segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Reconhecendo a Eleição de Deus


«Reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição» JFA, RA
«Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus» JFA RC
- I Tess 1: 4

Ninguém pode saber, por antecipação, quem são os eleitos de Deus... (Rom 11: 34-35).

No entanto, podemos reconhecer a eleição nos crentes... 

Como? Pelo contexto, quando vemos neles «a obra da fé, o trabalho de amor e a paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai» (v. 3)

Como a manifestação do «evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, em espírito santo*, e em muita convicção...» (v. 5).

A eleição é um ato da graça da soberana vocação de Deus, e faz parte do quadro inacessível de onde Deus habita... mas pode ser reconhecido nos crentes maduros... e pelos crentes... maduros.

Os crentes têm se esforçado imenso para fazer muitas obras... têm se empenhado demasiadamente para revelar muitas coisas na sua vida, menos aquilo que taxativamente Deus espera: fé da verdade, amor pelos santos e paciência na esperança... e, neste contexto, deixam-nos muitas incógnitas e dúvidas, e uma certeza: só Deus conhece os seus... pois nós pouco ou nada vemos para que reconheçamos a sua eleição divina.

Vamos nos esforçar para que sejamos reconhecidos!
Boas meditações
vp

*Grego: "em espírito santo", sem artigo, conforme II Coríntios 6:6... não o Espírito Santo, pessoa, mas o seu espírito: como dizendo: "com uma mente pura e sincera", conforme II Coríntios 2: 17 e 4:2; Tito 2:7. «No Espírito Santo: O grego aqui omite o artigo definido. Em tais casos, a atenção não é tão chamada à própria Pessoa Bendita, quanto ao entusiasmo exaltado e inspirado com o qual Ele nos preenche. A união do espírito divino e humano é tão íntima (ver I Coríntios 6: 17) que muitas vezes é difícil no Novo Testamento distinguir qual é o significado - Ellicott».


terça-feira, 25 de junho de 2019

A Liberdade da Graça


A verdade de "Cristo em vós a esperança da glória" é que fortalece a nossa caminhada neste mundo. Estar "mortos para o pecado" provê a necessária liberdade do domínio e influência do pecado; ser "vivos para Deus" provê a capacidade de usar essa liberdade para produzir "os frutos da justiça, que são por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus" (Filipenses 1:11).

Gálatas 4: 1-7 demonstra que a diferença básica entre uma criança e um adulto é a questão da liberdade. O que uma criança é obrigada e forçada a fazer, um adulto faz voluntariamente. O que uma criança faz com medo, um adulto faz em liberdade.

A liberdade é uma coisa extraordinária. Embora a expressão possa ser usada com demasiada frequência, quando é usada para o propósito pretendido, dentro dos parâmetros do ensino da graça de Deus, a liberdade em Cristo é o nosso bem espiritual mais valioso. 

Existem dois aspectos para a liberdade: “liberdade de” e “liberdade para”.

Pela graça de Deus, fomos libertos do pecado - tanto de sua condenação quanto de seu controle. Livre de culpa e vergonha. Livres dos impulsos e tendências que nos puxam para baixo e que não conseguimos parar quando estamos cativos do pecado. Livres da tirania das expectativas, opiniões e exigências dos outros. Mas isso não é tudo, longe disso.

A graça de Deus também nos libertou para o serviço. Somos livres para obedecer, livres para o amor, livres para perdoar os outros, assim como a nós mesmos, livres para servir e glorificar a Cristo, livres para viver como membros adultos da família de Deus.

Quando chegamos a apreciar a liberdade de nossa filiação, reconhecemos que somos livres para fazer voluntariamente aquilo que antes fazíamos com medo. Como adultos, podemos aplicar voluntariamente a sabedoria de Deus aos detalhes de nossas vidas, tomando decisões baseadas na palavra de Deus. Deus é certamente glorificado quando os crentes dão os frutos da sua justiça em Cristo. Esses "frutos da justiça” são, por Jesus Cristo, isto é, a justiça que é aplicada em nós pela Palavra de Cristo. Esta é a diferença do tipo de conduta das religiões, das denominações, do mundo e da carne, que podem ser semelhantes quanto à forma e manifestação, mas não são vividas com o entendimento e consciência da Palavra de Cristo, a revelação do Mistério - não é serviço em espírito para Deus, como Paulo vivia e ensinava.

Há literalmente uma rutura do caráter justo de Deus no estágio da história humana através da vida dos crentes que carregam esses frutos. Isto é, naturalmente, o resultado da "palavra de Deus que efetivamente opera em nós os que cremos" (1 Tessalonicenses 2:13). Nós nunca poderíamos fazer isso por nossas próprias ações, não importa quão bem intencionadas. Assim como uma macieira produz maçãs por causa da vida que há nela, também o crente produz os frutos da justiça por causa da vida/espírito/palavra de Cristo que está em nós pela revelação do Mistério.

Quando Paulo diz: "É Deus que opera em você o querer e o fazer segundo a sua boa vontade (palavra da vida)" (Filipenses 2:13), ele está se referindo ao espírito de Deus trabalhando no interior do crente através da Sua Palavra.
Nosso serviço não nasce de uma restrição externa ou necessidade, mas é o resultado da vida de Cristo em nós, trabalhando através dos membros de nossos corpos, enquanto aplicamos voluntariamente a sabedoria de Deus aos detalhes de nossas vidas. Assim é que "a vida de Jesus também pode se manifestar em nosso corpo" (II Coríntios 4:10).

A liberdade da graça de Deus para nós em Cristo vai muito além do que Ele tem e está fazendo por nós. Ele prossegue na manifestação do que Ele está fazendo por Si mesmo através de nós, pois somos a "Sua (própria) obra, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:10).

Vemos muitos ensinadores falarem alguma coisa desta matéria, mas verificamos nos pormenores que o que dizem é mais decorado do que vivido; e isso, é demonstrado nas suas próprias vidas, pela forma como revelam ciumes, ódios, invejas, dissensões e divisões, que, não obstante poderem ser crentes, o domínio do pecado ainda exerce a influência e a graça ainda não fez a sua obra completa nas suas vidas. Essa é a diferença em fazer as obras da graça pela forma e a vida que se extrai da revelação da "dispensação da graça", que é vivida em serviço para Deus em espírito (Romanos 1:9 com 12: 1-2 e Filipenses 3: 3). Falam como papagaios, sem saberem bem o que dizem nem experimentarem isso em suas vidas, e não como adultos de Deus!



quarta-feira, 15 de maio de 2019

Simplicidade e Pureza


«Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo».
- II Coríntios 11:3

Simplicidade e pureza! Duas características que diferenciam a Igreja “Corpo de Cristo” no sistema Levítico: Formalismo e Impureza! Daí a necessidade que o povo tinha de se preparar para se apresentar diante de Deus, com lavagens, roupas sagradas, em formas sagradas, com dias sagrados e em lugares sagrados.

Mas, com a obra do Senhor Jesus Cristo, segundo o planeamento glorioso dos celestiais para a Igreja “Corpo de Cristo”, obra essa que passou pela Sua morte, ressurreição e glorificação e constituição de Cabeça da Igreja, esta, por estar identificada com Cristo nessa qualidade e lugar, e Como Cristo já não precisa de formalismos, nem cerimónias e está revestido de toda a pureza, assim está a Igreja diante de Si mesmo (Efésios 5: 25-27). A Igreja deve estar ligada à “plenitude da mente de Cristo” e não aos sinais, figuras, atos, formalidades e cerimónias que caracterizam Israel no tempo de menino.

Assim, o modelo de Deus para o Corpo de «o Cristo» (assim o grego no texto citado), é a simplicidade e pureza, não formalidades e cerimónias que definia o modelo para Israel. Adotar formalidades para o Corpo, quaisquer que elas sejam, diminui o Corpo, o Cristo, e desvaloriza a obra que Deus fez para que o Corpo fosse como é: perfeito.

«Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor».
- II Coríntios 3: 17-18)

«Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus».
(Efésios 3: 18-19)

«Até (ao momento) que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
(Efésios 4: 13)

Maturidade vs Meninice
vs Vista
Simplicidade vs Formalidade
Pureza vs Cerimónias
Espírito vs Obras
Sinais Espirituais (Fé/Esperança/Amor) vs Dons Sinais (Profecia/Línguas/Ciência)
Graça vs Lei/Reino/Messianismo


De que lado estás?




sexta-feira, 26 de abril de 2019

Amizade ou Verdade?


Amizade ou Verdade?
Unidade ou Uniformidade?

«Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz…» (Efésios 2:14-15).

Um dos mais importantes resultados e propósitos da morte, ressurreição e glorificação do Senhor Jesus Cristo foi a UNIDADE pela reunião de todos os santos em UM CORPO. E, juntamente com a UNIDADE, resultou – intrinsecamente – a PAZ. Por isso, quando Paulo fala de UNIDADE e de PAZ nas suas epístolas – e a referência á PAZ é feita sete vezes na epístola aos Efésios – não se refere às boas relações que os homens possam ter, mesmo como crentes, mas à obra de Deus pelo Senhor Jesus Cristo. É a PAZ conseguida pelo Senhor e refletida na unidade espiritual do CORPO DE CRISTO, ou seja, a unidade de cada membro do Corpo na Cabeça, que é CRISTO glorificado (ligação espiritual de cada membro a Cristo nos EPI CÉUS, e não tanto aos crentes aqui na terra!).

Em Efésios 4 o apóstolo descreve em que consiste essa unidade do “Corpo de Cristo”:
«Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos» (Efésios 4:4-6).

Esta unidade séptupla não é nada que nós consigamos construir, quer como crentes, como lideres ou como igrejas locais ou organizacionais – pois trata-se de uma unidade multifacetada (com várias áreas e diversos aspetos) que foi realizada pelo Senhor e nos foi oferecida por Deus na Sua graça.
Neste sentido, os crentes, membros da Igreja “Corpo de Cristo” não são chamados a fazer qualquer tipo de paz, pois isso seria impossível, como humanos que somos. Mas, somos exortados A GUARDAR A UNIDADE pelo vínculo da paz que foi feita pelo Senhor. Guardar a paz é ter respeito pela obra do Senhor e nada fazer que vá de encontra a obra do Senhor sob pena de pecarmos contra o próprio Senhor.

«Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados… procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz…» (Efésios 4:1-4).

“Procurando”, segundo JFA, RA, é “esforçar-se diligentemente”.
Strong: 4704 – spoudazw, spoudazo, de 4710; e significa 1) apressar-se; 2) esforçar-se, empenhar-se, ser diligente.

Vejamos as ocorrências desta palavra no grego do NT, para entendermos o seu significado:
Gálatas 2:10 – “o que também me esforcei <4704> por fazer».
I Tessalonicenses 2:17 - «com tanto mais empenho diligenciamos <4704> …»
II Timóteo 2:15 - «Procura <4704> apresentar-te a Deus aprovado…»
II Timóteo 4:9 - «Procura <4704> vir ter comigo depressa».
II Timóteo 4:21 - «Apressa-te <4704> a vir antes do inverno».
Tito 3:12 - «Quando te enviar Ártemas ou Tíquico, apressa-te <4704> a vir até Nicópolis ao meu encontro».
Hebreus 4:11 - «Esforcemo-nos <4704>, pois, por entrar naquele descanso…»
II Pedro 1:10 - «Por isso, irmãos, procurai, com diligência <4704> cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição…».

O sentido é de nos esforçarmos e de forma diligente, em guardar a unidade espiritual existente entre os membros do “Corpo de Cristo” e vivermos nesta unidade pelo laço da paz que o Senhor realizou na cruz do Calvário, desfazendo ou aniquilando as nossas diferenças humanas, intelectuais, espirituais, e realizando a paz. O sentido será: estarmos sempre dispostos e de forma diligente em guardar a unidade…

Muitos crentes acham que fazem uma grande coisa para Deus promovendo a divisão, mesmo justificando com uma suposta verdade de Deus! E, neste sentido ouve-se muitos chavões como “antes a verdade que a amizade”, “mais vale obedecer a Deus que aos homens”, etc., etc., etc. Os homens são bons nesses estribilhos. E, por estranho que pareça, é comum a Católicos, a Muçulmanos, a Induz, a Protestantes, a Evangélicos, etc., etc., etc. Por isso, a diferença, por aí, é pouca ou nenhuma.

A VERDADE É QUE, QUANDO OS HOMENS DIZEM ISSO, NÃO SE REFEREM À VERDADE DE DEUS MAS À SUA VERDADE, À “VERDADE” QUE ENTENDEM: E, PARA ELES, OU ANDAM SEGUNDO O QUE ELES PENSAM OU CORTAM AS AMIZADES.


Encaixa bem neles as palavras de Paulo a Timóteo:

«Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te» (II, 3: 1-5).

E, isto poderá ser um sinal dos últimos dias do período da Graça de Deus! Sempre houve no mundo pessoas assim; mas, no seio das comunidades cristãs mais fechadas e bíblicas, nunca aconteceu como se está a ver agora! E, estes “últimos dias” que Paulo fala são os últimos dias da Igreja no mundo, certamente.

Ora, o propósito de tentar realizar uma unidade no mundo é falsa. Essa obra é, mais exatamente, a realização de uma uniformidade de pensamento, de credo, de ensino, de bandeira e de propósito, que não passa de uma união humana tão vacilável como a vida de uma geração humana: passageira e efémera! Essa é a união como a união da torre de Babel: Assente num nome, numa bandeira, numa comunidade terrena local (igreja ou organização), assente em tijolos de barro e não na Rocha que é Cristo. O resultado tem sido precisamente o mesmo que aconteceu na Torre de Babel: objetivamente é o que temos assistido na cristandade (inclusivamente nas igrejas locais que conhecemos) e no mundo: confusão e dispersão. Por isso, não é por serem evangélicos, dos chamados “Irmãos” ou dispensacionalistas que serão diferentes, porque as interpretações são todas humanas! Mas isso é natural; o Senhor sabe disso; pior são os motivos (intenções), a forma e os propósitos.

Nada está mais distante que os lugares celestiais, onde Cristo está assentado, que isso.

Relativamente à verdade, é importante que se diga: de três uma… ou nenhuma:

  1. Para falarmos da verdade como tal, a verdade absoluta, a revelação e o seu sentido exato como Deus entregou a Paulo, teríamos de ser Deus e nos substituirmos a Ele para ter o seu pensamento.
  2. Para falarmos da verdade tal e qual o Senhor Deus confiou e revelou a Paulo pelo Senhor Jesus Cristo glorificado, teríamos de ter o dom de revelação e/ou de interpretação. Mas, como com a vinda do Senhor Jesus Cristo também chegou a maturidade espiritual do CORPO de Cristo (Gálatas 4: 1-6 com I Coríntios 13: 8-13), os dons cessaram e, felizmente, ficou a “fé, esperança e amor” (v. 13), precisamente os sinais que menos se vê nas igrejas locais! Mas andam todos distraídos com muitas coisas, as coisas banais!!!
  3. Para falarmos da Verdade como Paulo falava teríamos de ter a sua autoridade e apostolado. Mas, como o seu apostolado não teve sucessores (não obstante muitos se arroguem apóstolos e ministros de Cristo - II Coríntios 11: 12-15), também a sua autoridade não teve sucessores: o ministério e a autoridade do apóstolo Paulo foram-nos deixados pelos seus escritos. Um bom testemunho disso pode ser visto no facto de Deus não ter permitido a existência dos escritos originais; só nos restam cópias humanas!

Assim, como não somos Deus, não temos qualquer tipo de dom especial de revelação ou de interpretação, nem temos qualquer autoridade apostólica (ninguém tem dons sinais para o demonstrar como o apóstolo Paulo tinha – os sinais do seu apostolado – II Coríntios 12: 12), então, só podemos deduzir que quem fala como Deus, ou como quem tem dons especiais de interpretação, ou como quem tem a autoridade apostólica de Paulo, não passam de simples homens, fracos e débeis, sujeitos a qualquer engano como os pagãos do mundo quando interpretam as Escrituras! Têm aparência de piedade, mas a sua vida nega a sua eficácia, os seus efeitos e o seu poder (II Timóteo 3:5). Falam de “amor” mas da sua boca está cheia de maldição e amargura (Romanos 3: 14), e os seus pés são ligeiros para derramar sangue (v. 15), criando confusões, divisões e deserções.

E, dizia: Nada está mais distante que os lugares celestiais, onde Cristo está assentado, que isso. A atitude de cortar relações com os irmãos, quaisquer que sejam os motivos (à exceção do pecado declarado e assumido), não é obra de Deus, mas é obra humana e mundana, contra Cristo e contra a obra perfeita que fez. O Senhor nunca rejeitou nenhum dos seus discípulos por serem tardos de coração e ouvido! Por isso, não há coisa mais repugnante para Deus que a separação e as divisões dos membros do “Corpo de Cristo” e nada mais ignominioso para Deus que aqueles que promovem as divisões do seu Povo.

Estas seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua alma abomina:
«Estas seis coisas aborrece o SENHOR, e a sétima a sua alma abomina: (1) olhos altivos, e (2) língua mentirosa, e (3) mãos que derramam sangue inocente, e (4) coração que maquina pensamentos viciosos, e (5) pés que se apressam a correr para o mal, e (6) testemunha falsa que profere mentiras, e (7) o que semeia contendas entre irmãos» (Provérbios 6: 16-19).

E, quando Paulo escreve para os membros da Igreja Corpo de Cristo diz:
«1 Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas(recebei-o na comunhão ou na igreja sem contender com ele por causa das suas divergências) 3 PORQUE DEUS O RECEBEU POR SEU (assim como ele é, com os seus defeitos). 4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar (Em Cristo todos estão firmes). 5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo(cada qual que esteja seguro nas suas convicções, certas ou erradas, só Deus sabe, mas isso não deve ser motivo para divisão dos crentes) 7 Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si. 8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. (antes dizia: O Senhor nos firmará para a eternidade e, agora, estando como estivermos, somos do Senhor) 9 Foi para isto que morreu Cristo e tornou a viver; para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos. 10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo… (porque desprezas o teu irmão? És tu juiz? Mas, todos haveremos de comparecer diante do Tribunal de Cristo e, então sim, veremos a fé de cada um) 12 De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. 13 Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. 14 Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda… (A questão aqui tratada era a comida e os dias; mas, este versículovem generalizar as questões, nada sendo motivo de separação) 17 porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. 18 Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. 19 Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros (mais palavras para quê?). 20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus… (não destruas a obra de Deus que são os crentes… e não as coisas que fazemos, mesmo bem intencionados… essas são obras dos homens, interpretações humanas e atitudes mundanas) 22 Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus (antes dizia: cada um esteja firme na sua própria convicção: nada contra; Deus não censura isso; agora diz: cada um esteja firma na sua fé: Deus também não censura isso! Mas, isso não seja motivo de divisão). 15: 1 Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos (como por presunção, arrogância, sobranceria, desprezo pelos outros). 2 Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. 3 Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. 4 Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança… 7 PORTANTO, RECEBEI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO TAMBÉM CRISTO NOS RECEBEU PARA GLÓRIA DE DEUS (antes disse: Deus o recebeu (v. 3). Agora: Cristo nos recebeu… tais como eramos, nas nossas fraquezas. Por outras palavras: Se Deus e Cristo nos recebeu, quem somos nós para separarmos os crentes e desprezarmos os crentes, mesmo que hajam divergências em relação às coisas de agradar a Deus?» (Romanos 14-15).
«E, pela tua ciência, perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo» (I Coríntios 8: 11-12). (Por outras palavras: pecando assim contra os irmãos, desprezando e dividindo os irmãos, estamos a ofender o Senhor pela obra que Ele fez. O Senhor fez tudo, ao ponto de dar a sua vida, para nos unir; os homens fazem tudo para os dividir! Escandaloso, vergonhoso, injurioso e ofensivo! ! !)

Como se isso fosse pouco, escreve Paulo aos crentes coríntios:
«Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?» (I Coríntios 1: 9-13).

Pelo que entendo das palavras sagradas, da tradução possível: Diz Paulo: nós fomos chamados por Deus para a comunhão do Senhor Jesus Cristo e vós andais a alimentar divisões e contendas… dizeis que sois de Paulo ou de Cefas ou de Apolo…

«E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis; porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais? Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?» (I Coríntios 3: 1-5).

E, continuando o comentário: quem é Paulo e quem é Apolo, senão homens? As pessoas fracas é que gostam do louvor dos homens e de se identificar com os homens famosos! Eu não tenho seguidores nem quero que ninguém me siga. Os meus pensamentos só têm o propósito de ser ajuda para aquele que querem crescer em Deus e a minha obrigação perante Deus é essa: ajudar os que «amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito».

E, continua:
«Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? SE ALGUÉM DESTRUIR O TEMPLO DE DEUS, DEUS O DESTRUIRÁ; PORQUE O TEMPLO DE DEUS, QUE SOIS VÓS, É SANTO. Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia» (vv 16-19).

Aqui, Paulo volta ao tema: comunhão do Senhor Jesus Cristo, versus a divisão dos homens! Deus os destruirá… ou seja, penso que será as suas obras, porque são feitas na carne e se queimarão como a madeira, feno e palha… como dizia atrás, no tribunal de Cristo.

Aos Gálatas tem a mesmo exortação:
«Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Mas prove cada um a sua própria obra e terá glória só em si mesmo e não noutro. Porque cada qual levará a sua própria carga» (Gálatas 6: 1-5).

Certamente que o tema do contexto será as obras da carne, que se resume à vida segundo a lei mosaica e às formalidades levíticas, como guardar dias, comidas sagradas, lavagens ou purificações corporais (exteriores), circuncisões, etc.. E, se algum crente for surpreendido e optar por uma vida menos condizente com a regra da graça a obrigação dos que se arrogam espirituais é encaminha esse irmão (como Áquila e Priscila fizeram com Apolo – Atos 18: 24-28), porque nós devemos levar as preocupações uns dos outros, ou seja, temos a responsabilidade de nos ajudar uns aos outros. E, assim, andaremos segundo a Lei de Cristo, ou a regra da graça de Deus para a Igreja “Corpo de Cristo”. Quem andar de forma diferente só mostra que não é nada, não sabe nada e engana-se a si mesmo… e, como vimos, cada um dará conta de si mesmo a Deus, que parece corresponder ao que diz a passagem: «cada um levará a sua própria carga…».


É verdade que o apóstolo diz algumas vezes para “evitar o homem faccioso” (Tito 3: 10) e «afasta-se de homens perversos» (II Timóteo 3: 5), mas trata-se de descrentes, judaizantes e semelhantes, sendo inimigos do Evangelho da graça de Deus, e não de crentes (Romanos 16: 17-18; ver: II Timóteo 3: 8-9).

Relativamente aos crentes diz:
«Rogamos-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos» (I Tessalonicenses 5:14-15);
«Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão» (II Tessalonicenses 3: 14-15).

“Não vos mistureis com ele…”, no grego é “ser íntimo”, sócio. A mesma palavra ocorre em I aos Coríntios 5: 11. Que fiz:
«Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais».

E, a questão não é tanto doutrinária, pois trata-se de questões que nada tem a ver com a Igreja “Corpo de Cristo” mas esclarecimentos dos dias da grande tribulação. A questão aqui era de não trabalhar honestamente, como acontecia com alguns dos crentes em Corinto.

Certamente que sempre, na história da Igreja muitos se levantaram e, ingenuamente ou arrogantemente, tomaram posições de dogmatismo e imperialismo nas suas comunidades eclesiásticas. Olham mais e muito para baixo (e, infelizmente, há muitos crentes débeis, fracos, preguiçosos, ignorantes e não fazem qualquer esforço para crescer e mudar essa situação de fragilidade espiritual) do que olham para cima! Se olhassem mais para cima, veriam que são humanos e, como tal, fracos, inseguros, que mudam de opinião como o vento muda, que têm incertezas e são inseguros em muitas coisas e, mesmo naquilo que se acham firmes, terá sido aí que são mais suscetíveis de falhar. Assim aconteceu com Adão, com Noé, com Abraão, com Moisés, com Job, com Davi e com muitos outros homens de Deus ao longo da história da humanidade. E, assim, tem acontecido com estes! E, se os crentes acham que há algum homem (à exceção do Senhor Jesus Cristo) que seja perfeito, sábio, erudito, doutorado das Escrituras, detentor de alguma verdade absoluta, só se engana a si mesmo e faz enganar os seus líderes, que se presumem de “ídolos” da comunidade! Mas, esses, que se arrogam de mais verdadeiros e mais fiéis na verdade, fazem-nos, muitas vezes, para justificar o fracasso que são na sua vida pessoal, profissional, familiar e eclesiástica, que é caraterizada por confusões, divisões e deserções. E escondem-se em discursos persuasivos de sabedoria humana, de amedrontamento, de ameaças espirituais, levando os crentes mais fracos a ficar com medo, assustados e escravizados a uma vida com alguma aparência de devoção voluntária, disciplina do corpo, mas não tem valor algum senão para a satisfação da carne. Esses são os discursos do espirito de escravidão para andarem em temor, como escreveu Paulo aos Romanos 8: 15 e a Timóteo na II epístola 1: 7). São os discursos para a perversão (ruina/prejuízo) dos ouvintes (II Timóteo 2:14). Mas, o Senhor chamou-nos para a liberdade, com o espirito de adoção, de filiação, de independência e satisfação espiritual – o espírito / mente de Cristo. E, como ele escreveu:
«Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor» (II Coríntios 3: 17-18).

E, quando andamos no espírito de Cristo, a mente que domina o Corpo de Cristo, nós crescemos n’ Aquele que a Cabeça, até à plenitude de Cristo.

Com estes pensamentos não pretendo revelar a “última palavra da verdade”, mas com aquilo que o Senhor me tem ensinado na Sua graça ao longo dos dias da Sua graça na minha vida, mostrar aos que «amam ao Senhor e foram chamados segundo o Seu propósito» a crescer e a viver a graça de Deus com honestidade e fidelidade. ESPECIALMENTE PARA QUE ELES NÃO PERCAM O SEU GALARDÃO. Àqueles que preferem a via da confusão, divisão e deserção, só nos resta esperar na graça de Deus para que a luz da Sua graça brilhe nos olhos do seu entendimento para voltarem (se alguma vez lá andaram) à linha da graça de Deus: no pensamento e no comportamento.


«Se a Palavra de Deus serve para alguma coisa, veja que estas palavras citadas das Escrituras são mandamento do Senhor» (paráfrase minha baseado em I aos Coríntios 14: 37).

«No que nos resta, irmãos… tendo calçados os pés na preparação do evangelho da paz…» (Efésios 6: 10, 15).

«Paz seja com os irmãos e caridade com fé, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo» (Efésios 6:23).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A Psicologia da Graça



«Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afectos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento…» (Filipenses 2: 1-2).

Pelas informações que nos vão chegando, emails trocados, chamadas recebidas, contactos estabelecidos, tenho de admitir que o grande problema dos crentes no presente Século XXI não é tanto espiritual, mas psicológico. A situação é de ruptura: pessoal, emocional, familiar e espiritual. Vamos sabendo e assistindo a coisas que nunca pensaríamos que fossem possíveis entre os crentes e no seio das igrejas locais! Os membros das igrejas vivem em constante instabilidade espiritual porque andam perturbadas com a sua própria vida: é a insatisfação pessoal, a insatisfação profissional, insatisfação familiar, insatisfação social, e mesmo insatisfação eclesiástica, pela errada vivência da fé da graça, e esta insatisfação leva que os crentes se relacionem mal uns com os outros e criam um ambiente desagradável nas suas reuniões. As reuniões deixaram de ser de edificação para serem reuniões de murmuração, de crítica, de censura e não de consolação e ajuda mutua. Por isso, e neste aspecto, as reuniões perderam o seu propósito original.

Já foi tempo em que a relação da Palavra de Deus com o indivíduo transformava a sua vida e levava-o a viver para Deus de uma forma genuína, humilde e dedicada. A Palavra de Deus criava um estado espiritual tal no indivíduo que facilmente o levava a superar todas as suas crises, mesmo psicológicas. E, nos nossos dias, um dos sinais mais vitais que a Palavra não está a produzir grandes efeitos nas vidas das pessoas – membros e frequentados das reuniões dos crentes – são as crises emocionais, psicológicas e relacionais que têm revelado. É frequente ouvir-se entre alguns crentes este tipo de comentários: “As pessoas andam perturbadas, psicologicamente!” E, isto não é só no mundo: é-o, especialmente, nas igrejas! Neste momento, as pessoas das igrejas não precisam de Cristo, nem da Palavra de Deus. Elas têm tudo isso e com overdose. O problema das igrejas, nos nossos dias, é psiquiátrico: a generalidade das pessoas não precisam  de Cristo, mas de um psiquiatra; não precisam da Palavra de Deus, mas de serem tratadas: precisam de um tratamento psiquiátrico! A Palavra de Deus já não lhes faz nada, pois tornaram-se imunes, cauterizadas e indiferentes!

A igreja, que tinha uma vocação refugiadora para as almas cansadas do mundo, perdeu essa vocação e esse ideal e tornou-se igualmente problemática como o mundo, deixando de ter alguma diferença. E, muitas pessoas do mundo, que procuram a generalidade das igrejas locais para encontrar alguma paz, tranquilidade, satisfação, ficam imensamente piores que os seus frequentadores habituais com o que encontram nelas! As pessoas já não se consideram irmãos, nem amigos, mas adversários e inimigos; já não se perdoam, nem se toleram, nem se suportam; as pessoas mudam de ideias, de ideais e de igrejas locais, sem critério, como se muda de estação de ano! As pessoas estão tão perturbadas e andam tão mal psicologicamente que entram em crises psiquiátricas constantemente… e, pior que tudo, transpõem todos esses problemas para as reuniões de igreja! E, como é uma doença contagiosa, rapidamente esses males são transmitidos a todos e, aquilo que era um mal que se erradicava ao primeiro contacto com a Palavra de Deus, passa a ser normal (prática comum) na vida das pessoas. Será assim que o anticristo encontrará as pessoas quando se manifestar e, facilmente, controlará as suas vidas.

Na mesma lógica o Senhor disse aos discípulos dos seus dias:
“Vai, primeiro, reconciliar-te com teu irmão…” (Mateus 5:24);
“Tira, primeiro, a trave do teu olho…” (Mateus 7:5);
“Limpa, primeiro, o interior…” (Mateus 23:26);
“Faz, primeiro, as contas…” (Lucas 14:28);
“Ouve, primeiro…” (João 7:51).

Não tem qualquer valor falar da Palavra de Deus e querer testemunhar de Deus se o essencial de uma vida está longe disso! Primeiro, há que colocar as coisas no seu devido lugar. E, se não temos condições para estar no testemunho é preferível estar quieto e esperar pelo momento certo, como David esperou pelo chamado de Deus, e o próprio Senhor, que esperou perto de 30 anos para iniciar o Seu ministério.

Por isso, escrevia o apóstolo aos crentes da sua época:
«O mesmo Deus da paz (calmo, pacifico, tranquilo) vos santifique (limpe) em tudo; e o vosso espírito (pneuma/mente), alma (psique/emoções) e corpo (corpo/físico) sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo» (I Tessalonicenses 5: 23).

E:
«Rogamos-vos… a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola…» (II Tessalonicenses 2: 2).


E, o que inquieta os crentes:

I – As Coisas Correntes da Vida Quotidiana: Comer e vestir:
«(25) Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? (27) Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (28) E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. (31) Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (34) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal» (Mateus 6). «Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?» (Lucas 12:26).

«Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas preocupações, pela oração e pela súplica, com ações de graças…» (Filipenses 4: 6).

«Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes» (I Timóteo 6: 6-8).


II – O Que Havemos de Falar:
«E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer…» (Mateus 10:19).


III – Como Servir ao Senhor:
«Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas...» (Lucas 10:41).


IV – Com o Casamento:
«O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida  das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido» (I Coríntios 7:32-34).


V – O Serviço na Igreja Local:
«Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem (preocupem) os membros, com igual cuidado (preocupação), em favor uns dos outros…» (I Coríntios 12:25).


O crente não tem motivos para andar perturbado e não andaria perturbado, nem precisaria de psicólogo se pensasse nas coisas que são de cima (as que são verdadeiramente de cima e não aquilo que dizemos que são de cima e não passam de terrenas... parece que os crentes querem encher os lugares celestiais com as coisas terrenas...) e buscassem as coisas que são de cima!

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o V. espírito.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Perfil Falso!


«Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho; E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai,» (Atos 20: 29-31);

«Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério» (II Timóteo 4: 3-5);

«E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniquidade» (II Tessalonicenses 2: 11-12).

«Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda» (Apocalipse 22: 11).

A soberania de Deus na aplicação da sua justiça! Verdadeiramente extraordinário!

E, será esta sabedoria que confundirá os mais espertos, mesmo aqueles que dizem deter todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento de Deus!

Pois bem. Hoje mesmo, cheguei a casa, pelas 20:15H e decorria uma reportagem na televisão. O título era @REDE! Tratava-se de uma sujeita que criou um perfil falso no Facebook. E, com ele contactava pessoas para atrair as atenções. Não era propósito extorquir dinheiro. Queria, simplesmente, ser o centro das atenções. Dizia que tinha sido acometida de várias doenças, inclusivamente de cancro; que vários familiares íntimos tinham falecido; postava fotos e mensagens muito apelativas. Conseguia fazer contactos que lhe permitiam passar uma imagem esbelta, cândida e convincente. As pessoas que com ela contactaram davam testemunho que ficavam impressionadas e que as levaram às lágrimas… Alguns se apaixonaram e formaram castelos imaginários nas suas vidas! Outros foram encorajados e motivados para novas conquistas… mas, aquilo que parecia ser real, não passava de fotografias roubadas de outros perfis, imagens deturpadas, histórias inventadas, uma total falsidade.

Comentávamos em casa: isto é matéria para um grande filme! Nos EUA isto dava um filme digno de um Óscar! Em Portugal poderia inspirar alguns produtores e argumentistas a uma razoável novela! No entanto, tendo eu memória dos últimos acontecimentos das igrejas locais desta zona norte do distrito de Aveiro vejo neste procedimento a imagem real do que se vive nestas igrejas locais: total falsidade dos líderes a mobilizar uns fracos incautos e reprovados corruptos de entendimento e procedimento… para a sua própria ruína!

Falava-me com um irmão, que me dizia, estes senhores, à cerca de 20 anos, dividiram as igrejas deste distrito de Aveiro; a história do seu ministério descreve-se a queimar, injustificadamente, irmãos idóneos, trabalhadores e honestos; nunca fizeram nada novo, e aquilo que herdaram não descansarem enquanto não destruíram! Uns, herdaram um acampamento bíblico para competir com outros acampamentos: foi o último a ser criado e não descansaram enquanto não o encerraram, deixando um rasto de destruição, podridão e divisão; agora, baseados em mentiras e falsidades mobilizam os mesmos “pisteiros rafeiros" incompetentes e totalmente reprovados (porque nunca deram provas de valerem alguma coisa: nem como crentes, nem como pessoas recomendáveis socialmente) para continuar a dividir as igrejas locais! Outros são turistas de igrejas: nunca estão satisfeitos com a igreja que frequentam. Estes, ora ficam descontentes e muram-se, ora são motivados a mudar-se! É interessante verificar que alguns destes são convidados a pregar em eventos como compensação ou prémio por serem fiéis ao erro e à simulação espiritual. Intriga-me o facto de que só as igrejas de longe é que convidam estes propagadores da bíblia; mas as igrejas locais de perto, que os conhecem, não os convidam! Estranho! E, vivesse assim, por aquelas bandas, numa paz podre, que tresanda a imundície e putrefacção! Como se a lista fosse pequena, vão-nos chegando aos ouvidos de líderes que estão à frente das igrejas, muito estimados, mas com uma vida pessoal e, especialmente, profissional, que são uma completa vergonha! Revelava um destes que o trabalho profissional lhe permitia fazer traduções e escrever artigos na hora da entidade patronal! Quando soube que se tratava de um funcionário publico, ou equiparado, lembrei-me logo da carga fiscal que suporto anualmente para que estes senhores possam receber os seus salários chorudos, propagando, que trabalham para o Senhor, mas o fazem roubando cada um dos membros das igrejas que pagam honestamente e regularmente os seus impostos! Não passam de mais uns perfis falsos; mas, quem os ouve, até choram de emoção, ou ficam assustados com os seus berros de motivação… como se o que dizem fosse a sua verdade! A verdade é que, conhecendo as suas vidas, sabemos que o que dizem não passa de uma fé emprestada! Nunca dizem nada do que o Senhor lhes tenha ensinado, mas é tudo gravado, copiado, imitado de artigos ou de livros de outros autores que herdaram! Ainda não chegaram à experiência de Job: “agora os meus olhos te vêm”!

A justificação para os seus atos condenatórios pela Palavra de Deus é "a doutrinas", como sempre foi na história das divisões das igrejas; mas os seus atos revelam que as suas motivações são a inveja, a azia desmedida por pessoas que valem e cresceram muito mais que eles. Foi isso que motivou a perseguição de Saul a Davi, como foi o motivo que levou a perseguição dos judeus ao Senhor Jesus Cristo e à sua crucificação. Usam um perfil falso, com imagens muito lindas, discursos muito apelativos, muito charme… parece que revelam muita preocupação, mas não passa de falsidades! São castelos construídos na areia, torres edificadas com tijolos, que o Senhor brevemente destruirá... e os confundirá!

Dizia-me um jovem, à dias: “não podemos ter a comunhão que tivemos… com algumas igrejas…”! É verdade, pensei eu, com os “meus botões”! Comunhão! Que é comunhão? O que é que estes miúdos sabem de comunhão? É a comunhão da divisão? Da discórdia? da falsidade? Do que motiva estes líderes? De facto, o espírito do anticristo já opera, pensei eu! Os mesmos métodos, os mesmos princípios, os mesmos procedimentos! Provavelmente, o mesmo fim!

Outrora eu me escandalizava com estas coisas! Agora, sei que as coisas têm de ser mesmo assim! Aos sinceros e honestos só precisam de se manter calmos, aguardar no Senhor e ver como a sua obra não será em vão, no Senhor, se se mantiverem na honestidade, na fidelidade, na tolerância e no amor, de acordo com a revelação da graça de Deus.

Os que enveredarem pela falsidade, não será mais que o resultado de um certo abandono de Deus aos atos dos desejos dos seus próprios corações, e recebam a recompensa daquilo que sempre fizeram e pensaram, em função ou com a mesma regra daquilo que sempre pensaram!
«Não temais; estai quietos e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará…»

Palavras para quem? Disse o Senhor: “As minhas ovelhas conhecem a minha voz… e não seguirão ao estranho”! E, os que têm de se perderem, perder-se-ão!

Estas não são palavras para todos, mas todos poderão ser beneficiados por elas: são palavras de aviso, palavras de encorajamento e palavras de revolta! Cada uma germinará de acordo com o terreno onde caírem!