quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A Psicologia da Graça



«Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afectos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento…» (Filipenses 2: 1-2).

Pelas informações que nos vão chegando, emails trocados, chamadas recebidas, contactos estabelecidos, tenho de admitir que o grande problema dos crentes no presente Século XXI não é tanto espiritual, mas psicológico. A situação é de ruptura: pessoal, emocional, familiar e espiritual. Vamos sabendo e assistindo a coisas que nunca pensaríamos que fossem possíveis entre os crentes e no seio das igrejas locais! Os membros das igrejas vivem em constante instabilidade espiritual porque andam perturbadas com a sua própria vida: é a insatisfação pessoal, a insatisfação profissional, insatisfação familiar, insatisfação social, e mesmo insatisfação eclesiástica, pela errada vivência da fé da graça, e esta insatisfação leva que os crentes se relacionem mal uns com os outros e criam um ambiente desagradável nas suas reuniões. As reuniões deixaram de ser de edificação para serem reuniões de murmuração, de crítica, de censura e não de consolação e ajuda mutua. Por isso, e neste aspecto, as reuniões perderam o seu propósito original.

Já foi tempo em que a relação da Palavra de Deus com o indivíduo transformava a sua vida e levava-o a viver para Deus de uma forma genuína, humilde e dedicada. A Palavra de Deus criava um estado espiritual tal no indivíduo que facilmente o levava a superar todas as suas crises, mesmo psicológicas. E, nos nossos dias, um dos sinais mais vitais que a Palavra não está a produzir grandes efeitos nas vidas das pessoas – membros e frequentados das reuniões dos crentes – são as crises emocionais, psicológicas e relacionais que têm revelado. É frequente ouvir-se entre alguns crentes este tipo de comentários: “As pessoas andam perturbadas, psicologicamente!” E, isto não é só no mundo: é-o, especialmente, nas igrejas! Neste momento, as pessoas das igrejas não precisam de Cristo, nem da Palavra de Deus. Elas têm tudo isso e com overdose. O problema das igrejas, nos nossos dias, é psiquiátrico: a generalidade das pessoas não precisam  de Cristo, mas de um psiquiatra; não precisam da Palavra de Deus, mas de serem tratadas: precisam de um tratamento psiquiátrico! A Palavra de Deus já não lhes faz nada, pois tornaram-se imunes, cauterizadas e indiferentes!

A igreja, que tinha uma vocação refugiadora para as almas cansadas do mundo, perdeu essa vocação e esse ideal e tornou-se igualmente problemática como o mundo, deixando de ter alguma diferença. E, muitas pessoas do mundo, que procuram a generalidade das igrejas locais para encontrar alguma paz, tranquilidade, satisfação, ficam imensamente piores que os seus frequentadores habituais com o que encontram nelas! As pessoas já não se consideram irmãos, nem amigos, mas adversários e inimigos; já não se perdoam, nem se toleram, nem se suportam; as pessoas mudam de ideias, de ideais e de igrejas locais, sem critério, como se muda de estação de ano! As pessoas estão tão perturbadas e andam tão mal psicologicamente que entram em crises psiquiátricas constantemente… e, pior que tudo, transpõem todos esses problemas para as reuniões de igreja! E, como é uma doença contagiosa, rapidamente esses males são transmitidos a todos e, aquilo que era um mal que se erradicava ao primeiro contacto com a Palavra de Deus, passa a ser normal (prática comum) na vida das pessoas. Será assim que o anticristo encontrará as pessoas quando se manifestar e, facilmente, controlará as suas vidas.

Na mesma lógica o Senhor disse aos discípulos dos seus dias:
“Vai, primeiro, reconciliar-te com teu irmão…” (Mateus 5:24);
“Tira, primeiro, a trave do teu olho…” (Mateus 7:5);
“Limpa, primeiro, o interior…” (Mateus 23:26);
“Faz, primeiro, as contas…” (Lucas 14:28);
“Ouve, primeiro…” (João 7:51).

Não tem qualquer valor falar da Palavra de Deus e querer testemunhar de Deus se o essencial de uma vida está longe disso! Primeiro, há que colocar as coisas no seu devido lugar. E, se não temos condições para estar no testemunho é preferível estar quieto e esperar pelo momento certo, como David esperou pelo chamado de Deus, e o próprio Senhor, que esperou perto de 30 anos para iniciar o Seu ministério.

Por isso, escrevia o apóstolo aos crentes da sua época:
«O mesmo Deus da paz (calmo, pacifico, tranquilo) vos santifique (limpe) em tudo; e o vosso espírito (pneuma/mente), alma (psique/emoções) e corpo (corpo/físico) sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo» (I Tessalonicenses 5: 23).

E:
«Rogamos-vos… a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola…» (II Tessalonicenses 2: 2).


E, o que inquieta os crentes:

I – As Coisas Correntes da Vida Quotidiana: Comer e vestir:
«(25) Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? (27) Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (28) E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. (31) Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (34) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal» (Mateus 6). «Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?» (Lucas 12:26).

«Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas preocupações, pela oração e pela súplica, com ações de graças…» (Filipenses 4: 6).

«Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes» (I Timóteo 6: 6-8).


II – O Que Havemos de Falar:
«E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer…» (Mateus 10:19).


III – Como Servir ao Senhor:
«Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas...» (Lucas 10:41).


IV – Com o Casamento:
«O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida  das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido» (I Coríntios 7:32-34).


V – O Serviço na Igreja Local:
«Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem (preocupem) os membros, com igual cuidado (preocupação), em favor uns dos outros…» (I Coríntios 12:25).


O crente não tem motivos para andar perturbado e não andaria perturbado, nem precisaria de psicólogo se pensasse nas coisas que são de cima (as que são verdadeiramente de cima e não aquilo que dizemos que são de cima e não passam de terrenas... parece que os crentes querem encher os lugares celestiais com as coisas terrenas...) e buscassem as coisas que são de cima!

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o V. espírito.

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