segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A Plenitude da Maturidade

 

«Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo» (Efésios 4: 13).

 

“A realização de um filho de Deus” (Efésios 4:13) - quão poucos a têm! A maioria está ocupada com a figura do “novo nascimento” e nada sabem sobre a bênção mais elevada e mais nobre da filiação por adoção, através do amor. E aqui é necessário enfatizar para a compreensão do coração que a filiação não figura mero relacionamento, mas aquelas honras concedidas ao herdeiro somente pode desfrutá-las quando ele atinge a maioridade, investindo-o com as mais altas dignidades e riquezas que seu Pai pode conceder. Significa muito mais ser um filho de Deus do que uma criança ou um servo. Esta é a obra designada para aqueles divinamente agraciados com dons espirituais: devemos insistir nesta gloriosa verdade até que todos os santos tenham a compreensão de que é um filho de Deus.

Não obstante isso, os crentes insistem em ser crianças. Crianças no entendimento e crianças na postura. Lastimoso! Tenho essa perceção desde quando frequentava umas reuniões de “anciãos”. A falta de estudo e conhecimento, a falta de preparação e aptidão, o desconhecimento profundo do texto sagrado e do seu significado… mas, mesmo assim, todos tinham opinião! Hoje, infelizmente, a situação se agravou, especialmente pela falta de estudo da Palavra de Deus e da comunhão com aqueles que têm a graça do conhecimento dos “Mistérios de Deus”. Hoje, os crentes estão mais distantes da verdade: não evoluíram ou cresceram na Palavra de Deus e, pelo contrário, agarraram-se às suas doutrinas como se fosse a sua religião e, chamam a isso “espiritualidade”. Mas, não passa de uma falsa espiritualidade. Nem orar sabem, de acordo com o ensino da dispensação da graça. 

É muito significativo a oração do Apóstolo Paulo na epístola aos Efésios:

«Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, PARA QUE SAIBAIS qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos e qual a sobrexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos» (Efésios 1: 16-23).

 

Para que saibais… (1) qual a esperança da sua vocação… (2) as riquezas da glória da Sua herança nos santos… e, (3) qual a sobrexcelente grandeza da força do seu poder sobre nós os que cremos…

No entanto, os crentes estão mais ocupados em saber as coisas da terra, a vida e a profissão dos crentes, se cantam bem… como organizam as reuniões… o que se deve comer… como devemos estar ou vestir, entre inúmeras coisas que não passam de coisas da carne e terrenas. E, quando falam destas coisas mais essenciais da vida dos crentes, eles nada sabem… quando os ouvimos parece que estão a falar da “estorietas da carochinha” que nem as crianças entendem! 

Que temas são estes que Paulo fala aos Efésios? Perguntemos aos lideres fas Igrejas. Zero! Ignorância toral.


Paulo ora uma segunda vez:

«Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!» (Efésios 3: 14-21).

 

O grande propósito de Deus para os membros do “Corpo de Cristo”, enquanto estão na terra, é que “sejam cheios de toda da plenitude de Deus”.

O que é isso? Algo perfeitamente alheado da cabeça e da vida dos crentes! Mas, a ignorância não é justificação que minimize as culpas do seu fracasso espiritual em atingir essa meta!

 

Depois do apóstolo falar da “estarmos cheios de toda a plenitude de Deus” (3: 18), fala de chegarmos “à plenitude de Cristo” (4: 13) e termina a exortar os crentes para atingirem a “plenitude do Espírito” (5: 18). E, a plenitude do Espírito, de acordo com o contexto e com o texto paralelo de Colossenses 3: 16 é a Palavra de Deus e Palavra de Cristo respeitante ao plano de Deus para o “Corpo de Cristo”, como ele escreve: “Cristo te esclarecerá… vede prudentemente… como sábios… não sejais insensatos, mas entendei… enchei-vos do Espírito/da mente de Cristo (II Coríntios 2: 16).

De que é que os crentes estão cheios? Basta ouvi-los falar; basta ver quais são os seus comportamentos; basta ouvir quais os seus pensamentos! Revelam uma aparência de espiritualidade, que não passa de religião evangélica, mas “não ligados à cabeça”, Cristo (Colossenses 2: 19).

A advertência é muito séria, uma vez que o Senhor deixou-nos tudo para que atingíssemos toda a Plenitude de Deus, chegassemos à Plenitude de Cristo e fossemos cheios da Plenitude do Espírito. Todos podemos ser bem instruídos como os santos de Éfeso e de Colossos, quanto à nossa posição em Cristo, no contexto da revelação do Mistério, personalizado na pessoa de Cristo glorificado e personificado na mensagem dada pelo mesmo Senhor glorificado ao apóstolo Paulo, com uma posição mais elevada do que a dos anjos, até mesmo a de filhos amados, na aceitação de 'o Amado'.

Não estar ligado à cabeça é praticamente perder a noção de todos os nossos privilégios especiais como membros de Seu Corpo. Em contrapartida, fica a ocupar esse lugar uma humildade religiosa com anjos, como servos em vez de filhos menores - até mesmo de filhos de Deus. É adorar com rostos velados à distância, em vez de com rostos descobertos, contemplar a glória do Senhor. É uma humildade fingida, não apreendendo as excelentes riquezas da graça de Deus para desfrutarmos em Cristo Jesus; é perder a noção da nossa “plenitude” em Cristo, ou seja, no que nos tornamos em Cristo, de acordo com Efésios 1: 4-6 e Colossenses 2: 9-15, na justiça da Sua obra; É perder a noção da obra de Cristo no plano do Corpo de Cristo, sendo “um só corpo” (e, por isso, o ministério destes é destruir e dividir o Corpo); é perder a noção do caracter que Deus assumiu neste tempo presente e que está exemplificado em Cristo e na Sua mensagem de graça para o mundo. É certo: olhando para os crentes temos de chegar à triste conclusão de que não há qualquer ligação prática dos crentes com a Cabeça, Cristo.

“Que sejais cheios da Plenitude de Deus… de Cristo… e do Espírito…”

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito.

Maranatha!

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Paulo e o Batismo da Água


Por estranho que pareça, Paulo não só batizou com água (I Coríntios 1: 13-16), durante muitos anos do seu ministério (Coríntios, Atos 19 – 15/20 anos de ministério) como foi batizado (Atos 9: 18). A verdade é que nunca encontramos em Paulo nenhum lamento disso ou qualquer palavra que espelhe algum desconforto por ter cometido algum erro ou que reflita algum arrependimento por ter batizado!

Para muitos combatentes do batismo da água estas questões ainda lhes são uma espinha na garganta, pois para eles é um verdadeiro anátema batizar com água! E não descansam enquanto não dividirem o “Corpo de Cristo” e destruírem o templo de Deus com o pretexto de retirarem a “água” do “Corpo”.

Paulo escreveu:
«11 Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. 12 Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro» (I Coríntios 1).

A questão que Paulo levanta no texto e que condena veementemente, são as contendas entre aqueles irmãos: a divisão de CRISTO! Eles estavam enriquecidos com todo o conhecimento dos mistérios de Deus e dotados de todos os dons do Espírito (1: 4-8), mas estavam divididos e desentendidos em diversos assuntos. Eles estavam habilitados por Deus com múltiplas capacidades para «estarem unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer» (v. 10), mas optaram pelas divisões e contendas (cap. 6). Eles estavam capacitados com línguas, com profecias e com fortunas pessoais, mas faltava-lhes o elemento essencial que promovia a fundamentação, a edificação e o fortalecimento, que era o AGAPE (Capítulo 13), o amor de Deus!

 E, sobre isso, diz ele no capítulo três: 
«17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. 18 Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio».

Aos Romanos diz:
«Não destruas por causa da comida a obra de Deus» (14: 20).

E, aos Coríntios, volta e diz:
«11 E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. 12 Ora, pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo» (I Coríntios 8).

É verdade que ele diz:
«Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio» (v. 14)

Notem: ele dá graças a Deus, e não: "lamento ter batizado..." 

Presumem alguns ensinadores, que ele disse uma grande coisa contra o batismo na água! Mas, a razão por que dá graças a Deus está no versículo seguinte:
«Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome…» (v. 15).

Ou seja, Paulo não batizou mais para não alimentar e promover mais divisões! Paulo não batizou mais porque estivesse errado, ou porque era um anátema, mas para que não dissessem que ele era importante ou com alguma importância equivalente ao Senhor Jesus Cristo, e fosse assim um elemento de divisão. O Senhor é o único elemento de união do Corpo.

É, também verdade que Paulo diz que o ministério que o Senhor lhe deu não contemplava o batismo na água, como ele mesmo diz:
«17 Porque Cristo enviou-me não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. 18 Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus» (I Coríntios 1).

Ou seja, (1) o Senhor enviou-o (não há dúvida); (2) para evangelizar (3) e não falou em batizar. O Senhor enviou-o para falar da cruz e não para falar do batismo da água, porque os dois temas não são comparáveis: a CRUZ ou a obra da cruz é a obra da cruz; o batismo na água é batismo na água. Por isso, também,

«NÃO ENCONTRAMOS QUALQUER PROIBIÇÃO DE PAULO PARA NÃO BATIZAR OU A PROIBIR O BAPTISMO NA ÁGUA!»

E, neste sentido não podemos ser mais apóstolos que Paulo, como se tivéssemos tido qualquer revelação, seja para fazer seja para deixar de fazer! Não podemos ir além do que está escrito. E, aqui entra a «sabedoria e a prudência espiritual» (Efésios 1: 8) ou a «sabedoria e a inteligência espiritual» (Colossenses 1: 9).

Em I aos Coríntios, capítulo 15, diz Paulo:
«Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles, então, pelos mortos?» (v. 29).

Tem havido muitas explicações para este texto, descontextualizando-o. Mas, temos de o entender no contexto de toda a epístola e no próprio capítulo. Paulo está a falar da ressurreição – E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO:
(1)  «Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou» (v. 16);
(2)  «E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé» (v. 14);
(3)  «E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus» (v. 15);
(4)  «E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados» (v. 17).
(5)  «E também os que dormiram em Cristo estão perdidos» (v. 18).
(6)  «Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens» (v. 19).
(7)  «Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (v. 32).

O que Paulo está a dizer é: «Porque se batiza em nome de Cristo se ele não ressuscitou? Porquê se batiza em nome de um morto?»

O facto de Paulo usar o plural não é para invocar os batismos dos gentios, já que não há qualquer referência ou fundamento histórico, pois o contexto anterior e posterior é a ressurreição do Senhor Jesus Cristo (v. 32). O plural usado por Paulo no texto é para realçar a generalidade do assunto.

Ora, com isto, o apóstolo está a referir algo que era comum no seio dos crentes em Corinto, e usa-o várias vezes como um exemplo, e não como tema de divisão, matéria de combate espiritual, “instrumento” de destruição do “Corpo de Cristo”.

A verdade é que muitos ensinadores das Escrituras não sabem lidar bem com a Palavra de Deus nem com o propósito em Ele a ter revelado para o “Corpo de Cristo”: não para dividir mas para unir. E como têm falta de capacidade espiritual de edificar, construir, exortar e fundamentar com a semente da vida, resta-lhes destruir. Infelizmente, muitos crentes sinceros, dedicados, mas ingénuos, têm-se deixado usar como “carne para canhão” (figura militar usada para referir-se aos militares que vão na linha da frente e são os primeiros a dar o “corpo às balas”, enquanto os maus militares ficam na retaguarda a deleitarem-se nas suas mortes… e receberem os seus “louros”. Em Cristo isso não funciona assim)! É hora de acordar e disponibilizarem-se nas mãos de Deus para edificação, união e fundamentação nas obras do Espírito de Deus.

É claro que as obras do Espírito de Deus são o «amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança…» (Gálatas 5); e, aqui, nunca há lugar a divisão ou a separações! E, claro está, nunca pode haver unidade espiritual sem estas virtudes do Espírito! Por isso, os que querem dividir podem muito bem ser confrontados com estes princípios espirituais: para, primeiro, procurarem obter estas virtudes.

Aqui, também, não há referência a conhecimento ou a doutrina! Porque, o elemento do conhecimento parte essencialmente de elementos internos e externos de cada um: parte, por isso, da capacidade de cada um: é essencialmente humana para entender as coisas do Espírito de Deus: é o Espírito de Deus e o nosso espírito (Romanos 8: 16). Mas, isso é outro tema e não é o que estamos a tratar aqui… mas o «guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz» (Efésios 4: 1-6). Por isso, estou certo que os que dividem não sabem o que é o «vínculo da paz» porque não têm paz consigo próprios e refletem essa falta de paz com a forma como lidam com os outros membros do “Corpo de Cristo”.

Já muito mal e muita divisão foi feita com o pretexto do “batismo da água”, pecados gravíssimos que causaram divisões e separações irrecuperáveis no “Corpo de Cristo”, com repercussões devastadoras, mesmo para as futuras gerações, e em nome de um Deus que nada tem a ver com isto e vai em oposição a tudo quanto Ele pensou para o Seu povo. 

Oro para que os estimados leitores não se deixem influenciar com esses discursos – sublimidade de palavras, de sabedoria humana, que não serve a Deus mas à carne dos próprios (I Coríntios 2:1; Colossenses 2: 8, 23) – e não se envolvam com estas batalhas que destruirá a todos os que as travarem, pois «são obras que sofrerão detrimento» (I Coríntios 3: 15). Somos chamados a lutar, mas as “guerras de Deus” não contra o “Corpo de Cristo”!

«Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor» (I Coríntios 15: 58).

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Estás a Trabalhar em Vão?



«Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor» (I Coríntios 15:58).

Que maravilhosas palavras de segurança! Qual dos leitores não sentiu, em algum momento, que o seu trabalho para o Senhor está a ser em vão? Nessas ocasiões, que consolo é saber que há uma garantia incondicional, não qualificada e dada por Deus de que o nosso trabalho para Ele não é em vão!

Mas, porque é que Paulo tem uma frase controversa quando escreveu aos gálatas, onde ele disse:
«Receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco» (Gálatas 4:11).

Aqui, o apóstolo parece recear que o seu serviço para confirmar os gálatas nos ensinos da graça estivesse a ser em vão, caso eles continuassem nas obras da Lei.

E, aos Filipenses, Paulo exorta-os:
«Retendo a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão» (Filipenses 2:16).

Aqui parece que o trabalho de Paulo seria em vão se os filipenses deixassem de RETER a palavra da vida e deixassem as instruções que lhes tinha deixado.

E, ainda, escreveu também aos Tessalonicenses a considerar, quando disse:

«Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil (em vão)» (I Tessalonicenses 3: 5)

Aqui, novamente, Paulo parece apreensivo que todo o trabalho que ele havia concedido ao povo de Deus fosse em vão, caso as tentações do tentador conseguissem afastar os tessalonicenses para longe da fé.

Em consideração a afirmações como estas, como Paulo poderia declarar tão categoricamente que o trabalho dos coríntios não foi em vão? Eles fizeram um trabalho melhor do que o dele? Certamente não! Sentimos que a resposta está na garantia que Paulo lhes deu de que o trabalho deles não seria em vão se fosse "no Senhor". Embora fosse possível que o trabalho do apóstolo Paulo fosse em vão para os Gálatas, ou para os Filipenses, e para os Tessalonicenses, aquilo que fizermos “ no Senhor” nunca será em vão.

Por que é que, então, ele condiciona o serviço para os Gálatas, e para os Tessalonicenses e para os Filipenses? Bem, lembremo-nos o que Paulo diz do Tribunal de Cristo:

«Mas cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho» (I aos Coríntios 3: 8). 

Observemos que seremos recompensados de acordo com o nosso trabalho, não de acordo com o fruto de nosso trabalho. Ou seja, Deus pretende nos recompensar com base em nossa fidelidade, não na fidelidade daqueles a quem concedemos o nosso esforço no trabalho que fizermos. Se não fosse assim, então Paulo ficaria sem qualquer recompensa de Cristo, pois, depois de todo o trabalho que fez nas igrejas da Ásia, toda aquela comunidade se afastou dele (II Timóteo 1: 15). E assim, se a infidelidade daqueles a quem nós dedicamos o nosso trabalho espiritual faz você pensar que todos os seus esforços foram inúteis, lembremo-nos de que o nosso trabalho pode ser em vão neles, mas o nosso trabalho não será em vão no Senhor. Você tem a Palavra de Deus no nosso trabalho!

Claro que, se não houvesse um Tribunal de Cristo, então o nosso trabalho para o Senhor seria de facto em vão. E, se o leitor está se questionando se podemos estar descansados nestas palavras, lembre-se de que alguns coríntios insistiam em que não havia ressurreição dos mortos (I Coríntios 15:12). E se não houvesse ressurreição, também não haveria Tribunal de Justiça a seguir, e se não houvesse Tribunal de Justiça, o nosso trabalho será em vão! Esse raciocínio defeituoso progressista ameaçava anular todo o trabalho do Senhor em Corinto! Não é de admirar que o apóstolo comece este capítulo da ressurreição, primeiro assegurando aos coríntios que a sua fé não era "em vão" (15: 2, 14, 17), e, depois, termina a dizer-lhes, também, que o seu trabalho também não seria em vão.

Embora alguns líderes espirituais evitem ensinar doutrina porque, no seu entendimento, a doutrina não é muito produtiva, o apóstolo Paulo tinha outro pensamento. A descrença na doutrina da ressurreição dos mortos ameaçava prejudicar a fé e o trabalho dos santos em Corinto, mas o caso hermético de Paulo para a ressurreição neste abençoado capítulo explica por que ele poderia dizer que "portanto" temos todo o incentivo que precisamos para ser “sempre abundante na obra do Senhor”.

Então, se às vezes parece que andamos às voltas e sem sentido, e o nosso esforço não parecendo chegar a lugar algum enquanto trabalhamos para o Senhor, fechamos com mais uma promessa incondicional do apóstolo da graça:

«E não nos cansemos de fazer o bem; porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido» (Gálatas 6: 9).

Ricky Kurth, Adaptado.

Quando Paulo fala do seu “trabalho não ser em vão”, não se refere aos resultados do seu trabalho, que, no caso, seria a firmeza dos crentes na fé. Não! Paulo referia-se à qualidade do seu serviço como servo e Apostolo do Senhor, pois, nessa missão, ele fê-lo com eficiência e concluiu-o com todo o êxito, conforme escreveu a Timóteo:
«Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão»
E:

«Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda»
(II Timóteo 4: 17, 6-8).

Ou seja, Paulo apresentou a mensagem com toda a pureza, sem qualquer alteração ou adulteração. Poderíamos dizer: foi fiel em toda a sua causa!
Mas, em relação aos crentes é diferente: os crentes ao desprezarem o ministério, os escritos, o ensino e o exemplo de Paulo, não estão a aproveitar nada dele. Então, para eles, Paulo correu, sofreu e trabalhou em vão! Na generalidade dos casos, os crentes deste tempo da Graça de Deus não têm aproveitado nada do ministério de Paulo a seu favor (Efésios 3:1-2). No caso, não o aceitando, pondo-o em causa, desacreditando-o... e, como resultado disso, não adotando os seus modelos de vida, ensino e práticas que são assentes do Evangelho da Graça de Deus conforme lhe fora confiado pelo Senhor, para os que assim fazem, o esforço de Paulo está a ser em vão... e irão sofrer por isso: as suas obras sofrerão detrimento...
«Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele»
«Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento»;
«Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá…»;
 (I Coríntios 3: 10, 15, 17).

Considerando que será com base no Evangelho de Paulo que o Senhor irá “avaliar” os crentes (Romanos 2: 16), membros do “Corpo de Cristo”, estes, ao desprezarem o trabalho dele - que corresponde ao seu ensino e modelos de vida, já que foi isso que Deus determinou para a Sua Igreja “Corpo de Cristo”, - estão a viver e a trabalhar em vão, com as consequências inerentes dessas opções: as suas obras sofrerão detrimento!

Por isso, cremos, convictamente, que a “obra no Senhor” não é tudo aquilo que é feito "em nome do Senhor" ou com uma simples intenção de agradar ao Senhor! Muitos o fazem, bem-intencionados, mas o resultado disso faz mais mal que bem ao Senhor e à Sua obra. Sempre assim foi. Noutro tempo o Senhor deu o exemplo que muitos profetizaram, expulsaram demónios e até fizeram sinais maravilhosos, mas o Senhor nunca os tinha conhecido (Mateus 7: 22-23). O trabalho que é feito “no Senhor” é aquele que é feito segundo as regras (II Timóteo 2:5), assente no modelo estabelecido por Deus: “É crer segundo as Escrituras” (João 7: 38) e não segundo a convicção pessoal e individual (II Pedro 1: 20). Por isso o Apóstolo fala da “Sua” revelação como tendo modelos: Modelo de fé para salvação (Efésios 2:8) e modelo de fé para a vida (I Timóteo 1: 15-16; Filipenses 3: 17; 4: 9).

O trabalho de Paulo, no rigoroso cumprimento do seu ministério e em conformidade com o programa do Mistério, foi feito no Senhor e não será em vão; Infelizmente, para muitos, para a generalidade da igreja cristã confessa que não segue o modelo da dispensação da graça de Deus (o ensino da graça de Deus – Efésios 3:2), o esforço, o ministério e a mensagem de Paulo tem sido em vão para eles! Exemplo disso são aqueles que o abandonaram (II Timóteo 1: 15) e aqueles que lhe procuraram causar inúmeros mal: a ele e ao seu ministério (4: 14-15).

No mesmo sentido, mas no programa profético, o Senhor referiu-se a este tipo de postura dos apóstolos e dos discípulos em geral, recomendando-os a "não dar pérolas a porcos…" (Mateus 7:6).
Paulo, ainda, em igual sentido, diz: "Não vos pude falar como a espirituais..." (I Coríntios 3:1) e, como hoje, a generalidade dos crentes vivem com mensagens de estorietas, fábulas e ensinos segundo as suas próprias concupiscências (I Timóteo 1:4; 4:7; II Timóteo 4:4).

Aos Hebreus diz:
«Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação, porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento» (Hebreus 5: 11-12).

Assim, e olhando os movimentos que se vive em muitas igrejas locais ao nosso redor, caraterizados por comportamentos que definem os últimos dias da dispensação do Mistério, e ouvindo mensagens que, embora assentes no fundamento que foi colocado: Jesus Cristo, não são assentes no modelo e com os materiais que caracterizam a “dispensação da graça de Deus”, mas assentes em fábulas/histórias judaicas e tradições do mundo, assentes em coisas da carne e desta terra (Colossenses 2), é imperioso e mais preferível guardar o nosso depósito, e não partilhar a nossa coroa com quem não dá qualquer valor às riquezas superiores da glória e, antes partilhá-las com crentes idóneos, honestos e fieis (II Timóteo 2: 1-5).

Não crestes em vão? Então, também não vivas em vão!



sábado, 2 de novembro de 2019

As Armas da Nossa Milícia



Havia um grupo em Corinto que adorava menosprezar o apóstolo Paulo. Ao defender seu apostolado, ele declarou àqueles crentes:


«Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne» (II Coríntios 10: 3).

Embora o apóstolo ainda tivesse uma natureza carnal como os outros, ele não travava uma guerra com armas dessa natureza:

«Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas» (v. 4).



HÁ UMA GUERRA EM CURSO
Muitos crentes parecem não perceber que o cristão está envolvido numa guerra, mas as palavras de Paulo a Timóteo são suficientemente claras:

«Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia» (I Timóteo 1:18).

E:
«Milita a boa milícia da fé…» (l Timóteo 6:12).

E:
Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo» (II Timóteo 2: 3).

Para os Efésios, ele escreveu:

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus» (Efésios 6:11).

Porque uma "armadura"? Porque uma batalha, uma guerra! Mas não se trata de uma guerra física contra pessoas com balas, bombas, mísseis, tanques ou organização política. Pelo contrário, é uma guerra espiritual contra forças espirituais sobrenaturais:

«Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais» (Efésios 6:12).

Como nossa guerra hoje está mais no plano espiritual do que físico, muitos supõem erroneamente que não é real. Nada poderia estar mais longe da verdade que isso!

Os crentes continuam às guerrinhas com as coisas mundanas, circunstanciais, por igrejas locais, crentes contra crentes por causa de temas ligados a coisas deste mundo (Colossenses 2: 16-23), e estão a passar ao largo da verdadeira batalha e perderam a visão dos verdadeiros inimigos! Esta ausência de verdadeira guerra e de travar as verdadeiras batalhas só os desqualifica para a herança e os priva do prémio que lhes estaria reservado, a coroa! Mostram que não estão aptos para a batalha que se avizinha, a batalha final e a sua herança irá para os “heróis”, à semelhança de Caleb em Israel (Josué 14-15). Não há verdadeira noção dos inimigos e da batalha que temos de travas e que vamos experimentando neste mundo! Infelizmente, ainda, muitos ditos crentes têm feito a obra do inimigo, como Acan, em Israel, comprometendo a vitória de muitos outros! Cada um assumirá as consequências das suas próprias decisões.




A BOCA DO LEÃO
O Salmo 22 faz uma descrição profética íntima dos eventos que cercam a crucificação de nosso Senhor. O grito do Senhor angustiado em Mateus 27: 46 é uma citação do Salmo 22: 1, e sem dúvida as palavras dos versículos 1-22 estavam nos lábios e no Seu coração quando Ele o derramou ao Pai! Aquela descrição faz uma exposição detalhada da experiência do Senhor quando comparada com os relatos do Evangelho, mas observe especialmente os versículos 16-21:

«Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou; traspassaram-me as mãos e os pés. Poderia contar todos os meus ossos; eles veem e me contemplam. Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica. Mas tu, SENHOR, não te alongues de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada e a minha predileta, da força do cão. SALVA-ME DA BOCA DO LEÃO; sim, ouve-me desde as pontas dos unicórnios»


O "leão" nesta passagem é facilmente identificável, pois Pedro declara:

«Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em redor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar» (I Pedro 5: 8).

Na cruz, nosso Senhor estava, por assim dizer, em combate corpo a corpo com Satanás. Tendo total confiança no Pai, Ele disse-lhe: "Vamos ficar juntos", desafiando o príncipe das trevas com ousadia:

«Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim» (Isaías 50: 8).

E qual foi o resultado desse feroz combate espiritual? Paulo nos dá a resposta em Colossenses 2:15:

«E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo (ou seja, na cruz)».

[ Por isso é que o Senhor, agora, com a Sua vitória e glorificação, assumiu toda a plenitude da divindade, bem como a cabeça de todo o principado e potestade (a liderança de todos os domínios e autoridades celestiais), assentando-se no Trono do Pai:

« (a) Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. (b) E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo principado e potestade» (vs. 9-10).]

[Nota do tradutor e editor]

Mas, embora Satanás tenha sido derrotado, a sentença da desgraça ainda não foi executada historicamente. [A vitória do Senhor sobre estas hostes foi só uma demonstração de força (Efésios 1:16-21), como garantia de que o que está previsto por Deus e desde antes da fundação do mundo para a Igreja “Corpo de Cristo” será realizado]. (1) Neste entretanto, Deus interrompeu o programa profético por um tempo e, em seu lugar, introduziu o programa da Igreja “Corpo de Cristo” assente na dispensação da graça. Portanto, ainda é necessário envolver esse inimigo pavoroso. O apóstolo Paulo disse:

«Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos» (Colossenses 1: 24-26).

Assim, Paulo suportou os sofrimentos da contínua rejeição de nosso Senhor, a fim de que a verdade do mistério se tornasse conhecida. Perto do final de seu ministério, ele escreveu a Timóteo sobre isso:

«Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão» (II Tim. 4:17) (2).

Hoje nós, como Paulo, estamos envolvidos em uma luta espiritual com as forças do mal - forças sobrenaturais que operam no reino das trevas espirituais. Como isso deve nos impedir de dobrar as mãos e "relaxar"!



AS NOSSAS ARMAS

É um grande encorajamento saber que nosso Senhor não nos colocou na batalha sem nos prover dos recursos adequados para lutar. Mas lembre-se: “as armas da nossa guerra não são carnais”. Paulo não dependia de meios humanos para se recomendar ou ganhar “domínio” para o seu Senhor, e nós também não deveríamos. Batalhas espirituais não podem ser vencidas com meios e/ou “armas carnais e humanas”.

Quais são então nossas armas? Depois de listar para nós as várias partes de "toda a armadura de Deus", o apóstolo nos diz para:

«Tomai também o capacete da salvação e a espada do espírito (mente), que é a palavra de Deus, orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar» (Efésios 6: 17-20).



A PALAVRA

Imagine ter que dizer a um soldado para levar a sua arma com ele para a batalha! Surpreendentemente, muitos crentes sinceros, em vez de usar a “espada do Espírito”, estão tentando enfrentar o inimigo com meios humanos: truques para encher os salões (prédios), especialistas em promoção para arrecadar fundos, belos edifícios, personalidades incríveis para impressionar, profissionalismo no ministério, etc., etc., etc.

"A espada do nosso espírito... (com que enfrentamos o inimigo e travamos a nossa batalha espiritual) é a Palavra de Deus".

Quando nosso Senhor entrou em combate com Satanás (Mateus 4: 1-11), ele respondeu a cada ataque coma Palavra de Deus, dizendo: "Está escrito". Ele sabia que é aqui que reside o verdadeiro poder e a vitória é conquistada!

Deve-se notar, no entanto, que Satanás também usou a palavra nos seus ataques:

«E, disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra» (Mateus 4: 6).

Há uma grande lição aqui, pois enquanto Satanás citou o Salmo 91: 11-12, ele propositadamente omitiu o versículo 13. Por quê? Leia você mesmo e veja – isso prediz claramente a derrota e destruição dele! O método de Satanás é pegar o que lhe interessa da Palavra de Deus e ignorar o resto. Ele tira as Escrituras do contexto e certamente não divide corretamente a palavra.

(Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente).


A partir disso, pode-se ver a profunda importância de um uso correto, logico e inteligente das Escrituras, estudando a palavra em contexto e "dividindo-a" corretamente. Satanás e seus ministros citam as Escrituras "no global", mas não "corretamente divididas". Somente quando a Bíblia é estudada dispensacionalmente, é que estamos equipados e aptos para batalhar com aquele grande príncipe, o “Diabo".

E não foi exatamente isso que investiu o "movimento da graça" com esse poder desde o início? Não foi estabelecido procurar tornar-se parte da "corrente principal" do pensamento religioso, ou pedalando suavemente a verdade do mistério. Pelo contrário, foi através de uma pregação clara, ousada e enérgica do evangelho/graça não adulterado e não diluído, que a luz clara da palavra foi derramada sobre muitos crentes, e multidões vieram se alegrar na "pregação de Jesus Cristo, de acordo com a revelação do Mistério" (Romanos 16: 25-26).

Com a revelação do mistério confiado a Paulo e desvendado por ele, nós, agora, "sabemos", por assim dizer. Agora temos uma revelação completa do propósito e plano de Deus. Efésios 1: 8-9 é claro quanto a isso, quando diz:

«Que Ele tornou abundante para connosco em toda a sabedoria e prudência, descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo».


É como se o próprio Deus nos tivesse levado para a sala do conselho da eternidade no “passado” e nos ter dado as "atas da reunião". Assim equipados com tais "informações privilegiadas", somos "amplamente preparados para toda a boa obra" (II Timóteo 3: 17).

Somos a primeira Era a ter uma Bíblia completa e a revelação completa da vontade e do propósito de Deus. Hoje podemos olhar para o passado e para o futuro com igual clareza e luz. Portanto, podemos resolver qualquer problema e responder a qualquer oposição, porque temos a capacidade de fazê-lo. Assim, a palavra corretamente dividida é "a espada do espírito" - uma arma formidável, de facto!



A ORAÇÃO

"Com toda a oração... no Espírito", diz o apóstolo.

John Bunyon chama a isso de arma de "toda oração" e a identifica como a sétima peça da armadura do crente. Nós concordamos.

O propósito específico de Paulo na solicitação vincula a oração com a capacitação do crente como soldado de Jesus Cristo:

«…E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar» (Efésios 6: 19-20).


A falta do verdadeiro poder espiritual na vida de um crente é diretamente rastreável à falta de entendimento dessa arma vital. A falácia básica da maioria das práticas e pregações modernas de oração é o fracasso em obedecer à ordem de II Timóteo 2: 15 de "dividir corretamente a palavra da verdade". [E, se é certo que a falta de conhecimento do Mistério é percetível nas orações dos crentes (aquelas que ouvimos em publico), proporcionalmente é nas orações dos crentes que revelam que eles pouco sabem do Mistério de Cristo e muito pouco dominam a sua dispensação (ensino). Por isso, estou verdadeiramente convencido que o grande fracasso dos crentes em compreender e assimilar a verdade da presente revelação está, indubitavelmente, na oração que fazem ou não fazem, o efeito é o mesmo! – Nota do tradutor/editor]

A maioria dos crentes procura praticar uma mensagem (e oração) que nada tem a ver com a Era da graça de Deus, mas antes na realidade é na mensagem do reino de Israel - e que ainda não chegou. Reivindicar promessas como as encontradas em Mateus 21:22, Marcos 11: 22-24, João 14:13, 14, Mateus 18:19, Tiago 5:14, 15, II Crónicas 7:14, etc., apenas causa frustração e confusão nos crentes. Quando essas promessas não se concretizam, artifícios teológicos são desenvolvidos para justificar o fracasso. Deus tornou impossível essas práticas e promessas se concretizarem nestes dias, e, por isso, são impraticáveis.

A verdade é, no entanto, que essas promessas não funcionam hoje porque não são para esta dispensação - elas não são a base do trato de Deus na dispensação da graça. A primeira chave para desbloquear a oração é o reconhecimento de que a presente dispensação era um mistério “escondido em Deus” até ser revelado por nosso Senhor do céu a Paulo (Efésios 3: 1-9; Colossenses 1: 24-27). Somente quando reconhecemos esse facto básico das Escrituras, estamos prontos para apreciar o papel da oração - a Oração Paulina, se você quiser - em nossas vidas espirituais.

"Orar no Espírito" é um ativo operacional divino de grande importância. Simplificando, "orar no Espírito" é orar em uníssono com o que o Espírito Santo está fazendo segundo a “dispensação da graça”.

A oração paulina - em distinção à maneira como a oração era feita e operava no programa profético de Israel - é vital para a função da vida cristã. De facto, fica claro pela ênfase constante que Paulo coloca no papel da oração que procurar viver a vida cristã sem a oração paulina é vivê-la na energia da carne. O que é então a oração paulina?

Usamos o termo “Oração Paulina” para distinguir a maneira como a oração funciona hoje na dispensação da graça da maneira como foi projetada para operar sob o programa profético de Israel. É vital que apliquemos a prática da divisão correta a esse importante aspeto de nossas vidas espirituais.

Na realidade, a oração paulina é feita "orando no Espírito". Não é uma experiência emocional - seja fanatismo ou solenidade; não é um processo de adivinhação - trabalho - orando por acaso; não é recordação intelectual, nem atitude mental positiva - ou qualquer outro tipo de visualização; não está orando pela visão e/ou impressões - lidando principalmente com questões e necessidades temporais; mais importante, não é a comunicação motivada pela lei de Israel, orientada para o desempenho, com Deus, pela qual um crente obtém bênção por intervenção divina nas circunstâncias da vida, à medida que tropeça de um problema de crise para o seguinte.

A oração paulina - orando de acordo com o que Deus está fazendo hoje - ativa nossas "todas as bênçãos espirituais" nos detalhes de nossa vida e os resultados são tão completos quanto a realização da vontade de Deus. É natural que essa oração "obtenha resultados"! Primeiro, há resultados espirituais - a edificação pessoal que resulta na apropriação de toda a armadura de Deus, juntamente com todos os ministérios do Espírito em nosso favor. Há também resultados emocionais - a estabilidade pessoal que "mantém nossos corações e mentes" em qualquer situação que enfrentemos. Depois, há os resultados físicos - as manifestações visíveis e o resultado que resultam da atividade do Espírito Santo e de nossa estabilidade emocional resultante.

Esta é, em poucas palavras, a plenitude da vida cristã: a vida de Cristo depositada em nós e se manifestando através da sua vida vivida em mim: “e a vida que agora vivo na carne vivo pela fé do Filho de Deus” (Gálatas 2: 20).

Oração Paulina - "orando no Espírito" - de facto, é uma arma potente e importante.



O ESPÍRITO SANTO

Outra coisa a ser observada: A Palavra de Deus é "a espada do espírito" (Efésios 6:17), e devemos orar "no Espírito" (v. 18). Tanto a palavra como a oração devem ser energizadas pelo Espírito para serem eficazes. É importante entender a relação entre a palavra oração e o Espírito.

"A espada do Espírito" é a primeira. Em outras palavras, a Escritura é o instrumento que o Espírito usa para realizar a Sua obra no e através do crente. Esse poder do Espírito é fornecido indiretamente por meio da palavra, à medida que o crente executa diariamente e diligentemente a tarefa de armazenar a palavra corretamente dividida em sua alma e responder a ela pela fé. (3) I Tessalonicenses 2: 13 é muito importante aqui:

«Pelo que também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes».


A palavra traduzida como "opera" é energeo, da qual derivamos a nossa palavra em português “energia”. Os crentes são energizados pelo Espírito Santo através da Palavra enquanto nos concentramos no ensino da “dispensação da graça” (Efésios 3:1-3). Este fortalecimento e capacitação ocorre no “homem interior” e é o meio pelo qual Deus trabalha no e através do Corpo de Cristo, o que nos leva à importância de nossa responsabilidade de orar “no Espírito”.

Nesta dispensação, a oração é uma obra sobrenatural do Espírito realizada por meio de nossa resposta de fé à sã doutrina residente em nosso homem interior. Em uma palavra, é o catalisador que libera o poder do Espírito para aplicar aos detalhes de nossas vidas as tremendas bênçãos de nossa posição em Cristo.

O Espírito Santo motiva e energiza por Seu poder em nosso homem interior um ministério eficaz de oração e intercessão que penetra nos níveis mais profundos da necessidade humana. A mecânica de como a oração funciona hoje está detalhada em Romanos 8: 26-27, quando diz:

«E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos».


Assim, enquanto oramos, o Espírito trabalha em nós através da Palavra. É o Espírito Santo e Seu grande poder que nos fortalece para a batalha ao estudarmos a Palavra e aplicarmos em espírito de oração em nossas vidas. Ele torna nossas armas "poderosas através de Deus para derrubar grandes fortalezas" (II Coríntios 10: 4). Ele é o doador de todo poder e força para o crente hoje. Por isso, Paulo orou pelos Efésios:

«Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior» (Efésios 3: 16).


Nunca precisamos temer nem temer, nem ficar envergonhados na presença do inimigo:

«Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas» (II Coríntios 10:4).

E:

«E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém!? (Romanos 16: 20).

Mas, é preciso que façamos tudo para experimentarmos a vitória, esta vitória que o Senhor alcançou com a Sua morte e glorificação; mas, para aqueles que não experimentam a vitória nesta dimensão, ainda lhes resta uma palavra:

«Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!» (Romanos 8: 37-39).

Estes crentes não perdem a salvação, saem vitoriosos, também, mas, na herança, a coroa é que poderá ficar para outro!

Por Richard Jordan
Editado

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1. Isso aguarda a segunda vinda de Cristo (Génesis 3:15, Apocalipse 20: 1-3, 10).
2. Ou seja, a pregação confiada a ele (Atos 20:24; Romanos 16: 25-26; Efésios 3: 1-9).
3. Isso contrasta com o ensinamento dado a Israel no programa do reino sob a Nova Aliança. Veja Ezequiel 36: 27; Atos 1: 8; Hebreus 8:11, I João, etc. Não devemos confundir esses dois programas diferentes.