manifestação do Espírito e, essa sim, pode ser extinta pelos crentes. E, a manifestação do Espírito é exclusivamente a Palavra que Ele revelou a Paulo acerca do “Mistério”, como a revelação do programo Profético aos profetas, que têm o mesmo nível de inspiração, nas palavras do Apóstolo Pedro (II Pedro 3:15-16… “demais escrituras…”).

Uma das formas que o crente extingue o Espírito é não dar atenção à Palavra de Deus, especialmente à revelada ao Apostolo Paulo (Efésios 3:4-5), mas também às escrituras dos profetas. Paulo fez muitas referências aos textos dos profetas, mas de forma sábia: não quer dizer que tenha a ver com algum cumprimento no presente período da graça, mas com aplicações práticas que pode ser usada em qualquer período ou época, como Paulo diz:

«Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança» (Romanos 15:4);

«11 Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. 12 Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia» (I Coríntios 10);

«16 Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, 17 para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra» (II Timóteo 3).


A exortação do nosso texto está em linha com o estilo e linguagem do Apóstolo, designadamente na dicotomia bem/mal, já exemplificado nos textos citados de Romanos 12:9, 17 e 21, e do versículo 15 deste capítulo.

 E, nessa linha diz:
«Não extingais o Espírito, não desprezando as profecias: examinai tudo (das profecias), retende o bem e evitai todas as manifestações do mal, ou manifestações de fraquezas».


  


III. COMENTÁRIOS:

O contexto, no entanto, não se refere às aparências do mal em nós mesmos que nos devemos abster, mas para mantermo-nos afastados de toda a aparência do mal nos outros, como por exemplo, de acordo com o contexto, das profecias de inspiração duvidosa. Em muitos casos, o cristão não deve abster-se do que tem a aparência ("aspeto") do mal, apesar de ser bom. O Senhor Jesus Cristo curava ao sábado, e comeu com (fariseus) publicanos e pecadores, praticou atos que apresentavam alguma aparência de maldade, mas não foram motivo para se abster deles porque o Senhor via neles um bom propósito.

Ou seja, o Senhor via muito mais além que os discípulos ou os religiosos do seu tempo que o criticavam! (VPP).


Abster-se de toda a aparência do mal . Este versículo está ligado com o anterior, e repete negativamente o que lá é dito positivamente.

21 Examinai tudo. Retende o bem. 22 Abstende-vos de toda aparência do mal.

Ou seja:
«Testai as declarações dos profetas; mantende o bom, e rejeitai o mal».

A palavra traduzida por "aparência" tem tido diferentes usos; denota forma, figura, espécie, tipo, modo como algo deve ser apresentado.

"Abster-se de toda forma de mal" (RV) ou "do mal" a palavra tem de ser um substantivo abstrato. Toda a exortação é semelhante à que é feita em Romanos 12:9:

«Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem».

Onde há uma declaração negativa que é colocada em primeiro lugar.



Vincent's Word Studies

Aparência (εἰδους)
Tal como comumente é explicado, abster-se de tudo o que parece mal. Mas a palavra significa forma ou tipo. Comparar com Lucas 3:22 e João 5:37, e ver quase a mesma frase em Josefo, em Antiguidades 10:03, 1. Ela nunca tem o sentido de semelhança. Além disso, é impossível de se abster de tudo o que se parece com o mal.

Do mal (πονηρου)
O termo deve ser tomado como um substantivo, não como um adjetivo concordando com εἰδους forma (de todas as formas do mal). O significado de πονηρος no NT não pode ser limitada ao mal ativo, prejuízo, embora, muitas vezes, tem esse sentido. O mesmo é verdadeiro na LXX, onde às vezes significa má vontade ou ser mesquinho. Veja Sir. 14:04, 5; 34:23.


Robertson's Word Pictures of the New Testament
«Abster-se de toda forma de mal  (apo panto eidou ponhrou apecesqe). O verbo está no presente, em voz média, (direto) do imperativo de ap-echö  (contraste com kat- echö) e a preposição apo é empregue no ablativo como em 1 Tessalonicenses 4:3. Nota-se o uso ampliado de ponhrou ponhrou: “mal”. Aqui, o substantivo está sem o artigo, que no idioma grego é muito comum.

Eido Eido  (deriva de Eidon ) e significa olhar a aparência como em Lucas 3:23Lucas 9:29João 5:37; II Coríntios 5:7. «Mas, se assim for tomada, não é a aparência, em oposição à realidade» (Milligan). Os papiros dão vários exemplos de eido no sentido de classe ou espécie e essa é a ideia que melhor se aplica aqui. O mal tinha uma maneira de infiltrar-se, inclusivamente nas manifestações espirituais, incluindo a profecia.





IV.            CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Face ao que foi considerado, perguntamo-nos como é possível os ensinadores da Bíblia usarem as Escrituras Sagradas sem critério, sem certezas e sem convicções, substituindo-se a Deus e à Sua Palavra para conduzirem os crentes a seu bel prazer, e leva-los a crerem em coisas que nunca passou pela mente de Deus?

Este é um exemplo do que é “uma carnal compreensão” das coisas de Deus e dos efeitos nefastos que tal compreensão e a sua aplicação pode fazer na vida dos crentes. Especialmente, tal compreensão e aplicação rouba a alegria espiritual que é transmitida pela liberdade da Palavra de Deus e acorrenta-os a um tipo de vida deprimente de incertezas, insatisfação, melancolia e insegurança, como é a vida assente na aparência das obrigações. Oposta a isso é a vida cristã verdadeira, assente na graça de Deus, de alegria, tranquilidade, livre de obrigações e preconceitos, já que não assenta no que tem que fazem, ou porque se sente obrigado a fazer, mas é assente na graça de Deus, naquilo que o Senhor Jesus Cristo fez e na vida que o Espírito Santos flui em nós pelo conhecimento da Sua Palavra.

Paulo diz:
«Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade» (Gálatas 5:13);


Assim, Paulo não está a falar daquilo que é aparente, mas daquilo que é e real, ou seja: não significa nada da aparência; o que é importante é a realidade.  E, Paulo não está a falar das coisas que parecem mal, mas do próprio mal e das suas formas de manifestação ou dos vários tipos de mal. E, esse mal, está perfeitamente definido na Palavra de Deus, não obedece a critérios humanos e carnais, nem está sujeito a juízos de pessoas que nada têm de "obreiros aprovados" ou sejam recomendáveis, mas, repita-se, está caracterizado na Palavra de Deus.


A nossa liberdade espiritual permite que vivamos, mesmo, segundo a Lei, ou debaixo de qualquer lei ou obrigação; nada nos impede disso: Estamos completos em Cristo e nada altera a nossa posição aos olhos de Deus. Nada do que façamos nos melhora diante de Deus, nem nada do que não façamos nos condiciona diante de Deus. No entanto, será uma verdadeira estupides e desconsideração para com Deus, quando termos sido resgatado por Ele de todo o tipo de escravidão e obrigações – as quais nos condicionavam e nos condenavam diante de Deus, e nós, mesmo assim, insistimos em viver dessa maneira deprimida e deprimente! Depois de libertados por Deus e de sermos constituídos filhos (não mais como servos), ou seja, considerados e tratados por Deus como “filhos adultos”, maduros, será uma estupides e uma irracionalidade não andar como tal, ou seja, também, como adultos e maduros, como sábios e entendidos. E, esse comportamento pode dever-se a várias causas: (1) desconhecimento das instruções do Pai para os seus filhos adultos, e, por isso, vivem como crianças; (2) terem conhecimento, mas serem negligentes nesse conhecimento e insistirem em viver como meninos e servos; (3) serem filhos reveldes, pois podem revelar ter esse conhecimento mas insistem em viver de forma diversa e oposta ao padrão da graça instituído por Deus!

Por outro lado, se somos conhecedores da revelação da Palavra de Deus, a propósito de quê sermos julgados por crentes fracos, negligentes e ignorantes por opção, quando não, em muitas situações, até são reveldes. É verdade que devemos evitar escandalizar os crentes mais fracos, mas naquilo que servir para sua edificação, e não mudar de postura por mudar. Ceder a certas pressões carnais e fruto de compreensões carnais poder ser perigoso por estamos a por em causa a nossa fé e a verdade do Evangelho, como o próprio Apóstolo Paulo refere:

«4 E isso por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; 5 aos quais, nem ainda por uma hora, cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós» (Gálatas 2);


Pelo contrário, este mesmo facto levou que o Apóstolo Paulo repreendesse ao Apóstolo Pedro por estar a por em causa a “verdade do Evangelho” (v. 14).

«Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros» (Romanos 14:19);

«Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação» (Romanos 15:2);

«Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo» (Efésios 4:12).

A essência dos factos é que as coisas são impuras para aqueles que são, em si mesmos, impuros, com mente e mentalidade impuras, contaminadas e cauterizadas, e querem condicionar a vida dos outros à sua mente causticada, como aconteceu com os crentes de Creta, de Roma, de Colossos, e outros, aos quais o Apóstolo Paulo repreende.

Não faz qualquer sentido andar com discursos deprimentes e intimidantes sobre os crentes. Esse é o método dos obreiros, pastores e ensinadores bíblicos intelectualmente inábeis, ociosos e reprováveis. É muito mais fácil manter os crentes subjugados na ignorância, com sentimentalismos e emoções instáveis e enganadoras… do que instruí-los na verdade e torna-los capazes de andarem na mesma verdade e saberem (dominarem) os fundamentos dessa verdade! Como é verdade que esses métodos mantêm os crentes numa aparente disciplina espiritual, mas isso, não passa de aparência e, por isso, de carnalidade (Colossenses 2: 16-23). Além disso, esse tipo de métodos não requer dos líderes grande esforço no estudo da Palavra de Deus e no domínio das verdades e dos conceitos fundamentais da graça de Deus; é mais fácil ocupar os crentes com poemas, com músicas, com eventos, com convívios; é mais fácil ir à NET “sacar” umas mensagens de lideres religiosos de "sucesso", tipo Rick Worran ou Billy Graham, ou outros da mesma linha liberal, que procuram mais conquistar “massas” (números) que a “edificação do corpo de Cristo”, e valorizam mais o esforço e a responsabilidade humana que a graça de Deus. Infelizmente, “as suas palavras” (mensagens, pregações e supostos estudos) falam por si e os denunciam!

Por outro lado, a vida caracterizada por maturidade espiritual, assente no conhecimento da revelação do Mistério, e por isso estar ligado (em sintonia) com a cabeça do Corpo, é uma vida que exige muito trabalho, esforço, dedicação, renúncia e muita oposição… que, em grande parte, acaba com isolamento – como aconteceu com Jesus Cristo, como Senhor e com Paulo, como seu mordomo! Por um lado, a vida da aparência, é mais fácil, mais "animada", mais emotiva, e tem mais seguidores porque, para os ensinadores, não requer muito esforço e o preço a pagar é baixo; para os fiéis, por sua vez, são mantidos mais disciplinados e dedicados, aparentemente, entretidos com discursos sentimentalistas e emotivos, que é aquilo de que a carne gosta! Mas essa é a sua recompensa e glória!

Para aqueles que andam segundo a aparência a vida cristã limita-se ao que um come ou bebe, ou o que veste, ao corte e à cor do cabelo, às unhas, pestanas, lábios, ao tempo que usa, às férias que faz ou não faz, ao número de reuniões que frequenta (mesmo que a Palavra de Deus não seja honesta e corretamente anunciada – como se a Igreja fosse um clube!), e não numa vida de conhecimento de Deus. Tudo isso não passa de madeira, feno e palha!

Para concluir, e seguindo a linha do pensamento do parágrafo anterior, resta dizer que não faz sentido privarmo-nos de uma vida sã, honesta, libre e descomprometida de pressões carnais e humanas, assente na Palavra de Deus, segundo a revelação da graça de Deus; e muito menos sentido faz, querer servir-se da Palavra de Deus para – torcendo-a às suas conveniências e da sua mentalidade carnal – criticar, julgar e privar outros crentes da sua liberdade espiritual! O Senhor os recebeu por seu! Nós, devemos respeitá-los e recebe-los da mesma maneira (Romanos 14:1-3), mas não ceder nem por uma hora, para que a verdade do Evangelho, assente na liberdade, seja posta em causa (Gálatas 2:4-5).


A postura cristã correta é só uma:

«11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 12 querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, 13 até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, 14 para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. 15 Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo…» (Efésios 4).

Ou seja, andar como adultos e, aquilo que considerarmos que podemos fazer e viver, devemos fazê-lo, sem qualquer constrangimento de sermos julgados por pensamentos humanos.

Por outro lado, tenhamos bem consciência de que todas as coisas serão apresentadas no Tribunal de Cristo, e, antão, sim, o modelo espiritual de Deus será exibido e, aqueles que assim viverem serão coroados!

«Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo» (Romanos 14:10);

«3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo. 4 Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor. 5 Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá de Deus o louvor» (I Coríntios 4).


A graça de Deus e o Deus de toda a graça seja com o vosso espírito.

Vítor Pereira do Paço