terça-feira, 25 de junho de 2019

A Liberdade da Graça


A verdade de "Cristo em vós a esperança da glória" é que fortalece a nossa caminhada neste mundo. Estar "mortos para o pecado" provê a necessária liberdade do domínio e influência do pecado; ser "vivos para Deus" provê a capacidade de usar essa liberdade para produzir "os frutos da justiça, que são por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus" (Filipenses 1:11).

Gálatas 4: 1-7 demonstra que a diferença básica entre uma criança e um adulto é a questão da liberdade. O que uma criança é obrigada e forçada a fazer, um adulto faz voluntariamente. O que uma criança faz com medo, um adulto faz em liberdade.

A liberdade é uma coisa extraordinária. Embora a expressão possa ser usada com demasiada frequência, quando é usada para o propósito pretendido, dentro dos parâmetros do ensino da graça de Deus, a liberdade em Cristo é o nosso bem espiritual mais valioso. 

Existem dois aspectos para a liberdade: “liberdade de” e “liberdade para”.

Pela graça de Deus, fomos libertos do pecado - tanto de sua condenação quanto de seu controle. Livre de culpa e vergonha. Livres dos impulsos e tendências que nos puxam para baixo e que não conseguimos parar quando estamos cativos do pecado. Livres da tirania das expectativas, opiniões e exigências dos outros. Mas isso não é tudo, longe disso.

A graça de Deus também nos libertou para o serviço. Somos livres para obedecer, livres para o amor, livres para perdoar os outros, assim como a nós mesmos, livres para servir e glorificar a Cristo, livres para viver como membros adultos da família de Deus.

Quando chegamos a apreciar a liberdade de nossa filiação, reconhecemos que somos livres para fazer voluntariamente aquilo que antes fazíamos com medo. Como adultos, podemos aplicar voluntariamente a sabedoria de Deus aos detalhes de nossas vidas, tomando decisões baseadas na palavra de Deus. Deus é certamente glorificado quando os crentes dão os frutos da sua justiça em Cristo. Esses "frutos da justiça” são, por Jesus Cristo, isto é, a justiça que é aplicada em nós pela Palavra de Cristo. Esta é a diferença do tipo de conduta das religiões, das denominações, do mundo e da carne, que podem ser semelhantes quanto à forma e manifestação, mas não são vividas com o entendimento e consciência da Palavra de Cristo, a revelação do Mistério - não é serviço em espírito para Deus, como Paulo vivia e ensinava.

Há literalmente uma rutura do caráter justo de Deus no estágio da história humana através da vida dos crentes que carregam esses frutos. Isto é, naturalmente, o resultado da "palavra de Deus que efetivamente opera em nós os que cremos" (1 Tessalonicenses 2:13). Nós nunca poderíamos fazer isso por nossas próprias ações, não importa quão bem intencionadas. Assim como uma macieira produz maçãs por causa da vida que há nela, também o crente produz os frutos da justiça por causa da vida/espírito/palavra de Cristo que está em nós pela revelação do Mistério.

Quando Paulo diz: "É Deus que opera em você o querer e o fazer segundo a sua boa vontade (palavra da vida)" (Filipenses 2:13), ele está se referindo ao espírito de Deus trabalhando no interior do crente através da Sua Palavra.
Nosso serviço não nasce de uma restrição externa ou necessidade, mas é o resultado da vida de Cristo em nós, trabalhando através dos membros de nossos corpos, enquanto aplicamos voluntariamente a sabedoria de Deus aos detalhes de nossas vidas. Assim é que "a vida de Jesus também pode se manifestar em nosso corpo" (II Coríntios 4:10).

A liberdade da graça de Deus para nós em Cristo vai muito além do que Ele tem e está fazendo por nós. Ele prossegue na manifestação do que Ele está fazendo por Si mesmo através de nós, pois somos a "Sua (própria) obra, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:10).

Vemos muitos ensinadores falarem alguma coisa desta matéria, mas verificamos nos pormenores que o que dizem é mais decorado do que vivido; e isso, é demonstrado nas suas próprias vidas, pela forma como revelam ciumes, ódios, invejas, dissensões e divisões, que, não obstante poderem ser crentes, o domínio do pecado ainda exerce a influência e a graça ainda não fez a sua obra completa nas suas vidas. Essa é a diferença em fazer as obras da graça pela forma e a vida que se extrai da revelação da "dispensação da graça", que é vivida em serviço para Deus em espírito (Romanos 1:9 com 12: 1-2 e Filipenses 3: 3). Falam como papagaios, sem saberem bem o que dizem nem experimentarem isso em suas vidas, e não como adultos de Deus!



quarta-feira, 15 de maio de 2019

Simplicidade e Pureza


«Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo».
- II Coríntios 11:3

Simplicidade e pureza! Duas características que diferenciam a Igreja “Corpo de Cristo” no sistema Levítico: Formalismo e Impureza! Daí a necessidade que o povo tinha de se preparar para se apresentar diante de Deus, com lavagens, roupas sagradas, em formas sagradas, com dias sagrados e em lugares sagrados.

Mas, com a obra do Senhor Jesus Cristo, segundo o planeamento glorioso dos celestiais para a Igreja “Corpo de Cristo”, obra essa que passou pela Sua morte, ressurreição e glorificação e constituição de Cabeça da Igreja, esta, por estar identificada com Cristo nessa qualidade e lugar, e Como Cristo já não precisa de formalismos, nem cerimónias e está revestido de toda a pureza, assim está a Igreja diante de Si mesmo (Efésios 5: 25-27). A Igreja deve estar ligada à “plenitude da mente de Cristo” e não aos sinais, figuras, atos, formalidades e cerimónias que caracterizam Israel no tempo de menino.

Assim, o modelo de Deus para o Corpo de «o Cristo» (assim o grego no texto citado), é a simplicidade e pureza, não formalidades e cerimónias que definia o modelo para Israel. Adotar formalidades para o Corpo, quaisquer que elas sejam, diminui o Corpo, o Cristo, e desvaloriza a obra que Deus fez para que o Corpo fosse como é: perfeito.

«Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor».
- II Coríntios 3: 17-18)

«Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus».
(Efésios 3: 18-19)

«Até (ao momento) que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
(Efésios 4: 13)

Maturidade vs Meninice
vs Vista
Simplicidade vs Formalidade
Pureza vs Cerimónias
Espírito vs Obras
Sinais Espirituais (Fé/Esperança/Amor) vs Dons Sinais (Profecia/Línguas/Ciência)
Graça vs Lei/Reino/Messianismo


De que lado estás?




sexta-feira, 26 de abril de 2019

Amizade ou Verdade?


Amizade ou Verdade?
Unidade ou Uniformidade?

«Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz…» (Efésios 2:14-15).

Um dos mais importantes resultados e propósitos da morte, ressurreição e glorificação do Senhor Jesus Cristo foi a UNIDADE pela reunião de todos os santos em UM CORPO. E, juntamente com a UNIDADE, resultou – intrinsecamente – a PAZ. Por isso, quando Paulo fala de UNIDADE e de PAZ nas suas epístolas – e a referência á PAZ é feita sete vezes na epístola aos Efésios – não se refere às boas relações que os homens possam ter, mesmo como crentes, mas à obra de Deus pelo Senhor Jesus Cristo. É a PAZ conseguida pelo Senhor e refletida na unidade espiritual do CORPO DE CRISTO, ou seja, a unidade de cada membro do Corpo na Cabeça, que é CRISTO glorificado (ligação espiritual de cada membro a Cristo nos EPI CÉUS, e não tanto aos crentes aqui na terra!).

Em Efésios 4 o apóstolo descreve em que consiste essa unidade do “Corpo de Cristo”:
«Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos» (Efésios 4:4-6).

Esta unidade séptupla não é nada que nós consigamos construir, quer como crentes, como lideres ou como igrejas locais ou organizacionais – pois trata-se de uma unidade multifacetada (com várias áreas e diversos aspetos) que foi realizada pelo Senhor e nos foi oferecida por Deus na Sua graça.
Neste sentido, os crentes, membros da Igreja “Corpo de Cristo” não são chamados a fazer qualquer tipo de paz, pois isso seria impossível, como humanos que somos. Mas, somos exortados A GUARDAR A UNIDADE pelo vínculo da paz que foi feita pelo Senhor. Guardar a paz é ter respeito pela obra do Senhor e nada fazer que vá de encontra a obra do Senhor sob pena de pecarmos contra o próprio Senhor.

«Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados… procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz…» (Efésios 4:1-4).

“Procurando”, segundo JFA, RA, é “esforçar-se diligentemente”.
Strong: 4704 – spoudazw, spoudazo, de 4710; e significa 1) apressar-se; 2) esforçar-se, empenhar-se, ser diligente.

Vejamos as ocorrências desta palavra no grego do NT, para entendermos o seu significado:
Gálatas 2:10 – “o que também me esforcei <4704> por fazer».
I Tessalonicenses 2:17 - «com tanto mais empenho diligenciamos <4704> …»
II Timóteo 2:15 - «Procura <4704> apresentar-te a Deus aprovado…»
II Timóteo 4:9 - «Procura <4704> vir ter comigo depressa».
II Timóteo 4:21 - «Apressa-te <4704> a vir antes do inverno».
Tito 3:12 - «Quando te enviar Ártemas ou Tíquico, apressa-te <4704> a vir até Nicópolis ao meu encontro».
Hebreus 4:11 - «Esforcemo-nos <4704>, pois, por entrar naquele descanso…»
II Pedro 1:10 - «Por isso, irmãos, procurai, com diligência <4704> cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…».

O sentido é de nos esforçarmos e de forma diligente, em guardar a unidade espiritual existente entre os membros do “Corpo de Cristo” e vivermos nesta unidade pelo laço da paz que o Senhor realizou na cruz do Calvário, desfazendo ou aniquilando as nossas diferenças humanas, intelectuais, espirituais, e realizando a paz. O sentido será: estarmos sempre dispostos e de forma diligente em guardar a unidade…

Muitos crentes acham que fazem uma grande coisa para Deus promovendo a divisão, mesmo justificando com uma suposta verdade de Deus! E, neste sentido ouve-se muitos chavões como “antes a verdade que a amizade”, “mais vale obedecer a Deus que aos homens”, etc., etc., etc. Os homens são bons nesses estribilhos. E, por estranho que pareça, é comum a Católicos, a Muçulmanos, a Induz, a Protestantes, a Evangélicos, etc., etc., etc. Por isso, a diferença, por aí, é pouca ou nenhuma.

A VERDADE É QUE, QUANDO OS HOMENS DIZEM ISSO, NÃO SE REFEREM À VERDADE DE DEUS MAS À SUA VERDADE, À “VERDADE” QUE ENTENDEM: E, PARA ELES, OU ANDAM SEGUNDO O QUE ELES PENSAM OU CORTAM AS AMIZADES.


Encaixa bem neles as palavras de Paulo a Timóteo:

«Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te» (II, 3: 1-5).

E, isto poderá ser um sinal dos últimos dias do período da Graça de Deus! Sempre houve no mundo pessoas assim; mas, no seio das comunidades cristãs mais fechadas e bíblicas, nunca aconteceu como se está a ver agora! E, estes “últimos dias” que Paulo fala são os últimos dias da Igreja no mundo, certamente.

Ora, o propósito de tentar realizar uma unidade no mundo é falsa. Essa obra é, mais exatamente, a realização de uma uniformidade de pensamento, de credo, de ensino, de bandeira e de propósito, que não passa de uma união humana tão vacilável como a vida de uma geração humana: passageira e efémera! Essa é a união como a união da torre de Babel: Assente num nome, numa bandeira, numa comunidade terrena local (igreja ou organização), assente em tijolos de barro e não na Rocha que é Cristo. O resultado tem sido precisamente o mesmo que aconteceu na Torre de Babel: objetivamente é o que temos assistido na cristandade (inclusivamente nas igrejas locais que conhecemos) e no mundo: confusão e dispersão. Por isso, não é por serem evangélicos, dos chamados “Irmãos” ou dispensacionalistas que serão diferentes, porque as interpretações são todas humanas! Mas isso é natural; o Senhor sabe disso; pior são os motivos (intenções), a forma e os propósitos.

Nada está mais distante que os lugares celestiais, onde Cristo está assentado, que isso.

Relativamente à verdade, é importante que se diga: de três uma… ou nenhuma:

  1. Para falarmos da verdade como tal, a verdade absoluta, a revelação e o seu sentido exato como Deus entregou a Paulo, teríamos de ser Deus e nos substituirmos a Ele para ter o seu pensamento.
  2. Para falarmos da verdade tal e qual o Senhor Deus confiou e revelou a Paulo pelo Senhor Jesus Cristo glorificado, teríamos de ter o dom de revelação e/ou de interpretação. Mas, como com a vinda do Senhor Jesus Cristo também chegou a maturidade espiritual do CORPO de Cristo (Gálatas 4: 1-6 com I Coríntios 13: 8-13), os dons cessaram e, felizmente, ficou a “fé, esperança e amor” (v. 13), precisamente os sinais que menos se vê nas igrejas locais! Mas andam todos distraídos com muitas coisas, as coisas banais!!!
  3. Para falarmos da Verdade como Paulo falava teríamos de ter a sua autoridade e apostolado. Mas, como o seu apostolado não teve sucessores (não obstante muitos se arroguem apóstolos e ministros de Cristo - II Coríntios 11: 12-15), também a sua autoridade não teve sucessores: o ministério e a autoridade do apóstolo Paulo foram-nos deixados pelos seus escritos. Um bom testemunho disso pode ser visto no facto de Deus não ter permitido a existência dos escritos originais; só nos restam cópias humanas!

Assim, como não somos Deus, não temos qualquer tipo de dom especial de revelação ou de interpretação, nem temos qualquer autoridade apostólica (ninguém tem dons sinais para o demonstrar como o apóstolo Paulo tinha – os sinais do seu apostolado – II Coríntios 12: 12), então, só podemos deduzir que quem fala como Deus, ou como quem tem dons especiais de interpretação, ou como quem tem a autoridade apostólica de Paulo, não passam de simples homens, fracos e débeis, sujeitos a qualquer engano como os pagãos do mundo quando interpretam as Escrituras! Têm aparência de piedade, mas a sua vida nega a sua eficácia, os seus efeitos e o seu poder (II Timóteo 3:5). Falam de “amor” mas da sua boca está cheia de maldição e amargura (Romanos 3: 14), e os seus pés são ligeiros para derramar sangue (v. 15), criando confusões, divisões e deserções.

E, dizia: Nada está mais distante que os lugares celestiais, onde Cristo está assentado, que isso. A atitude de cortar relações com os irmãos, quaisquer que sejam os motivos (à exceção do pecado declarado e assumido), não é obra de Deus, mas é obra humana e mundana, contra Cristo e contra a obra perfeita que fez. O Senhor nunca rejeitou nenhum dos seus discípulos por serem tardos de coração e ouvido! Por isso, não há coisa mais repugnante para Deus que a separação e as divisões dos membros do “Corpo de Cristo” e nada mais ignominioso para Deus que aqueles que promovem as divisões do seu Povo.

Estas seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua alma abomina:
«Estas seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua alma abomina: (1) olhos altivos, e (2) língua mentirosa, e (3) mãos que derramam sangue inocente, e (4) coração que maquina pensamentos viciosos, e (5) pés que se apressam a correr para o mal, e (6) testemunha falsa que profere mentiras, e (7) o que semeia contendas entre irmãos» (Provérbios 6: 16-19).

E, quando Paulo escreve para os membros da Igreja Corpo de Cristo diz:
«1 Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas(recebei-o na comunhão ou na igreja sem contender com ele por causa das suas divergências) 3 PORQUE DEUS O RECEBEU POR SEU (assim como ele é, com os seus defeitos). 4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar (Em Cristo todos estão firmes). 5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo(cada qual que esteja seguro nas suas convicções, certas ou erradas, só Deus sabe, mas isso não deve ser motivo para divisão dos crentes) 7 Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. (antes dizia: O Senhor nos firmará para a eternidade e, agora, estando como estivermos, somos do Senhor) 9 Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. 10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo… (porque desprezas o teu irmão? És tu juiz? Mas, todos haveremos de comparecer diante do Tribunal de Cristo e, então sim, veremos a fé de cada um) 12 De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. 13 Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. 14 Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda… (A questão aqui tratada era a comida e os dias; mas, este versículovem generalizar as questões, nada sendo motivo de separação) 17 porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. 19 Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros (mais palavras para quê?). 20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus… (não destruas a obra de Deus que são os crentes… e não as coisas que fazemos, mesmo bem intencionados… essas são obras dos homens, interpretações humanas e atitudes mundanas) 22 Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus (antes dizia: cada um esteja firme na sua própria convicção: nada contra; Deus não censura isso; agora diz: cada um esteja firma na sua fé: Deus também não censura isso! Mas, isso não seja motivo de divisão). 15: 1 Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos (como por presunção, arrogância, sobranceria, desprezo pelos outros). 2 Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. 3 Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. 4 Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança… 7 PORTANTO, RECEBEI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO TAMBÉM CRISTO NOS RECEBEU PARA GLÓRIA DE DEUS (antes disse: Deus o recebeu (v. 3). Agora: Cristo nos recebeu… tais como eramos, nas nossas fraquezas. Por outras palavras: Se Deus e Cristo nos recebeu, quem somos nós para separarmos os crentes e desprezarmos os crentes, mesmo que hajam divergências em relação às coisas de agradar a Deus?» (Romanos 14-15).
«E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo» (I Coríntios 8: 11-12). (Por outras palavras: pecando assim contra os irmãos, desprezando e dividindo os irmãos, estamos a ofender o Senhor pela obra que Ele fez. O Senhor fez tudo, ao ponto de dar a sua vida, para nos unir; os homens fazem tudo para os dividir! Escandaloso, vergonhoso, injurioso e ofensivo! ! !)

Como se isso fosse pouco, escreve Paulo aos crentes coríntios:
«Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?» (I Coríntios 1: 9-13).

Pelo que entendo das palavras sagradas, da tradução possível: Diz Paulo: nós fomos chamados por Deus para a comunhão do Senhor Jesus Cristo e vós andais a alimentar divisões e contendas… dizeis que sois de Paulo ou de Cefas ou de Apolo…

«E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis; porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais? Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?» (I Coríntios 3: 1-5).

E, continuando o comentário: quem é Paulo e quem é Apolo, senão homens? As pessoas fracas é que gostam do louvor dos homens e de se identificar com os homens famosos! Eu não tenho seguidores nem quero que ninguém me siga. Os meus pensamentos só têm o propósito de ser ajuda para aquele que querem crescer em Deus e a minha obrigação perante Deus é essa: ajudar os que «amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito».

E, continua:
«Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? SE ALGUÉM DESTRUIR O TEMPLO DE DEUS, DEUS O DESTRUIRÁ; PORQUE O TEMPLO DE DEUS, QUE SOIS VÓS, É SANTO. Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia» (vv 16-19).

Aqui, Paulo volta ao tema: comunhão do Senhor Jesus Cristo, versus a divisão dos homens! Deus os destruirá… ou seja, penso que será as suas obras, porque são feitas na carne e se queimarão como a madeira, feno e palha… como dizia atrás, no tribunal de Cristo.

Aos Gálatas tem a mesmo exortação:
«Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Mas prove cada um a sua própria obra e terá glória só em si mesmo e não noutro. Porque cada qual levará a sua própria carga» (Gálatas 6: 1-5).

Certamente que o tema do contexto será as obras da carne, que se resume à vida segundo a lei mosaica e às formalidades levíticas, como guardar dias, comidas sagradas, lavagens ou purificações corporais (exteriores), circuncisões, etc.. E, se algum crente for surpreendido e optar por uma vida menos condizente com a regra da graça a obrigação dos que se arrogam espirituais é encaminha esse irmão (como Áquila e Priscila fizeram com Apolo – Atos 18: 24-28), porque nós devemos levar as preocupações uns dos outros, ou seja, temos a responsabilidade de nos ajudar uns aos outros. E, assim, andaremos segundo a Lei de Cristo, ou a regra da graça de Deus para a Igreja “Corpo de Cristo”. Quem andar de forma diferente só mostra que não é nada, não sabe nada e engana-se a si mesmo… e, como vimos, cada um dará conta de si mesmo a Deus, que parece corresponder ao que diz a passagem: «cada um levará a sua própria carga…».


É verdade que o apóstolo diz algumas vezes para “evitar o homem faccioso” (Tito 3: 10) e «afasta-se de homens perversos» (II Timóteo 3: 5), mas trata-se de descrentes, judaizantes e semelhantes, sendo inimigos do Evangelho da graça de Deus, e não de crentes (Romanos 16: 17-18; ver: II Timóteo 3: 8-9).

Relativamente aos crentes diz:
«Rogamos-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos» (I Tessalonicenses 5:14-15);
«Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão» (II Tessalonicenses 3: 14-15).

“Não vos mistureis com ele…”, no grego é “ser íntimo”, sócio. A mesma palavra ocorre em I aos Coríntios 5: 11. Que fiz:
«Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais».

E, a questão não é tanto doutrinária, pois trata-se de questões que nada tem a ver com a Igreja “Corpo de Cristo” mas esclarecimentos dos dias da grande tribulação. A questão aqui era de não trabalhar honestamente, como acontecia com alguns dos crentes em Corinto.

Certamente que sempre, na história da Igreja muitos se levantaram e, ingenuamente ou arrogantemente, tomaram posições de dogmatismo e imperialismo nas suas comunidades eclesiásticas. Olham mais e muito para baixo (e, infelizmente, há muitos crentes débeis, fracos, preguiçosos, ignorantes e não fazem qualquer esforço para crescer e mudar essa situação de fragilidade espiritual) do que olham para cima! Se olhassem mais para cima, veriam que são humanos e, como tal, fracos, inseguros, que mudam de opinião como o vento muda, que têm incertezas e são inseguros em muitas coisas e, mesmo naquilo que se acham firmes, terá sido aí que são mais suscetíveis de falhar. Assim aconteceu com Adão, com Noé, com Abraão, com Moisés, com Job, com Davi e com muitos outros homens de Deus ao longo da história da humanidade. E, assim, tem acontecido com estes! E, se os crentes acham que há algum homem (à exceção do Senhor Jesus Cristo) que seja perfeito, sábio, erudito, doutorado das Escrituras, detentor de alguma verdade absoluta, só se engana a si mesmo e faz enganar os seus líderes, que se presumem de “ídolos” da comunidade! Mas, esses, que se arrogam de mais verdadeiros e mais fiéis na verdade, fazem-nos, muitas vezes, para justificar o fracasso que são na sua vida pessoal, profissional, familiar e eclesiástica, que é caraterizada por confusões, divisões e deserções. E escondem-se em discursos persuasivos de sabedoria humana, de amedrontamento, de ameaças espirituais, levando os crentes mais fracos a ficar com medo, assustados e escravizados a uma vida com alguma aparência de devoção voluntária, disciplina do corpo, mas não tem valor algum senão para a satisfação da carne. Esses são os discursos do espirito de escravidão para andarem em temor, como escreveu Paulo aos Romanos 8: 15 e a Timóteo na II epístola 1: 7). São os discursos para a perversão (ruina/prejuízo) dos ouvintes (II Timóteo 2:14). Mas, o Senhor chamou-nos para a liberdade, com o espirito de adoção, de filiação, de independência e satisfação espiritual – o espírito / mente de Cristo. E, como ele escreveu:
«Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor» (II Coríntios 3: 17-18).

E, quando andamos no espírito de Cristo, a mente que domina o Corpo de Cristo, nós crescemos n’ Aquele que a Cabeça, até à plenitude de Cristo.

Com estes pensamentos não pretendo revelar a “última palavra da verdade”, mas com aquilo que o Senhor me tem ensinado na Sua graça ao longo dos dias da Sua graça na minha vida, mostrar aos que «amam ao Senhor e foram chamados segundo o Seu propósito» a crescer e a viver a graça de Deus com honestidade e fidelidade. ESPECIALMENTE PARA QUE ELES NÃO PERCAM O SEU GALARDÃO. Àqueles que preferem a via da confusão, divisão e deserção, só nos resta esperar na graça de Deus para que a luz da Sua graça brilhe nos olhos do seu entendimento para voltarem (se alguma vez lá andaram) à linha da graça de Deus: no pensamento e no comportamento.


«Se a Palavra de Deus serve para alguma coisa, veja que estas palavras citadas das Escrituras são mandamento do Senhor» (paráfrase minha baseado em I aos Coríntios 14: 37).

«No que nos resta, irmãos… tendo calçados os pés na preparação do evangelho da paz…» (Efésios 6: 10, 15).

«Paz seja com os irmãos e caridade com fé, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo» (Efésios 6:23).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A Psicologia da Graça



«Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afectos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento…» (Filipenses 2: 1-2).

Pelas informações que nos vão chegando, emails trocados, chamadas recebidas, contactos estabelecidos, tenho de admitir que o grande problema dos crentes no presente Século XXI não é tanto espiritual, mas psicológico. A situação é de ruptura: pessoal, emocional, familiar e espiritual. Vamos sabendo e assistindo a coisas que nunca pensaríamos que fossem possíveis entre os crentes e no seio das igrejas locais! Os membros das igrejas vivem em constante instabilidade espiritual porque andam perturbadas com a sua própria vida: é a insatisfação pessoal, a insatisfação profissional, insatisfação familiar, insatisfação social, e mesmo insatisfação eclesiástica, pela errada vivência da fé da graça, e esta insatisfação leva que os crentes se relacionem mal uns com os outros e criam um ambiente desagradável nas suas reuniões. As reuniões deixaram de ser de edificação para serem reuniões de murmuração, de crítica, de censura e não de consolação e ajuda mutua. Por isso, e neste aspecto, as reuniões perderam o seu propósito original.

Já foi tempo em que a relação da Palavra de Deus com o indivíduo transformava a sua vida e levava-o a viver para Deus de uma forma genuína, humilde e dedicada. A Palavra de Deus criava um estado espiritual tal no indivíduo que facilmente o levava a superar todas as suas crises, mesmo psicológicas. E, nos nossos dias, um dos sinais mais vitais que a Palavra não está a produzir grandes efeitos nas vidas das pessoas – membros e frequentadores das reuniões dos crentes – são as crises emocionais, psicológicas e relacionais que têm revelado. É frequente ouvir-se entre alguns crentes este tipo de comentários: “As pessoas andam perturbadas, psicologicamente!” E, isto não é só no mundo: é-o, especialmente, nas igrejas! Neste momento, as pessoas das igrejas não precisam de Cristo, nem da Palavra de Deus. Elas têm tudo isso e com overdose. O problema das igrejas, nos nossos dias, é psiquiátrico: a generalidade das pessoas não precisam  de Cristo, mas de um psiquiatra; não precisam da Palavra de Deus, mas de serem tratadas: precisam de um tratamento psiquiátrico! A Palavra de Deus já não lhes faz nada, pois tornaram-se imunes, cauterizadas e indiferentes!

A igreja, que tinha uma vocação refugiadora para as almas cansadas do mundo, perdeu essa vocação e esse ideal e tornou-se igualmente problemática como o mundo, deixando de ter alguma diferença. E, muitas pessoas do mundo, que procuram a generalidade das igrejas locais para encontrar alguma paz, tranquilidade, satisfação, ficam imensamente piores que os seus frequentadores habituais com o que encontram nelas! As pessoas já não se consideram irmãos, nem amigos, mas adversários e inimigos; já não se perdoam, nem se toleram, nem se suportam; as pessoas mudam de ideias, de ideais e de igrejas locais, sem critério, como se muda de estação de ano! As pessoas estão tão perturbadas e andam tão mal psicologicamente que entram em crises psiquiátricas constantemente… e, pior que tudo, transpõem todos esses problemas para as reuniões de igreja! E, como é uma doença contagiosa, rapidamente esses males são transmitidos a todos e, aquilo que era um mal que se erradicava ao primeiro contacto com a Palavra de Deus, passa a ser normal (prática comum) na vida das pessoas. Será assim que o anticristo encontrará as pessoas quando se manifestar e, facilmente, controlará as suas vidas.

Na mesma lógica o Senhor disse aos discípulos dos seus dias:
“Vai, primeiro, reconciliar-te com teu irmão…” (Mateus 5:24);
“Tira, primeiro, a trave do teu olho…” (Mateus 7:5);
“Limpa, primeiro, o interior…” (Mateus 23:26);
“Faz, primeiro, as contas…” (Lucas 14:28);
“Ouve, primeiro…” (João 7:51).

Não tem qualquer valor falar da Palavra de Deus e querer testemunhar de Deus se o essencial de uma vida está longe disso! Primeiro, há que colocar as coisas no seu devido lugar. E, se não temos condições para estar no testemunho é preferível estar quieto e esperar pelo momento certo, como David esperou pelo chamado de Deus, e o próprio Senhor, que esperou perto de 30 anos para iniciar o Seu ministério.

Por isso, escrevia o apóstolo aos crentes da sua época:
«O mesmo Deus da paz (calmo, pacifico, tranquilo) vos santifique (limpe) em tudo; e o vosso espírito (pneuma/mente), alma (psique/emoções) e corpo (corpo/físico) sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo» (I Tessalonicenses 5: 23).

E:
«Rogamos-vos… a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola…» (II Tessalonicenses 2: 2).


E, o que inquieta os crentes:

I – As Coisas Correntes da Vida Quotidiana: Comer e vestir:
«(25) Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? (27) Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (28) E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. (31) Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (34) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal» (Mateus 6). «Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?» (Lucas 12:26).

«Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas preocupações, pela oração e pela súplica, com ações de graças…» (Filipenses 4: 6).

«Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes» (I Timóteo 6: 6-8).


II – O Que Havemos de Falar:
«E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer…» (Mateus 10:19).


III – Como Servir ao Senhor:
«Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas...» (Lucas 10:41).


IV – Com o Casamento:
«O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida  das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido» (I Coríntios 7:32-34).


V – O Serviço na Igreja Local:
«Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem (preocupem) os membros, com igual cuidado (preocupação), em favor uns dos outros…» (I Coríntios 12:25).


O crente não tem motivos para andar perturbado e não andaria perturbado, nem precisaria de psicólogo se pensasse nas coisas que são de cima (as que são verdadeiramente de cima e não aquilo que dizemos que são de cima e não passam de terrenas... parece que os crentes querem encher os lugares celestiais com as coisas terrenas...) e buscassem as coisas que são de cima!

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o V. espírito.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Perfil Falso!


«Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai,» (Atos 20: 29-31);

«Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério» (II Timóteo 4: 3-5);

«E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniquidade» (II Tessalonicenses 2: 11-12).

«Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda» (Apocalipse 22: 11).

A soberania de Deus na aplicação da sua justiça! Verdadeiramente extraordinário!

E, será esta sabedoria que confundirá os mais espertos, mesmo aqueles que dizem deter todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento de Deus!

Pois bem. Hoje mesmo, cheguei a casa, pelas 20:15H e decorria uma reportagem na televisão. O título era @REDE! Tratava-se de uma sujeita que criou um perfil falso no Facebook. E, com ele contactava pessoas para atrair as atenções. Não era propósito extorquir dinheiro. Queria, simplesmente, ser o centro das atenções. Dizia que tinha sido acometida de várias doenças, inclusivamente de cancro; que vários familiares íntimos tinham falecido; postava fotos e mensagens muito apelativas. Conseguia fazer contactos que lhe permitiam passar uma imagem esbelta, cândida e convincente. As pessoas que com ela contactaram davam testemunho que ficavam impressionadas e que as levaram às lágrimas… Alguns se apaixonaram e formaram castelos imaginários nas suas vidas! Outros foram encorajados e motivados para novas conquistas… mas, aquilo que parecia ser real, não passava de fotografias roubadas de outros perfis, imagens deturpadas, histórias inventadas, uma total falsidade.

Comentávamos em casa: isto é matéria para um grande filme! Nos EUA isto dava um filme digno de um Óscar! Em Portugal poderia inspirar alguns produtores e argumentistas a uma razoável novela! No entanto, tendo eu memória dos últimos acontecimentos das igrejas locais desta zona norte do distrito de Aveiro vejo neste procedimento a imagem real do que se vive nestas igrejas locais: total falsidade dos líderes a mobilizar uns fracos incautos e reprovados corruptos de entendimento e procedimento… para a sua própria ruína!

Falava-me com um irmão, que me dizia, estes senhores, à cerca de 20 anos, dividiram as igrejas deste distrito de Aveiro; a história do seu ministério descreve-se a queimar, injustificadamente, irmãos idóneos, trabalhadores e honestos; nunca fizeram nada novo, e aquilo que herdaram não descansarem enquanto não destruíram! Uns, herdaram um acampamento bíblico para competir com outros acampamentos: foi o último a ser criado e não descansaram enquanto não o encerraram, deixando um rasto de destruição, podridão e divisão; agora, baseados em mentiras e falsidades mobilizam os mesmos “pisteiros rafeiros" incompetentes e totalmente reprovados (porque nunca deram provas de valerem alguma coisa: nem como crentes, nem como pessoas recomendáveis socialmente) para continuar a dividir as igrejas locais! Outros são turistas de igrejas: nunca estão satisfeitos com a igreja que frequentam. Estes, ora ficam descontentes e muram-se, ora são motivados a mudar-se! É interessante verificar que alguns destes são convidados a pregar em eventos como compensação ou prémio por serem fiéis ao erro e à simulação espiritual. Intriga-me o facto de que só as igrejas de longe é que convidam estes propagadores da bíblia; mas as igrejas locais de perto, que os conhecem, não os convidam! Estranho! E, vivesse assim, por aquelas bandas, numa paz podre, que tresanda a imundície e putrefacção! Como se a lista fosse pequena, vão-nos chegando aos ouvidos de líderes que estão à frente das igrejas, muito estimados, mas com uma vida pessoal e, especialmente, profissional, que são uma completa vergonha! Revelava um destes que o trabalho profissional lhe permitia fazer traduções e escrever artigos na hora da entidade patronal! Quando soube que se tratava de um funcionário publico, ou equiparado, lembrei-me logo da carga fiscal que suporto anualmente para que estes senhores possam receber os seus salários chorudos, propagando, que trabalham para o Senhor, mas o fazem roubando cada um dos membros das igrejas que pagam honestamente e regularmente os seus impostos! Não passam de mais uns perfis falsos; mas, quem os ouve, até choram de emoção, ou ficam assustados com os seus berros de motivação… como se o que dizem fosse a sua verdade! A verdade é que, conhecendo as suas vidas, sabemos que o que dizem não passa de uma fé emprestada! Nunca dizem nada do que o Senhor lhes tenha ensinado, mas é tudo gravado, copiado, imitado de artigos ou de livros de outros autores que herdaram! Ainda não chegaram à experiência de Job: “agora os meus olhos te vêm”!

A justificação para os seus atos condenatórios pela Palavra de Deus é "a doutrinas", como sempre foi na história das divisões das igrejas; mas os seus atos revelam que as suas motivações são a inveja, a azia desmedida por pessoas que valem e cresceram muito mais que eles. Foi isso que motivou a perseguição de Saul a Davi, como foi o motivo que levou a perseguição dos judeus ao Senhor Jesus Cristo e à sua crucificação. Usam um perfil falso, com imagens muito lindas, discursos muito apelativos, muito charme… parece que revelam muita preocupação, mas não passa de falsidades! São castelos construídos na areia, torres edificadas com tijolos, que o Senhor brevemente destruirá... e os confundirá!

Dizia-me um jovem, à dias: “não podemos ter a comunhão que tivemos… com algumas igrejas…”! É verdade, pensei eu, com os “meus botões”! Comunhão! Que é comunhão? O que é que estes miúdos sabem de comunhão? É a comunhão da divisão? Da discórdia? da falsidade? Do que motiva estes líderes? De facto, o espírito do anticristo já opera, pensei eu! Os mesmos métodos, os mesmos princípios, os mesmos procedimentos! Provavelmente, o mesmo fim!

Outrora eu me escandalizava com estas coisas! Agora, sei que as coisas têm de ser mesmo assim! Aos sinceros e honestos só precisam de se manter calmos, aguardar no Senhor e ver como a sua obra não será em vão, no Senhor, se se mantiverem na honestidade, na fidelidade, na tolerância e no amor, de acordo com a revelação da graça de Deus.

Os que enveredarem pela falsidade, não será mais que o resultado de um certo abandono de Deus aos atos dos desejos dos seus próprios corações, e recebam a recompensa daquilo que sempre fizeram e pensaram, em função ou com a mesma regra daquilo que sempre pensaram!
«Não temais; estai quietos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará…»

Palavras para quem? Disse o Senhor: “As minhas ovelhas conhecem a minha voz… e não seguirão ao estranho”! E, os que têm de se perderem, perder-se-ão!

Estas não são palavras para todos, mas todos poderão ser beneficiados por elas: são palavras de aviso, palavras de encorajamento e palavras de revolta! Cada uma germinará de acordo com o terreno onde caírem!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A Dispensação do Mistério




A generalidade os estudiosos das escrituras insistem em lavrar em erro na definição que dão ao sentido da “Dispensação da Graça de Deus” e a razão se deve simplesmente ao facto de serem negligentes ao estudo do tema, especialmente no sentido que é dado pelo dispenseiro da mesma graça de Deus, que foi o apóstolo Paulo (Efésios 3:1-3). Outra das causas se deve ao facto de assumirem como definitivo o sentido herdado que tem sido dado à palavra e ao tema sem nenhum questionamento. Por isso, a nossa tarefa neste pequeno estudo começará por desmontar os erros que têm sido cometidos neste tema e coloca-lo definitivamente no lugar que deve ter: o sentido dado pelo seu autor.

I. SUMÁRIO:
Este estudo vai-se desenvolver numa introdução à Dispensação do Mistério e definir o quadro para as seguintes questões: Os tópicos específicos incluirão: (1) Qual é a definição bíblica de uma dispensação. (2) Quais são as dispensações nas Escrituras. (3) Qual é a dispensação do mistério. (4) Quando foi que a dispensação do mistério começou, como é a quem foi revelada? (5) O Conteúdo da Dispensação do Mistério: Os sete UNS de Efésios 4:4-6 como o quadro completo das doutrinas para o Corpo de Cristo. (6) A Dispensação do Mistério e outras Dispensações.

A. Introdução.
B. O que é uma dispensação? Seu uso das Escrituras.
C. Quais são as dispensações nas Escritura?
D. Qual é a dispensação do mistério?
E. Quando é que a dispensação do mistério começou?
F. Os Sete UNS do ser do Corpo de Cristo.



II. INTRODUÇÃO
A. Este estudo destina-se a introduzir e a fundamentar vários outros estudos acerca da mesma matéria. Sem as bases dificilmente o crente chegará à compreensão plena da verdade do Mistério.
B. Nós não seremos capazes de cobrir cada um destes temas em profundidade.
C. Vemos em Efésios 3:9 –
"E para esclarecer tudo acerca da dispensação do mistério, que foi mantida escondida dos séculos em Deus, que criou todas as coisas através de Jesus Cristo" [Texto Grego].
1. Paulo aqui diz que foi a sua divina incumbência de "fazer ver a todos" (esclarecer) o que é a dispensação do mistério [Gr. “photizo” (Strong 5461), “iluminados”, conforme 1:18 e II Timóteo 1:10. Está é a resposta a 1:18]. Sublinhar “a todos”, conforme anteriormente referido: os membros do Corpo, “todos os santos” (Colossenses 1:26, 28), e a “todos (os salvos) que venham ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:4).
2. É lamentável que quando perguntamos à maioria dos cristãos o que é a dispensação do mistério, muito provavelmente obterá uma resposta silenciosa!
3. Várias coisas são relevadas no texto. Paulo afirma que:
a. O tema é a "dispensação do mistério";
b. Sua tarefa é "esclarecer", “trazer à luz”, conforme 1:18, com a ideia de 5:13 a 18.
c. Tem sido mantido escondido durante todas as Eras, que o mundo passou… ou seja, desde a fundação da criação!

“Durante todas as Eras”: “A fórmula ἀπὸ τῶν αἰώνων ocorre no NT apenas aqui e em Colossenses 1:26; as formas ἀπὸ αἰῶνος e ἐκ τοῦ αἰῶνος também ocorrem, o primeiro em Lucas 1:70 e Atos 3:21, e o último em João 9:32. Significa literalmente "dos tempos", "dos períodos mundiais", isto é, desde o início, ou desde que o mundo começou. É distinguido de πρὸ τῶν αἰώνων (I Coríntios 2:7), em que o decreto divino foi formado antes que as eras do mundo começassem; A manutenção desse decreto escondido foi desde que as eras do mundo começaram, ou seja, "desde o início das eras, quando os seres inteligentes de quem poderia ser escondido foram chamados a existir" (Ell – In “Expositor do NT Grego”).
4. Que a dispensação do Mistério, vulgo, a dispensação da graça, foi revelada exclusivamente a Paulo e nunca a outros que eram apóstolos antes dele:
a. Efésios 3:3 diz:
"Como por revelação me foi dado a conhecer [a mim Paulo] o mistério..."
b. Gálatas 1:11-12 diz:
“Mas faço-vos, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Pois eu não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado, mas pela revelação de Jesus Cristo”.
c. Gálatas 2:1-2 diz:
“E catorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios, e mais em particular aos que estavam em destaque, para que de algum modo não estivesse correndo ou não tivesse corrido em vão”.
d. Colossenses 1:25-26 diz:
“Pela qual [Igreja, “corpo de Cristo”] eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi dada para convosco (gentios), para completar a palavra de Deus; o mistério que esteve oculto dos séculos e das gerações, mas que agora foi manifesto aos seus santos” [Texto Grego].
e. Romanos 16:25 diz:
"Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, de acordo com a revelação do mistério, que foi mantido em silêncio desde que o mundo começou..." [Texto Grego]
5. Duas perguntas precisam ser feitas:
a. O que é uma dispensação?
b. O que significa o mistério?



III. O QUE É UMA DISPENSAÇÃO? USOS NAS ESCRITURAS.
A. Termo bíblico: A palavra "dispensação" no português e na versão JFA é a tradução do termo grego oikonomia (Oikonomia), que é a raiz da palavra portuguesa "economia". A palavra grega é uma junção de duas palavras gregas “oiko” (Casa) + “nomo” (Lei). Assim, e literalmente, o sentido da palavra é “LEI DA CASA”. A ideia subjacente à palavra dispensação é a de um lar com uma lei de gestão ou administração familiar. A concordância completa da palavra “oikonomia” (Oikonomia) na família é a seguinte:
1. A forma substantiva “oikonomia” (Oikonomia), i.e., regra doméstica, mordomia, conforme Lucas 16:2, 3, 4; I Coríntios. 9:17; Efésios 1:10, 3:2, 9; Colossenses 1:25; I Timóteo 1:4. Ou seja, as regras, as instruções com que uma casa se gere.
2. A forma substantiva “oikonomo” (Oikonomos), i.e., um mordomo: Lucas 12:42; 16:1, 3, 8; Romanos 16:23; I Coríntios 4:1, 2; Gálatas 4:2; Tito 1:7; I Pedro 4:10. Ou seja, o mordomo, o gestor, aquele que dá instruções ou comunica as instruções superiores para os demais criados ou membros da família.
3. A forma verbal “oikonomew” (Oikonomeo), i.e., governar, gerir, conforme Lucas 16:2. É a gestão propriamente dita.

B. A ideia de uma dispensação é semelhante à de um grupo de pessoas que se organizam para um objetivo. Eles escrevem uma Constituição que, geralmente, contem as regras que regerão essa organização… no nosso caso, o organismo espiritual:
1. Por que a organização existe e seus objetivos – o que corresponde à sua esperança.
2. Quais são os direitos e as obrigações de cada membro – o que corresponde à administração ou a lei das famílias.

C. Pontos de vista erróneos de uma dispensação:
1. Visão Pactual/Convencional: Dispensações = Economia das Alianças. Esta ideia ensina que há apenas duas dispensações ou economias, a aliança antiga e a nova aliança. A Dispensação da Velha Economia = Velha = a velha aliança. E, a dispensação da Nova Economia = Nova Aliança. Com base na ideia equivocada de que a humanidade é homogénea (monolítica) e que cada convénio se aplica uniformemente a todos os homens. Existe um direito / mudança de aliança com a morte de Cristo. Além disso, tanto a velha aliança como a nova aliança foram estabelecidas com a mesma casa, a Casa de Israel! Por isso, não deve ser confundido “dispensação” com “Aliança” /Testamento/ Pacto/Convénio/Etc.
2. Perspetiva Dispensacionalista de Scofield: Segundo esta perspetiva, uma Dispensação é um conjunto de regras durante um determinado período de tempo em que Deus testa o homem. Uma mudança de método de teste inaugura uma nova dispensação, ou uma nova "idade". Toda vez que há a mudança de uma "lei", há uma correspondente mudança de dispensação, independentemente de ser dentro da mesma casa/família. Típico desta perspetiva é o conceito das "sete dispensações" do dispensacionalismo de Scofield. Neste caso, a dispensação quase se torna equivalente a um período de tempo. Essencialmente, todos dispensacionalistas de “Atos 2” assentam a sua visão nesta visão dispensacional. Alguns dispensacionalistas de Meio-Atos também sustentam de alguma forma este ponto de vista, como por exemplo, Cornélios R. Stam (cf. quadro na p. 29 de “Coisas que diferem”). O principal erro desta conceção é construir várias dispensações ou várias regras dentro da mesma família, o que vai contra o sentido etimológico e literal da palavra e contra o sentido que Deus dá às dispensações que instituiu.
3. Nem a Visão Pactual, nem a Perspetiva Scofieldiana são encontradas nas Escrituras. São construções pessoais resultantes de outros erros doutrinários.

D. Ideia Bíblica de Dispensação:
1. Relacionando a posição de esperança e a administração dos eleitos de Deus verificamos que cada indivíduo nos eleitos de Deus é escolhido de forma incondicional, redimido e regenerado para uma família específica e com uma esperança/propósito especifico.
2. A esperança (em grego: “ELPI”) é o objetivo para o qual os membros de cada dispensação olham e esperam.
3. Em relação a cada uma das esperanças em cada dispensação especifica, assenta na soberania de Deus contida na sua salvação. Temos, assim, a imutabilidade das esperanças.
a. Se você determinar a esperança de um indivíduo nas Escrituras, então tem determinado a sua “Casa” ou “Família”.
b. Deus não elege alguém para um agregado familiar, e esse indivíduo diz que a sua esperança é (ou deveria ser) outra, depois de mudar de ideia e aquela pessoa passar a escolher outra “Casa” ou “Família”. Quem escolhe/elege é Deus e não o indivíduo.
c. Este é um aspeto da inseparabilidade doutrinária do Calvinismo e Dispensacionalismo.
d. Teologicamente:
(1) Tal visão seria uma calúnia à veracidade de Deus e faria de Deus um enganador ou joguete desse indivíduo, ou
(2) Negaria a doutrina da eleição de Deus e faria Deus depende da criatura.
e. Prova Bíblica da Imutabilidade das Esperanças:
(1) Estes procedimentos têm por base a soberania de Deus (origem: no ato de escolher) e na Sua fidelidade (Processo: no Ato de realizar/cumprir). O Pai escolheu incondicionalmente, o Filho redimiu incondicionalmente; o Espírito opera a regeneração incondicionalmente nas pessoas em função das suas esperanças específicas.
(2) Hebreus 6:19 diz que a esperança é a âncora da alma: "A qual [esperança] temos como âncora da alma, segura e firme..." Pergunta: Que tipo de âncora é aquela que pode sofrer mutação?
(3) Romanos 11:29 diz que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”.
(4) Hebreus 11:1 diz: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam”. Uma esperança que pode alterar os resultados de uma fé equivocada ou uma falsa fé.
f. Vamos dar um exemplo: o apóstolo Pedro e os doze apóstolos de Israel.
(1) Pergunta: Pedro faz parte do “Corpo de Cristo” (e cuja esperança está no céu) ou mantém-se com uma esperança terrena?
(2) A veracidade de Cristo está em jogo, inclusivamente as doutrinas bíblicas da soberania de Deus na eleição (escolha de Deus de uma pessoa para a salvação numa esperança em particular) e a perseverança dos santos.
(A) Cristo disse aos seus discípulos (dos quais Pedro era um membro) que herdariam Terra (Mateus 5:5, cf. Salmo 37, vv especiais: 9, 11, 18, 22, 28, 29 (a herança: a Terra – É para sempre). Além disso, a Pedro e aos doze foi prometido um cargo de autoridade dirigente sobre as 12 tribos de Israel (Mateus 19:28 e Lucas 22:30).
(B) Cristo não poderia enganar os seus ouvintes. Como tal, não poderia ser enganador de Pedro. Os seus discípulos acreditavam na esperança que Cristo lhes transmitia, baseado nas Escrituras proféticas que lhes ensinava.
(C) Pedro acreditava e esperava nisso, incondicionalmente (II Pedro 1:19; 3:13).
(D) Pedro foi salvo. Pedro foi eleito por Deus para essa esperança, e estava perfeita e eternamente seguro nessa esperança.
(E) A Nova Jerusalém, que será a cidade que governará o mundo no período messiânico, está assente em doze fundamentos, que são os doze apóstolos (Apocalipse 21:14). Ora, não fazia sentido se os apóstolos não fizessem parte dessa esperança e propósito.
(F) Conclusão: a esperança de Pedro e dos doze apóstolos de Israel é para habitar eternamente numa terra restaurada. A esperança de Pedro não era/é no céu. Pedro não é um membro do Corpo de Cristo.
4. Olhemos para as esperanças nas Escrituras e identifiquemos as respetivas famílias / Casas (as Dispensações).
5. Outro princípio: O canal de bênção na ordem administrativa estabelecida por Deus vai desde a posição mais alta na hierarquia administrativa até à posição mais inferior. Hebreus 7:7 estabelece esse princípio: “o menor recebe a bênção do maior”. O papel dos anjos em relação aos eleitos humanos de Deus no programa terreno, é uma questão fundamental na sua relação administrativa das dispensações. A esperança do “Corpo” recebeu a sua bênção pela Sua “Cabeça”, Cristo (Efésios 1:3); Por sua vez, o “Corpo” será o canal de bênção para os anjos (Efésios 3:10 com 2:7-10); mas, Israel foi e será eternamente dependente da bênção dos anjos (Hebreus 1:14; Atos 7:53). Por sua vez, as nações serão abençoadas pela instrumentalidade de Israel (Apocalipse 21:24, 26; Génesis 12:1-3; Isaías 54:3; Capítulo 60; Romanos 11:12).

E. Em suma: uma dispensação é o diploma legal que contém as regras instituídas por Deus para regular uma casa/família ou povo.
1. No caso da Igreja “Corpo de Cristo”, a “Casa de Deus” (I Timóteo 3:14-15) ou a “morada espiritual de Deus” (Efésios 2:18-21), as regras que regulam o seu nascimento, crescimento, fortalecimento, propósito e funções é chamada de “Dispensação de Deus” (Colossenses 1:25 – A Fonte), de “Dispensação do Mistério” (Efésios 3:9 – A Natureza), “Dispensação da Graça” (Efésios 3:2 – Base), e “Dispensação da Plenitude dos Tempos” (Efésios 1:10 – O propósito), e corresponde a todo o ensino, as diretivas e as regras que regulam a sua organização e funcionamento.
2. Paulo é o mordomo desta casa, como ele diz, que foi constituído por Deus como o dispenseiro dos mistérios de Deus. Ele, como mordomo desta casa espiritual de Deus, recebeu as instruções diretamente de Deus, através do Senhor Jesus Cristo, para o comunicar aos membros do “Corpo de Cristo” (I Corintos 4:1-2).
3. Paulo, à semelhança de Moisés e de Davi, recebeu o modelo da “casa de Deus”. Moisés recebeu o modelo do tabernáculo (Êxodo 25:9, 40; 26:30 e Hebreus 8:5); Davi recebeu o modelo da construção do templo, que o entregou a Salomão, para o edificar (I Crónicas 28:11-19; Paulo, como sábio arquiteto da parte de Deus, recebeu o modelo desta nova obra de Deus para colocar os fundamentos e instituiu ou estabeleceu as regras que haveriam de regimentar a casa (I Corintos 3:10). Por isso, ele diz a Timóteo:

«Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus» (2 Timóteo 1:13).

E:

«Escrevo-te... para que saibas como convém andar na casa de Deus...» (I Timóteo 3:15).

4. Por isso, “dispensação” não se refere a qualquer período de tempo (longe disso), que coincida ou não com algum pacto ou aliança de Deus com o homem, mas às regras instituídas por Deus para uma determinada família, casa ou povo. Até, porque, uma dispensação poderá estar a funcionar em simultâneo, como acontecerá no Reino Milenial e na "Dispensação da Plenitude dos Tempos", em que todas as dispensações estarão em funcionamento, mesmo a dos anjos: A Igreja “Corpo de Cristo” estará em funções de acordo com as suas regras, ou seja, de acordo com a sua dispensação; os anjos estarão em funcionamento segundo regras próprias, não aplicáveis a mais nenhum outro grupo; a nação de Israel estará a funcionar segundo regras próprias, a “dispensação da casa de Israel”; e, os gentios/nações/povos, estarão a viver segundo as suas próprias regras: a dispensação dos gentios. Neste caso, a base será a mesma que esteve em vigor nos dias de Adão até à torre de babel e descritas no Livro de Job.

E. Exemplos bíblicos:
1. Acontece que há três dispensações (famílias humanas) na Escritura (Cf. Mapa Anexo)
a. A Dispensação dos Gentios: a esperança está na terra.
b. A Dispensação de Israel: a esperança está na terra. E,
c. A Dispensação do Corpo de Cristo: esperança está no céu.
Neste sentido Paulo faz a mesma divisão:
«Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus…» (I Coríntios 10:32)

2. A Dispensação dos Gentios:
a. A dispensação dos gentios começou com a criação de Adão.
b. As porções das Escrituras que descrevem a administração dos gentios (quando Israel ainda não existia) está em Génesis 1-11 e Job. Podemos dizer que é na revolta da cidade de Babel que Deus corta com as gentes/nações/povos e escolheu um único povo/nação para dar continuidade ao seu propósito terreno. A partir de Abraão temos o início da nova casa/família.
c. Enfatizamos que, numa primeira fase, e neste momento até ao “corte dos gentios”, não havia qualquer distinção entre os homens/povos/nações. Todos os homens eram iguais e equivalentes perante Deus, administrativamente. Até ali eram todos uma identidade administrativa, uma regra para todos, uma dispensação comum: um povo, uma língua, uma identidade, uma regra e, por isso, UMA DISPENSAÇÃO. Mas, quando usaram isso para convergir forças para se oporem a Deus, foram confundidos e dispersos pela terra. Daí a expressão que passou a ser aplicada aos que não eram hebreus: GENTIOS.
d. A partir da chamada de Abraão de entre os gentios, Deus dá início a uma nova família humana que passa a estar condicionada à sua própria dispensação: A DISPENSAÇÃO DE ISRAEL, ou seja, esta família/casa fica a estar dependentes da lei da casa (dispensação) de Israel e da sua administração. Israel não estava dependente das regras que geriam os gentios, mas das suas próprias regras, impostas pelo próprio Deus. Por outro lado, as regras ou a dispensação de Israel não veio alterar ou suspender as regras dos gentios, pois elas continuaram sendo aplicadas aos mesmos, como o serão sempre: As regras ou a dispensação dos gentios serão sempre suas e aplicadas restritivamente a eles, somente. Vemos claramente na argumentação do apóstolo Paulo em Romanos 2 como os gentios serão salvos ou condenados sem a lei de Israel, mas cumprindo ou não a lei de Deus nos seus corações/mentes!
e. Qual é a esperança dos gentios? Uma pessoa salva neste período dispensacional tem como elemento base a sua esperança, que assenta, essencialmente, na fé às palavras de Deus que lhes fora dirigida, e podemos resumi-las no seguinte:
(1) Encher a terra (Génesis 1:26-28; 3:16-19; 9:1).
(2) Os justos [gentios] serem servos dos justos [judeus] (Isaías 14:1-3).
(3) Os justos [gentios] estão sob a autoridade de Israel económica, religiosa e politicamente (Isaías 2:1-3; 60:1-16; Zacarias 8:13, 22, 23; Apocalipse 21:24-27).
(4) Para passar a eternidade (vida eterna) em uma terra perfeita e justa (Job 14:12-15; 19:25-27; Apocalipse 21:24-27). Nota: Job esperava ser ressuscitado quando? Ver: Job 14:12-15, quando os céus e a terra não serão mais como está, ou seja, após o milênio.
3. A Dispensação de Israel:
a. Iniciada na chamada de Abrão. Neste ponto, Deus fez dividiu a humanidade em "duas". Este é um ponto importante. Devemos ter em mente que agora existem numericamente dois grupos distintos de homens/famílias. Deus está agora a lidar com o homem na base da distinção entre a circuncisão e a incircuncisão. Deste ponto em diante, todas as profecias falam da salvação dos gentios através de Israel. Veremos mais adiante que, em contraste com este propósito, o "mistério" é a formação de um só corpo pela remoção desta distinção.
b. Algumas características da dispensação (circuncisão) de Israel:
(1) Abrão foi chamado por Deus, que lhe mudou o nome para Abraão (Génesis 2:1-3).
(2) Deus deu-lhe o sinal da circuncisão (Génesis 17:9-14).
(3) Israel (os da circuncisão) são o canal de bênção para o resto da humanidade (os da incircuncisão). Génesis 12:3 diz: “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”; e: 7 “em ti todas as famílias da terra serão abençoadas”. Os da incircuncisão manifestam a sua salvação através do reconhecimento de posição especial dos judeus como mestres e como canal de bênção.
(4) A promessa de Deus a Abraão e aos seus descendentes consiste numa localização geográfica específica (Terra de Canaã) sobre a terra, como a sua morada eterna (Génesis 17:8). A esperança de Abraão e da sua descendência não é o céu. Esta promessa de Deus a Abração e à sua posteridade é incondicional, absolutamente segura para a eleição de Israel.
c. A partir da chamada de Abraão em diante, os gentios são vistos em relação à subordinação administrativa de Israel. Todas as profecias sobre o reino eterno de Israel visualizam os gentios salvos em uma posição de subordinação a Israel. Os gentios são vistos como sendo abençoados com a elevação de Israel.
d. Qual é a esperança de Israel? Uma pessoa salva na dispensação judaica tem como elementos de sua esperança os seguintes pontos:
(1) Os Israelitas nascidos de novo (judeus espiritualmente) possuem gentios nascidos de novo:
(A) Pessoalmente os judeus serão “senhores/mestres” dos gentios (Isaías 14:1-3).
(B) No plano político os judeus serão os líderes das nações/suprema: Amos 9:9-12; Isaías 60:1-16; Isaías 19:23-25; Joel 3:1. Os crentes judeus vitoriosos governarão nas suas cidades (Lucas 19:17-19), conforme Isaías 54:3.
(C) Espiritualmente, como nação / profético, será uma nação sacerdotal. Os judeus ensinarão a Palavra de Deus aos gentios e farão os sacrifícios para os gentios. Serão o elo de ligação dos gentios e Deus (Isaías 2:1-3; 19:23-25; Romanos 11:24-26; Zacarias 8:3, 13, 22, 23; 14:16-19; Génesis 12:3; 18:18, 22:17-18; 26:4; 28:14; Êxodo 19:5, 6; Ezequiel 40-46. Ver a Nova Jerusalém que tem doze portas, que são as doze tribos de Israel (Apocalipse 21:12).
(2) Sobre a Terra: Ressuscitarão depois de cumpridas os 70 sábados de Daniel (antes do milênio): ver acima Escrituras, além de Génesis 17:8; II Samuel 7:16; Job 19:25-26; Isaías 9:6-7; Jeremias 23:5-6; Salmo 25:13; 37:9, 11, 18, 22, 28, 29 (cf. Mateus 5:5); Ezequiel 37:21-22; Salmo 101:8; Ezequiel 47:13-48:35; Daniel 2:35, 44; 7:14; 12:11-13.
(3) Em perfeita e justamente subjugação aos santos Anjos eleitos de Deus.
4. A Dispensação do Corpo de Cristo:
É o assunto do grande mistério revelado a Paulo (Ver adiante: “O Mistério”).
a. A dispensação do “Corpo de Cristo” foi iniciada com a chamada de Saulo de Tarso (Atos 9).
b. Qual é a esperança do “Corpo de Cristo”? Assentado conjuntamente com e em Cristo (Assim no grego em Efésios 2:6) reinando sobre os anjos. Ressuscitado, ascendido e glorificado no “Trono de Deus” com Cristo acima nos “epi-céus” em “Christus”, antes de ser iniciado o último Sábado dos 70 Sábados da Profecia de Daniel capítulo 9.
5. Resumo das Dispensações: A hierarquia administrativa completa dos eleitos de Deus:






IV. QUAL É A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO?
Textos:
A. Romanos 16:25-26; Efésios 3:3-9 (cf. Efésios 2:11-16; Colossenses 2:11-18); Colossenses 1:23-28; Gálatas 1:8-12; 2:1-2; Efésios 4:4-6.

B. Temos visto o que significa uma dispensação. Vamos agora analisar o seu sentido com a palavra "mistério".
1. A palavra grega não significa algo "misterioso", “desconcertante” ou “difícil de entender”.
2. A palavra tem dois significados, o segundo, que é derivado do primeiro.
a. O principal significado, é algo que é desconhecido a menos que seja revelado. Assim, a ideia básica é de um "segredo". Um segredo que é compreensível, mas desconhecido a menos que alguém diga ou revele o seu segredo. Um mistério no seu uso bíblico é algo não revelado, mas quando é revelado o mistério é cognoscível. Exemplos:
(1) Os segredos do Reino de Israel: Mateus 13:11; Marcos 4:11; Lucas 8:10.
(2) A Dispensação do Mistério/Segredo (Corpo de Cristo) revelado a Paulo: Romanos 11:25 e 16:25; I aos Coríntios 15:51; Efésios 3:3, 4, 9; Colossenses 1:26, 27.
(3) Estas referências mostram que absolutamente nenhuma noção de ambiguidade está implícito na palavra “Mysterion”.
b. Um segundo significado do termo “mysterion” é um "símbolo". O símbolo é compreensível, mas precisa ser revelado para a importância simbólica ser conhecida. Exemplos: Revelação 1:20; 17:5, 7.
3. Os usos bíblicos confirmam isso: Em cada um desses casos, o mistério é algo desconhecido até ser revelado.
a. Romanos 16:25. Essa passagem é uma das mais claras.
(1) O texto grego: "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho, e a pregação de Jesus Cristo, segundo a revelação do mistério mantido oculto durante os tempos das eras".
(2) Paulo chama este mistério/segredo de sua "boa notícia" (o evangelho).
(3) A passagem usa duas palavras para enfatizar o facto de que o evangelho de Paulo era completamente desconhecido, não revelado de forma alguma nas Escrituras Hebraicas: "O segredo mantido oculto".
b. Efésios 3, diz: "… 3Como por revelação me foi dado a conhecer a mim o mistério; … 4(como antes eu escrevi em poucas palavras, pelo qual, quando ledes, podeis entender a minha compreensão do mistério de Cristo) ... 9 E demonstrar a todos qual é a dispensação do mistério, que desde o 10 início dos séculos esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas através de Jesus Cristo:
c. Colossenses 1: "25 Da qual [Igreja] estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me é dado para vós, para cumprir a palavra de Deus; 26 o mistério que esteve oculto nas eras e das gerações, mas agora foi manifesto aos seus santos…"

C. Características da Dispensação do Mistério:
1. Foi um segredo realizado em silêncio: Romanos 11:25; 16:25, 26; I Coríntios 15:51; Efésios 3:3, 4, 9; Colossenses 1:26, 27.
2. O "mistério" não é a salvação dos gentios. A salvação dos gentios é conhecida em todas as Escrituras. Os Gentios, na dispensação anterior, eram salvos por confessar a sua submissão a Israel, com todas as suas inerentes condicionantes. E, embora os gentios fossem salvos, não eram iguais administrativamente aos judeus. Exemplos:
a. Os Ninivitas no livro de Jonas: receberam a salvação através do ministério de Jonas.
b. Mateus 15:26-28. Cristo sustenta a distinção entre judeus e gentios (v. 26, Cristo responde aos argumentos da mulher com: “... Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. Os filhos são os da circuncisão. Os cachorrinhos são os da incircuncisão.) A mulher cananeia confessa que é como um “cachorrinho” em relação a Israel e, em seguida ela recebe a bênção.
3. O mistério consiste em retirar de entre os judeus e dos gentios seres humanos e fazer deles uma nova criação em Cristo glorificado, como cabeça da Igreja “Corpo de Cristo”. Podemos dizer que, enquanto humanos são judeus e/ou gentios, mas, no propósito de Deus, são “uma nova criação”, ao fazerem parte do “Corpo de Cristo” glorificado:
a. Efésios 3:6, 7 diz: "Que os gentios são co-herdeiros e cos membros do mesmo corpo e coparticipantes da mesma promessa em Cristo, pelo evangelho, do qual fui feito ministro..." (Texto grego).
b. Efésios 2:11-16:
(1) A parede de separação é a divisão entre judeus e gentios, entre a circuncisão e a incircuncisão;
(2) A parede de separação assentava nas ordenanças que fazia uma distinção entre a circuncisão e a incircuncisão e criava uma "Alienação" propriamente dita ou "inimizade".
(3) A parede de separação foi removida, fazendo a paz entre estas duas famílias.
(4) Os judeus estavam perto de Deus (a nação agora favorecida); os gentios estavam longe e separados…
(5) Como resultado da remoção do muro de separação, os dois povos foram feitos um.
c. No programa profético os gentios serão abençoados pelos judeus. Os gentios receberão o ensino dos estatutos de Deus por meio dos judeus. Ou seja, os gentios serão abençoados com a elevação ou engrandecimento de Israel.
d. No “Corpo de Cristo”, todos os povos (indivíduos) são iguais. Os “Gentios” agora têm a oportunidade de serem abençoados com a queda de Israel. O registo da queda de Israel e da transição para o Corpo de Cristo é feito no livro de Atos. Não esquecer que o relato da epístola chamada de “Atos dos Apóstolos” é uma perspetiva humana e não a revelação do processo de alteração dos programas de Deus como foi revelado a Paulo e por Paulo, como o despenseiro do Grande Mistério de Deus; Além disso, Atos foi escrito por um judeu e para os judeus, na espectativa do reatamento da Profecia em seus dias (antes de Paulo chegar a Roma). Atos, à semelhança das epístolas judaicas, designadamente de Hebreus, Tiago, Pedro, João e Judas, está direcionado para os crentes da grande tribulação, ou seja, que viverão no 70º Sábado de anos da profecia de Daniel 9. Esses crentes viverão os dias de Atos no inverso: serão judeus nascidos no período da graça, mas que se converterão após o arrebatamento da Igreja “Corpo de Cristo” com o evangelho do Reino (Apocalipse 7) e reatarão o programa Profético de início de Atos.
4. Dispensação do Mistério revelado e entregue a Paulo completa a palavra de Deus (Colossenses 1:26-27);
5. A dispensação do Mistério foi revelada exclusivamente a Paulo (Gálatas 1 e 2: Efésios 3:1-5,9; Colossenses 1: 26, 27) e, depois, por ele, aos seus colaboradores, que trataram de o divulgar no meio do povo de Deus… porque é uma revelação restrita aos santos.
6. Esperança do Corpo será concretizado eternamente (nas Eras futuras) no céu e não na terra (Efésios 2:6; Filipenses 3:20 e Colossenses 1:5).
7. Entramos na nossa esperança no "arrebatamento" antes do septuagésimo sábado de Daniel 9 (I Tessalonicenses 4:13 - 5:11; II Tessalonicenses. 2:1-12).
8. Os Princípios Administrativos:
a. O Corpo de Cristo reina sobre os anjos (I Coríntios 6:3; Efésios 2:6; Efésios 5:5; I Coríntios 6:9; Colossenses 1:13; II Timóteo 2:12; 4:18).
b. O Corpo de Cristo não é cerimonial: a obra de Cristo na cruz para o Corpo aboliu a distinção judeu-gentio, os decretos relacionados e as cerimônias. O Corpo de Cristo está completo em Cristo para além de todas as observâncias cerimoniais (Efésios 2:14-16; 4:5; Colossenses 2:10,14,18; Gálatas 4:8-9).
c. Por isso, a vida dos membros do “Corpo de Cristo” deve ser igual, neste aspeto, como a que Cristo vive na glória: Romanos 14:17 – justiça, paz e alegria; Conforme Efésios 1:4, 4:24 e 5:27 – “Santa e Irrepreensível”; Efésios 4:1-4 e 32: «com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor…»; «Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou»; Colossenses 3: «12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. 13Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; 14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. 15 Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos». Ou seja, nada de cerimónias ou formalismos, mas em liberdade e moralidade espiritual, revelando o aspeto espiritual de Cristo como está na glória e como nos apresentará na glória!


V. QUANDO COMEÇOU A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO?
A. Salientamos a referência feita à “Imutabilidade das Esperanças”. A dispensação do Mistério” não começou em Atos 2. A Igreja, o Corpo de Cristo, não poderia ter iniciado em pleno funcionamento do programa profético e em que estavam a decorrer o cumprimento das profecias (Atos 2:16 e seguintes). Se assim fosse teríamos Pedro, com uma esperança terrena sendo feito um membro do Corpo, que tem uma esperança celestial. Isso estaria contra o que Pedro afirmou (II Pedro 1:19 e 3:13), mesmo depois de ter conhecimento da revelação da dispensação do Mistério revelado a Paulo (II Pedro 3:15-16).

B. Os acontecimentos descritos em Atos 2 são o cumprimento das profecias destinadas a Israel e para Israel.
1. Enquanto não há um Estado de Israel, há uma distinção entre judeus e gentios, portanto, não poderia existir um “Corpo de Cristo” místico sem esta distinção. Portanto, Atos 2 não é o nascimento da igreja “Corpo de Cristo”.
2. Os eventos descritos em Atos 2 são assunto da profecia:
a. Atos 3:21 diz: "A quem o céu retém até aos tempos da restauração de todas as coisas, que Deus tem falado pela boca dos seus santos profetas, desde que o mundo começou".
b. Atos 3:24 diz: "Sim, e todos os profetas, desde Samuel e os que lhe sucederam, quantos têm falado, os mesmos predisseram estes dias".
3. O “Mistério” foi realizado em silêncio absoluto desde que o mundo começou. Romanos 16:25 diz: "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, segundo a revelação do mistério, que foi mantido em silêncio desde o começo do mundo... " [Texto Grego].
4. Resumo: Os eventos descritos de Atos 2 a 9 não estão relacionadas com a dispensação do mistério. O que foi dito ali nada tem a ver com o que foi realizado em silêncio… pois o que ali se diz é que se estavam a viver dias que foram total e claramente revelados pelos antigos profetas.

C. A dispensação do mistério terá começado com o aparecimento / manifestação / revelação do Senhor glorificado a Paulo (Historicamente = Atos 9; formalmente = II Timóteo 1: 10-11; I Timóteo 1: 9-16).
1. As epístolas de Paulo contêm a nova lei, a “Dispensação”, as regras de funcionamento e relacionamento do Corpo de Cristo, a “lei de Cristo” (Romanos 3:37; 8:2; I Coríntios 9:21).
2. Tudo antes da manifestação do Senhor glorificado a Paulo ainda é a dispensação de judeus e gentios, ainda o programa da nação de Israel estava em vigor e havia distinção entre judeus e gentios.
a. Todos os eventos nos Evangelhos e em Atos 2 até Atos 9 são relatos de vivências do programa de Deus para Judeus e Gentios, e não há “Dispensação do Mistério”. Atos 1:4-9 diz que o programa do reino de Israel ainda estava em execução.
b. Em Romanos 15: 8 diz que “Cristo foi ministro da circuncisão por causa da verdade de Deus para confirmar as promessas feitas aos pais”. Assim, todos os eventos nos evangelhos são do programa messiânico e não “Dispensação do Mistério”. Isso inclui Mateus 28:18-20; Marcos 16:15-20.
A chamada "Grande Comissão" e todos os seus comandos são para os doze apóstolos de Israel. É a comissão do Reino messiânico.
c. A "Grande Comissão Messiânica" (Mateus 28:18-20 e Marcos 16:15-20) não é a comissão do “Corpo de Cristo”. A "Grande Comissão Messiânica" não contém as últimas palavras de Cristo. Cristo falou novamente do céu a Paulo e revelou-lhe qual a “Dispensação do Mistério”. A nossa comissão é acompanhar Paulo, obedecendo às palavras que Cristo lhe confiou para nos revelar e que estão reproduzidas nas suas epístolas. A nossa dispensação (lei doméstica ou lei familiar) interrompeu as dispensas anteriores (famílias) e seu desenvolvimento temporal, porque parou o relógio terreno/histórico/profético do mundo. O que Deus está a operar neste momento é atemporal, é da ordem de uma esfera “ETERNA”, supra-celestial, no grego “epouranios” “EPI + OURANOS”, ou seja, epi-céus, ou supra céus… para além dos céus.

D. Explicação Cronologia dos 70 Sábados de Anos de Daniel 9:
1. É verdade e evidente que a nossa dispensação ocupa a diferença cronológica ou o lapso temporal entre os sábados 69º e 70º de Daniel.
2. Mas, a existência de lacuna no último sábado de anos pode ser inteiramente compreendida em termos judaicos, especialmente quando observamos os sábados são reconhecidos no ano sabático, ou seja, as semanas são observâncias cerimoniais de Israel. Se não houver Israel como um povo distinto, em seguida, o "relógio" não pode marcar o tempo.
3. Assim, a lacuna no registro profético para Israel não fornece pistas sobre a dispensação do mistério. A dispensação do mistério foi realizada em total silêncio, conforme dito em Romanos 16:25, até que foi revelado a Paulo. 14
4. E, se duvidas houvesse da existência desse lapso de tempo ou de que o programa profético messiânico está suspenso, João no seu apocalipse diz que falta precisamente sete anos, ou 42 meses e mil duzentos e sessenta dias, e tempo, tempos e metade de um tempo para que a Profecia tenha cumprimentos, ou seja, com a vinda do Rei dos Reis e do Senhor dos Senhores (Apocalipse 11:2; 13:5; 12:14; 11:3; 12:6; Daniel 12:7, 11 e 12).
5. Os textos são claros, mas muitos há que não compreenderão nem aceitarão. Já dizia o anjo a Daniel: «Nenhum dos impios entenderá; mas os sábios entenderão!» (v. 10).



VI. O CONTEÚDO DA “DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO” OU “OS SETE “UNS” DO CORPO DE CRISTO”.
A. Efésios 4: 4-6 diz:
3Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”.

B. E, a unidade espiritual do Corpo consiste em:
4Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; 5 um só Senhor, uma só fé, um só batismo; 6 um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”.

C. Os sete UNS do Corpo contrasta com os “Sete Múltiplos” das dispensações anteriores:
1. Os “muitos” dos sete da dispensação judaica têm referências em quaisquer textos fora das epístolas de Paulo, tanto no "Antigo Testamento" como no "Novo Testamento". No entanto, há mais indicadores do carácter distintivo do evangelho de Paulo.
2. Um Corpo Vs Muitos Corpos: Em contraste com a revelação do Mistério, a revelação messiânica não se trata de um corpo, mas dois corpos: judeus e gentios. Mas, no Mistério os dois corpos foram feitos um, deixando de haver a distinção étnica.
3. Um Espírito Vs Muitos Espíritos: No “Corpo de Cristo” há um só Espírito, é o “Espírito” de Deus, que faz a ligação direta de Deus a cada um dos membros do Corpo, desde o ato de crer até ao clique da ressurreição (Efésios 1:13-14; 4:30). Mas, em contraste com o “Corpo”, no Reino o programa messiânico é executado através de muitos espíritos, ou seja, através dos anjos eleitos de Deus. Verificamos, por isso, nas escrituras proféticas passadas e para o futuro que a realização da esperança de Israel será através do ministério dos anjos eleitos de Deus.
a. Os anjos são espíritos, referido, por exemplo, em Hebreus 1:13-14.
b. A Administração dos decretos e revelações de Deus foram transmitidos a Israel através dos anjos eleitos de Deus (Atos 7:53; Gálatas 3:19; Apocalipse 1:1, 20; 21:9);
c. As vitórias de Deus para Israel passarão pela intervenção dos anjos eleitos de Deus (Apocalipse 7);
d. Na futura cidade santa o acesso dos gentios passará pela “porta dos anjos” (Apocalipse 21:12);
e. É importante verificar que na experiência do apóstolo Paulo ele recorre a Deus e ao Espírito de Deus para ajudar nas suas fraquezas e não aos anjos/espíritos ministradores (Romanos 8:26-28);
f. Paulo fala de um só mediador entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5), que contrasta com as dispensações proféticas que tinham muitos mediadores, tutores e curadores (Gálatas 4:2; Hebreus 7:23).
4. Uma Esperança/Muitas Esperanças: Na dispensação do Mistério há uma só esperança: a celestial. Mas, nas dispensações proféticas há mais que uma esperança: a esperança dos judeus – de Israel – e a esperança dos gentios. Para mais detalhes ver os gráficos abaixo.
a. A esperança dos gentios é a vida eterna na terra, tendo domínio sobre a terra na apresentação como servos de Israel.
b. A esperança dos judeus é a vida eterna na terra, que regem as nações em submissão às hostes angelicais.
5. Um Senhor/Muitos Senhores: Israel tinha muitos mediadores e senhores. As hostes angélicas são mediadores de Israel. Como Israel tinha muitos senhores, deuses e espíritos, como são designados em toda a Escritura.
a. Resumo: Só o Senhor é Deus por natureza. Quando a Escritura chama a seres criados "deuses" isso significa que eles são "deuses" por comissão, ou seja, nas funções que desempenham e posição que ocupam. É indiscutível que as Escrituras se referem aos seres criados como "deuses".
(1) João 10:34-36 diz: "Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses. Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser quebrado..."
(2) Moisés é colocado como "deus" diante de Faraó (Êxodo 7:1).
(3) I aos Coríntios 8: 5-6 reconhece a existência de vários senhores e deuses!
(4) Hebreus 2:7 (uma citação de Salmo 8: 5, que no texto hebraico se lê: "um pouco menor do que os deuses" (grego dos LXX, o Salmo 8: 5 traduz: "anjos").
b. Jeová é o "Deus dos deuses", e "Senhor dos senhores", ou seja, Ele é o Deus dos anjos. Ele é o Senhor dos anjos.
c. Os anjos são espíritos, referido, por exemplo, em Hebreus 1:13,14.
d. Há muitos textos onde referem que os anjos são designados e chamado de "senhores" (Daniel 10: 16, 17, 19; 12:8; Zacarias 6: 4).
6. Uma Fé/Muitas Fés (doutrina e prática, não ato de crer, mas o que se acredita): A fé dos gentios e a fé judaica. Todas as seguintes características são continuadas e praticadas em todo livro de Atos pelos judeus e gentios convertidos no período do programa messiânico.
a. A fé dos Gentios (doutrina e prática) inclui:
(1) Sacrifícios (feita através da mediação dos sacerdotes judeus).
(2) Apresentação fiel aos judeus (reconhecimento, submissão e confissão das condições da aliança com Abraão).
(A) Observem que essa apresentação a Israel foi vocalizada pela mulher cananeia a Cristo, e que foi manifestado na sua regeneração. Essa foi a confissão da sua fé gentílica messiânica.
(B) Além disso, Cristo tratou com ela na base da distinção entre judeus (filhos / senhores) e os gentios ("cachorros"), cf. Mateus 15:26-28.
(3) Regras Alimentares (Segundo Génesis 9:3-4, todos os animais são permitidos para alimentos, mas o animal deve morrer por sangramento, não de forma de estrangulamento, pois não são permitidas. Nota: Tiago aplica essa lei para os gentios em Atos 15 (Atos 15:29), no concilio de Jerusalém. Paulo, depois ignora-o para os gentios no seu programa (Gálatas 2:10 e em Colossenses 2).
(4) A fé em Cristo como Redentor.
(5) O batismo com água no programa messiânico.
b. A fé judaica (doutrina e prática) inclui:
(1) A circuncisão;
(2) Os sacrifícios;
(3) O sacerdócio exclusivo (dentro de Israel havia um sacerdócio exclusivo e, além disso, todo judeu é sacerdote para os gentios). Por isso é que Israel é chamada de “Nação Sacerdotal”, face ao seu ministério para com os gentios/Nações.
(4) Os regulamentos dietéticos (alimentos proibidos, "kosher", preparação, tipo “preparação da páscoa”);
(5) Dias sagrados de sábados, dias de festas, luas novas (observância de dias, meses e anos);
(6) As festas (Páscoa, Asmos, Primícias, Pentecostes, etc., etc.)
(7) Os batismos ou lavagens diversas sagradas, incluindo o batismo messiânico e o batismo de arrependimento / batismo para perdão de pecados;
(8) A fé em Cristo como Redentor, etc.
c. Claro que nos tempos passados havia dois tipos de fé; agora há um só corpo de doutrina (Romanos 6:17; Gálatas 3:25; Efésios 4:13; Colossenses 1:23; I Timóteo 1:19; 3:9).
7. Um Batismo/Muitos batismos: Hebreus 6:1-2 fala da “doutrina dos batismos” ou lavagens. De facto, o programa messiânico estava cheio de batismos e de lavagens:
a. O batismo interior (regeneração).
b. Os diversos batismos da lei mosaica (Hebreus 9: 10). Vejamos alguns dos batismos de Moisés:
(1) Identificação com o sacerdócio: a indução (Êxodo 30:17-21; 40:12; Levítico 8: 6).
(2) As lavagens contínuas das mãos e dos pés dos sacerdotes, antes do ministério sacerdotal (Êxodo 30: 18-21; 40: 30-32).
(3) Os batismos do Dia da Expiação (diversas lavagens – Levítico 16: 4, 24, 26, 29).
(4) Os batismos das Casa (Levítico 14:48-53).
(5) Os batismos dietéticos (dos alimentos – Levítico 11:23-28; 17:23-28; 22: 6; Hebreus 9:10).
c. O batismo de Israel em Moisés (Libertação do Egipto – I Coríntios 10: 2).
d. Os batismos Carismáticos [João 20:23; Atos 2:4 (cf. Atos 1:15; Lucas 24: 49); Atos 2:37-38; Marcos 16:17, etc.].
e. O batismo messiânico com água (batismo de arrependimento para remissão dos pecados) começou com João Batista, para manifestar o Messias a Israel, chamando-os ao arrependimento (João 1:25,31; João 4:1,2; Mateus 28:19,20; Marcos 1:3; Lucas 3:3 (cf. Mateus 2:6,11 e Atos 13:24); Mateus 21:25-27; Marcos 16:16; Lucas 7:30; I Pedro 3:21; Atos 2:37-38).
f. Atos 2:38 é uma passagem chave que conjuga três destes muitos batismos praticados por Israel. O batismo Interior (implícito, uma vez que se trata das questões do arrependimento para regeneração), o batismo messiânico para remissão de pecados e, finalmente, a experiência do batismo do espírito carismático nos sinais milagrosos. Todos os três estão necessariamente unidos no programa messiânico (Marcos 16:16-18; I Pedro 3:21; etc.)
8. Um Deus/muitos Deuses. Ver ponto 5, supra.

D. A unidade essencial do corpo é que é numericamente uma singularidade em cada uma dessas sete áreas, que está, por sua vez, assente no facto de que o “Corpo” tem apenas UMA UNIDADE em cada uma das suas sete áreas espirituais fundamentais – áreas em cada um dos quais o Reino de Israel tem muitos.
1. O facto de cada um é numericamente enfatizada por:
a. Contrasta com o que Paulo refere ter sido desfeito com a obra de Cristo para o “Corpo”: desfez os dois numericamente (o "dois", "o muro de separação") das dispensações anteriores. Israel estava "perto", os gentios estavam "longe":



b. E o organismo do “Corpo” é numericamente uma unidade ("Corpo", "Um novo homem"):

  


E. Os Sete UNS são NOSSA FÉ, Corpo de Doutrina:
1. Eles descrevem os aspetos fundamentais da salvação do “Corpo”, a sua esperança, a posição, a doutrina e a sua unidade essencial. O que poderia ser acrescentado mais à FÉ?
2. A unidade do Corpo está baseada na sua unidade essencial (versículo 3 de Efésios 4), que por sua vez, está baseada nos SETE UNS. Somos obrigados por instruções de Paulo a “esforçarmo-nos em preservar esta unidade essencial”, entre os membros, que é a “paz da obra de Cristo” (Efésios 4:3, conforme 2:13-17), segundo a revelação da unidade da fé (Efésios 4:13). Ver, ainda, Efésios 3:8 e I Coríntios 11: 1.
3. Os sete UNS compõem a unidade doutrinal do Corpo a que somos ordenados a guarda ou manter inalterado, genuíno como foi revelado ao apóstolo Paulo e como ele nos transmitiu. As outras dispensações têm a sua unidade doutrinária também, mas essas não são a nossa unidade doutrinária.
4. Efésios 4:3 diz: “Esforçai-vos (apressai-vos/diligenciai) a manter a unidade do espírito pelos tendões / ligamentos da paz". [Texto grego]. "A paz" é o artigo de referência anterior e remete para a paz de Efésios 2:11-16.
F. Os Sete UNS como referencia doutrinária completa para o “Corpo”.
1. Corpo não tem divisões étnicas qualquer, ou seja, o UM CORPO é completamente não-étnico (este é o ponto de Paulo em Efésios 2:11-16), pelo que é:
a. de uma doutrina e regra de fé, ou seja, de uma fé.
b. de uma única esperança, que é celestial e não terrestre.
2. Os sete UNS são a única fé do “CORPO”. Mesmo sendo um conjunto de doutrinas para ser confiadas e guardadas por todos os membros do um só corpo.
a. Paulo diz que todos devemos chegar à unidade da fé (Efésios 4:13,14). É essa a meta estabelecida por Deus para todos os santos (Colossenses 1:26 e 29; Efésios 3:9), que significa atingir o conhecimento completo de Cristo na Sua posição celestial como Cabeça da Igreja “Corpo de Cristo”.
b. A doutrina objetiva é a parte de nossa armadura (o escudo da fé – conforme Efésios 6:16).
3. Análise dos componentes dos SETE UNS:
a. Certamente ninguém normalmente pensa que qualquer dos sete significa que há mais do que um.
b. Para enfatizar esta forma numérica, Paulo coloca o UM do Corpo no topo da lista dos sete. Certamente, somos um só corpo, e não dois, há um só Espírito e não dois ou mais espíritos, etc. E há um só batismo, não dois ou mais batismos.
c. Um Corpo:
(1) O Corpo é numericamente um organismo espiritual de crentes – e não dois. Ambos os judeus e gentios são unidos no “Corpo de Cristo”, e eles são membros, em plena igualdade, tanto para a administração como na esperança.
(2) O Corpo de Cristo é um organismo não-étnico ou não racial.
(3) Não há uma parte do corpo que tem um conjunto de leis e uma outra parte do corpo que tem um conjunto diferente de leis. Isso é mais parecido com o cisma denominacional que vemos hoje.
(4) Há diversidade no Corpo (I Coríntios 12:25). Mas, não para haver divisão do Corpo, mas para que a formação e o crescimento do Corpo se façam de forma mais sustentada e desenvolvida. Por isso, não devemos dividir o Corpo, ou seja, ir além do que está ensinado (Não guardar um outro “corpo” ou “organização”, tipo batismo extra, por exemplo, ou travar uma luta entre o Corpo e o corpo de organizações denominacionais ou similares, tipo “Irmãos”, “Presbiterianos” ou “Batistas”).
d. Um Espírito: o corpo tem um espírito, o Espírito Santo, não muitos espíritos (anjos). O Corpo de Cristo é superior aos anjos (senhores, deuses, espíritos).
e. Uma Esperança: O corpo tem uma só esperança. Cada membro do corpo tem a mesma esperança.
f. Um só Senhor: o corpo tem um só Senhor, o Senhor Jesus Cristo, não muitos senhores (anjos). O Corpo de Cristo é superior aos anjos (senhores, deuses, espíritos).
g. Uma Fé: Todos os membros do Corpo de Cristo devem confessar e guardar um corpo de doutrina – não uma fé, a doutrina e a prática de uma parte do corpo e um tipo diferente da doutrina de fé e prática para a outra parte do corpo. Esta observação é mais um retrato do cisma denominacional no corpo que vemos na cristandade. A única fé é descrita pelos sete. Esta UMA FÉ consiste em:
(1) Exclui cerimónias, ritos e rituais:
(A) não tem lavagens religiosas (batismos) para o corpo (I Coríntios 1:17).
(B) não tem nenhuma cirurgia religiosas (circuncisão) para o corpo (Gálatas 5:1-4).
(C) ausência de regulamentação de alimentos para o corpo.
(D) não observa dias sagrados como sábados, dias santos, dias de festa, etc. (Gálatas 4: 8-9; Colossenses 2:16-18).
(E) não há homens sagrados ou consagrados, comportamento não-normativo para fins religiosos específicos.
(F) não há vestimentas sagradas e comuns, tipo mitras, véus, etc.
(G) não tem lugares sagrados como templos, altares, montes santos, etc. Hoje devemos invocar a Deus em todo o lugar (I Timóteo 2:8);
(H) não há símbolos, figuras ou sombras sagradas a serem observadas como instrumentos de comunicação de Deus ao homem, como cortinas, crucifixos, brincos, gravuras, etc. Deus não se manifesta em símbolos, mas pela Sua Palavra (II Timóteo 3:16).
(I) não há sinais como formas de manifestação de Deus. Sabemos que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu decreto…” (Romanos 8:28).
(J) Não há dons ou formas especiais de manifestação de Deus, já que a revelação de Deus já está concluída e a Escritura completada e inspirada de Deus é que é o instrumento de ensino de Deus para o Corpo (II Timóteo 4:17; 3:16).
(2) Exclui submissão a sacerdotes. Não há nenhum sacerdote / mediador no âmbito do Corpo, ou seja, nenhuma parte do corpo é exclusivo de um grupo de sacerdotes que fazem a mediação em nome de outra parte do Corpo. O Corpo de Cristo tem um só mediador: Cristo (I Timóteo 2: 5). Nem há qualquer membro no corpo que seja superior a alguma outra parte do Corpo.
(3) Todas as práticas acima referidas eram diferentes para os judeus e gentios, em tempos passados. A remoção da distinção étnica de judeu e gentios implica a remoção das práticas distintas!
h. Um Batismo: Romanos 6:3-5; I Coríntios 1:17; 12:13; Gálatas 3:27; Efésios 4:5; Colossenses 2:12; Tito 3:5. O Corpo de Cristo tem apenas um só batismo, aquele que é operado pelo Espírito Santo no UM CORPO, para “formar o um Corpo” (I Coríntios 12:13), que deve ser confessado e vigiado.
(1) O batismo é uma regeneração interior = circuncisão interior = batismo interior, Colossenses 2:11-12. Estamos completos em Cristo para além de todas as cerimônias, Colossenses 2:10.
(2) O batismo da água – seja o messiânico ou o mosaico, não são batismos carismático para realizar sinais miraculosos.
(3) Tanto o batismo na água como o batismo messiânico e carismático funcionavam como sinal para Israel. A cessação do batismo com água e o batismo carismático (I Coríntios 13:8-12) é outra consequência da obra que “dos dois foi feito um”.
i. Um Só Deus e Pai. O Corpo tem um único Deus, o Pai, não muitos deuses (anjos superiores). O Corpo de Cristo é superior a todos os anjos em todas as hierarquias de seres celestiais (senhores, deuses, espíritos).



VII. CONCLUSÕES
A. Nós examinamos a ideia bíblica de uma dispensação. As dispensações são identificadas pela sua esperança imutável revelada nas Escrituras.
B. Analisamos sucintamente as três Esperanças nas Escrituras. Portanto, existem três dispensações, ou seja, três corpos de doutrina distintos para as três famílias humanas: gentios, judeus e Corpo de Cristo.
C. O Corpo de Cristo era um segredo desconhecido para o mundo, terreno e celestial, até que Cristo o revelou ao apóstolo Paulo.
D. A “Dispensação do Mistério de Deus” completou a revelação de seu plano para TODA a criação.
E. O Corpo de Cristo é aquela porção de humanidade redimida que constitui um novo homem, formado a partir da remoção do muro de ordenanças (entre a circuncisão e a incircuncisão). Implicações:
1. Corpo não tem quaisquer divisões, sejam étnicas, de género, de posição social ou de idade, ou seja, o UM CORPO é completamente não-étnico (este é o ponto de Paulo em Efésios 2:11-16 e Colossenses 2:11-18). Assim, o Corpo tem:
a. Uma doutrina e um único corpo de doutrina próprio, ou seja, uma fé.
b. Uma esperança, e que não é terrena.
2. Os outros sete UNS da doutrina formam a unidade da fé do Corpo. O mesmo conjunto de doutrinas para ser aceite e guardado por todos os membros do “Um Só Corpo”. Esta é a unidade que está à nossa guarda e é a unidade da fé para a qual estamos a lutar incansavelmente para alcançar. Ignorar essa verdadeira unidade, ou indo além dos ensinos em que consiste os SETE UNS da UNIDADE DO ESPÍRITO com práticas que não se coadunam com a sua natureza produz cismas no Corpo; ignorando essa unidade por truncamento leva a uma falsa unidade ("ecumenismo").